MasukA enfermeira ficou em choque, abaixando a cabeça enquanto uma sombra de tristeza tomava conta do seu rosto. Após um longo silêncio, ela soltou um suspiro pesado antes de responder: — Eu agradeço muito por você ter empatia pela nossa situação. A verdade é que o hospital está há mais de três anos sem uma receita decente. Por causa disso, muitos funcionários e médicos excelentes acabaram indo embora. Quem ficou foram os mais velhos, que ainda conseguem se virar com as economias ou com a ajuda da família, mas os mais novos já foram todos procurar a vida em outro lugar. Hoje falta braço para trabalhar e falta equipamento básico, então a gente acaba mandando os casos mais graves para a cidade grande. Quem fica para se tratar aqui são as pessoas mais carentes da região, como idosos e mães com crianças pequenas, o que significa que o hospital não arrecada quase nada.— E a prefeitura nunca tentou ajudar vocês com isso? — Questionou Liliane, sem entender o abandono.A enfermeira soltou uma ris
— Achei que você fosse jantar com o Vinícius e a Sarah. — Ricardo pausou a reunião e fechou o notebook.Luana se virou na direção dele, abrindo um sorriso descontraído. — O Vinícius e a Sarah estão curtindo um momento de casal, então eu não ia ser sem noção de ficar lá segurando vela, né?Ricardo aproveitou o movimento para puxá-la pela cintura, pousando uma das mãos com carinho sobre a barriga saliente dela. — Quando essas crianças nascerem, a gente também vai conseguir tirar um tempo só para nós dois.— Ai... — Ela soltou um gemido baixo. Vendo a reação repentina, o rosto de Ricardo empalideceu na mesma hora, tomado pela aflição. — O que foi? Está sentindo alguma coisa?Com as duas mãos apoiadas na barriga, Luana soltou uma risada fraca. — Eles me chutaram.— É mesmo? Deixa eu escutar como estão aprontando com você. — Com a testa levemente franzida, ele abaixou a cabeça e colou o ouvido no ventre dela. Ao observar a cena tão afetuosa, Luana não conseguiu segurar uma gargalhada
Luana olhou para o pai, sentindo o coração apertar ao ver a melancolia dele, e trocou um olhar cúmplice com Vinícius. Ela se levantou, parando ao lado de Danilo.— Fica tranquilo, pai. A mãe ainda vai ter a chance de ver isso com os próprios olhos.Danilo deu um tapinha suave na mão da filha e voltou a atenção para o filho mais velho.— Aqui em Oeiras as coisas estão sob controle, eu e a sua irmã damos conta do recado e você não precisa esquentar a cabeça. Já que a Sarah viajou esse tempo todo com você para o país, o seu dever é fazer companhia para ela e não deixar a menina esquecida pelos cantos.Vinícius abaixou os olhos, hesitando um pouco antes de responder.— Mas é que...— A cirurgia só vai acontecer daqui a mais de um mês. Se você está tão preocupado assim, leva a Sarah para conhecer Macondo e se adaptar com o lugar. Seu tio Emanuel é muito bom de serviço, mas não dá para jogar todo o peso da empresa nas costas dele. — Danilo cortou a frase do filho, com um tom de voz que mistu
Valentino virou as costas e começou a descer os degraus de pedra do prédio. Liliane precisou de alguns segundos para processar a informação, mas logo apressou o passo para acompanhá-lo.— Mas como isso é possível? — Ela indagou, ainda confusa com a situação. — Por pior que seja o faturamento do hospital, a prefeitura não repassa algum tipo de verba para ajudar nas contas?— Verba da prefeitura? — Valentino estacou no meio do caminho, soltando uma risada anasalada e sem humor, e virou o rosto para encarar a ingenuidade estampada na expressão da garota. — O dinheiro público mal cobre uma parte do salário base da equipe, então todo o resto depende da renda gerada pelos serviços médicos. Sem contar a folha de pagamento gigante que eles precisam cobrir, você já parou para calcular o custo de manutenção de todos aqueles aparelhos? Santa Aurora é um município esquecido e sem recursos faz anos, de onde você acha que o governo municipal vai tirar dinheiro para bancar o hospital?Liliane ficou
O discurso amigável pegou a enfermeira de surpresa, deixando-a sem reação. O rosto dela foi tomado por uma mistura de constrangimento e desconforto, sem saber o que responder.Ignorando o clima estranho, Liliane começou a distribuir os copos entre os estagiários. — Venham pegar, tem para todo mundo! Muito obrigada pelo esforço de vocês nessa última semana.— Muito obrigado, Srta. Liliane — Agradeceram os jovens em coro, aproximando-se para pegar a bebida quente das mãos dela.Apenas a enfermeira permaneceu afastada, observando a cena em silêncio, imersa em seus próprios conflitos.A garota então estendeu o último copo na direção da mulher. — Esse é o seu.A enfermeira cruzou os braços e não aceitou a bebida, franzindo a testa. Após alguns segundos de hesitação, ela suspirou. — Agradeço de coração a sua gentileza. Mas eu tenho muito trabalho para terminar agora, então não vou querer.Sem esperar por uma resposta, ela deu as costas e caminhou para o outro lado da sala para preparar ma
Assim que as mãos de Liliane se estenderam em sua direção, Valentino se esquivou no segundo seguinte, recuando o corpo com rapidez. — Pronto, já terminei.Deixada no vácuo, ela congelou no lugar, tomada por um constrangimento palpável. Sorte que sua reação foi rápida o suficiente para disfarçar o momento, e puxou um espelho de maquiagem da bolsa para examinar os machucados no próprio rosto.Valentino lançou um olhar de soslaio para ela. — O inchaço vai sumir em uns três dias, mas esses hematomas vão levar pelo menos uma semana para desaparecerem por completo.— Pelo visto, não vou conseguir voltar para casa tão cedo... — Liliane murmurou, com os ombros caídos e o desânimo evidente na voz. — O hospital está escondendo os registros dos remédios de propósito. Se eu voltar agora com as contas bagunçadas desse jeito, como vou dar uma explicação? Ah, quer saber? É melhor eu pedir ajuda ao Ricardo.Quando ela estava prestes a pegar o celular para enviar uma mensagem, o olhar de Valentino re







