تسجيل الدخولLourenço tomou um gole de café e baixou o olhar antes de responder: — Se essas coisas têm alguma relação com a Sinar Medical, eu já não sei dizer. A única coisa que sempre questionei foram os métodos que aqueles dois usam para acumular riquezas. É muito difícil afirmar se é apenas corrupção pura ou se tem algo mais obscuro por trás.Valentino desviou o olhar, encarou o amigo por um breve instante e terminou de beber seu café.— Escuta, Valentino, quando estiver em Santa Aurora, evite ao máximo agir sozinho. Tanto o Ronaldo quanto o Márcio não são pessoas com quem se deva brincar.Diante do alerta, Valentino apenas assentiu com uma voz grave. — Pode deixar, eu sei bem disso.Logo depois, Valentino retornou para a casa da fazenda. Assim que ele pisou na sala de estar, uma figura saltou de supetão bem na sua frente.— Você voltou! — Exclamou Liliane, animada.Ele relaxou o cenho franzido aos poucos quando se deparou com aquele rosto atrevido e cheio de energia.— O que você está apronta
A senhora empurrou o filho para o lado com brusquidão, sem se dar por vencida.— Não se mete nessa história, deixa essa mulher abrir a boca e confessar o que fez! — Esbravejou ela, com o dedo em riste. — Eu quero que ela me explique que tipo de atrocidade aprontou para o meu neto ir parar nas mãos daquela gente! O seu irmão está lá longe quebrando as costas de tanto trabalhar e não tem nem como vir para cá. Se arrancarem um fio de cabelo sequer do Lúcio, como é que nós vamos encarar o seu irmão?Aproveitando a distração, Liliane deu mais alguns passos em direção à entrada e, dessa vez, conseguiu visualizar nitidamente o rosto da mulher que chorava de cabeça baixa. Um choque percorreu o seu corpo. Aquela era justamente a enfermeira do hospital que ela estava procurando! "Então é aqui que ela mora?", Liliane se questionou, perplexa com a coincidência.Ao olhar por cima do ombro, o homem de regata notou a plateia curiosa que havia se formado na calçada e se apressou em ir até lá fora par
Durante o trajeto de volta, Ricardo notou de imediato que Luana estava muito mais quieta do que o habitual, mantendo uma expressão fechada desde o momento em que deixaram o hospital. Imaginando o motivo daquela angústia, ele estendeu a mão para envolver a dela, entrelaçando os dedos com carinho.— Ficar cara a cara com os seus antigos colegas te deixou chateada? — Perguntou ele, com a voz suave.Sebastião, que estava concentrado na direção, não conseguiu evitar e lançou um olhar rápido pelo espelho retrovisor para observar a cena.Luana despertou de seus devaneios e puxou a mão com delicadeza para se soltar do toque dele.— Toda vez que eu piso nesse Hospital de Oeiras e vejo esses rostos conhecidos, aquelas lembranças ruins voltam com tudo para me assombrar. — Desabafou ela, com um suspiro pesado.Ricardo optou pelo silêncio, apenas encostando as costas no banco de couro enquanto um sorriso enigmático brincava no canto de seus lábios. "Essa indireta foi direto para mim.", pensou ele
No dia seguinte, Liliane foi até o hospital na inocência, tentando bater um papo com os colegas daquela enfermeira para entender a situação. Mas o clima estava péssimo. Provavelmente por saberem que ela representava a Sinar Medical, a equipe da farmácia fugia dela como o diabo foge da cruz. Alguns fingiam que nem estavam vendo, outros se faziam de surdos quando ela tentava puxar assunto.Sem outra saída, ela resolveu dar uma passada na enfermaria para checar o que estava acontecendo. Chegando na porta do quarto, deu de cara com uma auxiliar de limpeza arrumando os lençóis. Ela entrou às pressas e foi logo perguntando:— Com licença, onde está a paciente que ficava nessa cama?A funcionária levantou a cabeça, sem parar o que estava fazendo, e respondeu de imediato:— Ela acabou de ter alta. Assinou os papéis e foi embora.Liliane deu meia-volta e saiu correndo pelos corredores para tentar alcançá-la. Quando chegou à portaria do prédio, pegou o celular para ligar, mas a chamada caiu dire
Quando a noite caiu, a grande casa de campo ficou toda iluminada. Valentino saiu do banho e voltou para o quarto. Ele afastou a cortina da porta e lançou o olhar para a mulher deitada na cama espaçosa.Liliane estava toda encolhida, enrolada nas cobertas, deixando à mostra apenas o topo dos seus cabelos escuros. A respiração dela era suave e regular, como se já estivesse mergulhada num sono profundo. Mas, assim que ele se sentou na beirada do colchão, aquele monte de lençóis se mexeu de leve. Um olho se abriu devagarinho por uma fresta do cobertor, deu uma espiada rápida no rapaz e se fechou num piscar de olhos, fingindo que nada tinha acontecido.Valentino preferiu não acabar com o teatro e apenas se deitou no seu canto de costume, mantendo a postura reta e formal de sempre. Ela abriu os olhos de novo. Com as mãos agarradas à ponta do cobertor, piscava sem parar e mordia o lábio, perdida num mar de indecisão. Pouco tempo depois, uma voz calma e inalterada soou atrás dela:— Eu sei qu
Valentino desviou o olhar da porta e voltou a atenção para a garota. — Pensei que você estivesse de plantão no hospital.— Nem me fale. — Liliane abaixou a cabeça, com um bico chateado no rosto. — Não sei o que deu nela. A mulher surtou do nada, ficou super na defensiva. Parecia até que queria expulsar a gente do Santa Aurora a todo custo.— Naquele dia em que você foi atrás dela no sítio... você disse que esbarrou com um grupo esquisito, não foi? — Perguntou ele, adotando um tom de voz mais sério.Ela concordou com um aceno de cabeça. — Isso mesmo. A dona me contou que o líder do bando era um tal de Ronaldo, um figurão aqui da cidade. Mas que tipo de empresário respeitável anda cercado de capangas com cara de bandido? O sujeito cheirava a encrenca de longe.Os olhos de Valentino escureceram, perdidos em pensamentos profundos que ele não fez questão de compartilhar.Liliane cruzou os braços e começou a andar pela sala, elaborando suas próprias teorias conspiratórias. — Sabe qual é o







