Se connecterQuando Liliane finalmente alcançou a margem do açude, percebeu que havia chegado tarde demais. O som de um mergulho brusco rompeu o ar; a mulher havia se atirado nas águas escuras com uma determinação desesperada de quem queria acabar com tudo.Paralisada de pavor diante daquela cena, Liliane começou a gritar por socorro com toda a força dos pulmões, movida pelo puro instinto. Quase no mesmo instante, um vulto passou por ela feito um raio e mergulhou no açude para tentar o resgate. Os gritos desesperados atraíram com rapidez as outras pessoas que estavam na fazenda, incluindo a senhora que havia acabado de sair para cuidar dos afazeres diários. Ao perceber que alguém estava tentando tirar a própria vida ali mesmo, a mulher entrou em pânico.— Meu Deus, o que a gente faz agora?! — Berrou a senhora, gesticulando com pura aflição. — Liguem para o SAMU, rápido! Não fiquem aí plantados!Não demorou muito para Valentino puxar a mulher das águas turvas, contando com a ajuda das pessoas na ma
A enfermeira ficou paralisada, sentindo o sangue gelar nas veias, incapaz de formular qualquer resposta.— O seu menino está com a gente bem seguro. Mas, se o pessoal da Sinar Medical continuar fuçando nessa história, você já pode ir preparando o caixão dele. — Ameaçou Ronaldo. A voz dele era baixa e gélida, sufocando a mulher de pavor a cada palavra.Antes mesmo que a enfermeira conseguisse processar o peso daquela ameaça, Ronaldo fez um sinal com a mão, ordenando que seus capangas se retirassem. Após dar alguns passos em direção à saída, ele ainda parou para mandar um dos rapazes recolher o lixo espalhado pelo chão, mantendo a pose de controle absoluto do pedaço.Acompanhado por seus homens, ele caminhou pelo pátio da frente com uma postura arrogante, bem no momento em que a senhora trazia Liliane para dentro da propriedade. A mulher mais velha abriu um sorriso largo e cumprimentou Ronaldo com a familiaridade típica do interior.— Já estão de saída? Acabou a diversão por hoje?— Isso
— Já que você veio até aqui, não vai ter coragem de me deixar sozinha nessa situação, vai? — Questionou Liliane, mantendo a postura ereta. Ela tentava transparecer uma confiança inabalável, mas, no fundo, não fazia a menor ideia do que se passava na cabeça dele.Percebendo a fachada de coragem que mal escondia a insegurança da moça, Valentino apenas soltou um riso anasalado e curto, optando pelo silêncio. Aquela falta de resposta a deixou impaciente, fazendo com que ela abandonasse a pose orgulhosa e suavizasse o tom de voz.— Olha... eu queria muito que você me desse uma força com isso! — Pediu ela, demonstrando certa urgência.Ele ergueu o olhar, encarando-a com uma intensidade palpável, e respondeu de forma direta:— Tudo bem, eu ajudo.Aquela resposta pronta pegou Liliane de surpresa. Ela já havia preparado um arsenal de argumentos e insistências caso ele recusasse, e ouvir um "sim" tão fácil a deixou paralisada por um instante. Aliviada com a confirmação, ela finalmente relaxou o
A tempestade não durou muito, transformando-se logo em uma garoa fina e persistente que castigou a cidade durante a noite inteira. Devido ao mau tempo, as barraquinhas de comida na rua principal encerraram as atividades antes mesmo das dez da noite. As ruas molhadas ficaram desertas em um piscar de olhos. O único sinal de vida vinha da grande casa de shows na rua de trás, que continuava com as luzes acesas e o estacionamento lotado de carros. No palco do salão principal, algumas dançarinas com roupas curtas rebolavam ao som da música alta, enquanto várias mesas permaneciam ocupadas por clientes. O movimento ali dentro parecia imune ao clima ruim lá fora.Um garçom entrou em uma das salas privativas no segundo andar carregando uma travessa de petiscos. O ambiente estava reservado para apenas três pessoas, dois engravatados do alto escalão e o dono do estabelecimento. O proprietário brindava animado com os dois convidados. Assim que o funcionário deixou a comida na mesa, ele deu a ord
A enfermeira ficou em choque, abaixando a cabeça enquanto uma sombra de tristeza tomava conta do seu rosto. Após um longo silêncio, ela soltou um suspiro pesado antes de responder: — Eu agradeço muito por você ter empatia pela nossa situação. A verdade é que o hospital está há mais de três anos sem uma receita decente. Por causa disso, muitos funcionários e médicos excelentes acabaram indo embora. Quem ficou foram os mais velhos, que ainda conseguem se virar com as economias ou com a ajuda da família, mas os mais novos já foram todos procurar a vida em outro lugar. Hoje falta braço para trabalhar e falta equipamento básico, então a gente acaba mandando os casos mais graves para a cidade grande. Quem fica para se tratar aqui são as pessoas mais carentes da região, como idosos e mães com crianças pequenas, o que significa que o hospital não arrecada quase nada.— E a prefeitura nunca tentou ajudar vocês com isso? — Questionou Liliane, sem entender o abandono.A enfermeira soltou uma ris
— Achei que você fosse jantar com o Vinícius e a Sarah. — Ricardo pausou a reunião e fechou o notebook.Luana se virou na direção dele, abrindo um sorriso descontraído. — O Vinícius e a Sarah estão curtindo um momento de casal, então eu não ia ser sem noção de ficar lá segurando vela, né?Ricardo aproveitou o movimento para puxá-la pela cintura, pousando uma das mãos com carinho sobre a barriga saliente dela. — Quando essas crianças nascerem, a gente também vai conseguir tirar um tempo só para nós dois.— Ai... — Ela soltou um gemido baixo. Vendo a reação repentina, o rosto de Ricardo empalideceu na mesma hora, tomado pela aflição. — O que foi? Está sentindo alguma coisa?Com as duas mãos apoiadas na barriga, Luana soltou uma risada fraca. — Eles me chutaram.— É mesmo? Deixa eu escutar como estão aprontando com você. — Com a testa levemente franzida, ele abaixou a cabeça e colou o ouvido no ventre dela. Ao observar a cena tão afetuosa, Luana não conseguiu segurar uma gargalhada






