LOGINO proprietário da loja de conveniência estreitou os olhos ao reconhecer o carro estacionado junto ao meio-fio e, percebendo se tratar de um rosto familiar, aproximou-se com um sorriso amistoso, saudando o motorista:— Acabou de sair do trabalho? Vai querer levar bebida de novo? O mesmo de sempre?Valentino confirmou com um breve aceno de cabeça.— O de sempre.Sendo um cliente habitual, o comerciante mantinha viva a lembrança de suas preferências, especialmente porque Valentino era praticamente o único que comprava a cerveja San Miguel, uma marca que não tinha muita saída com os outros fregueses da região.Ao ouvir a voz masculina, Liliane se virou de imediato e, para sua surpresa, deparou-se com o que lhe pareceu ser um bote salva-vidas em meio ao oceano. Seus olhos brilharam de alívio e ela correu até ele, exclamando:— É você! Que sorte!Valentino franziu a testa, incomodado, mas antes que pudesse articular qualquer palavra, o dono da loja indagou, confuso:— Vocês se conhecem?Sem
Vinícius assentiu enquanto se servia. Ele já esperava que Vítor a informasse sobre a verdade dos fatos.Havia o suposto acidente, a morte repentina e suspeita do idoso, seguida pela imediata ofensiva da família contra o Grupo Souza, tudo isso somado a uma opinião pública manipulada. Ao conectar esses pontos, Luana compreendeu que tudo aquilo não passara de uma armadilha meticulosamente orquestrada.Vinícius notou a sombra de preocupação no rosto dela e segurou seu olhar com firmeza.— As medidas legais já estão sendo tomadas, o jurídico está cuidando de tudo. Não precisa se preocupar.— Eu sei. — Suspirou Luana, com a voz suave. — Mas ver você ferido por causa disso... aperta meu coração. É difícil não me sentir culpada.— Estou inteiro, não estou? — Brincou ele, com um sorriso tranquilizador, tentando aliviar o clima. — Foram só ferimentos leves. E pode ter certeza de que eles ficaram em pior estado do que eu. Não sou alguém fácil de ser intimidado, Luana.A bravata arrancou uma risad
Vinícius nutria suspeitas sobre a verdadeira identidade de "Luciano" há muito tempo, uma desconfiança que persistiu mesmo após a confirmação de Thiago. A lógica era simples: como um homem recém-chegado a Macondo, que havia visto sua irmã apenas algumas vezes, teria motivação e intimidade suficientes para intervir tão drasticamente nos assuntos dela?A resposta era óbvia. Só poderia ser ele.Percebendo que seu disfarce fora desmantelado, Ricardo não tentou mais negar. Com movimentos lentos e deliberados, removeu a máscara, revelando o rosto conhecido.— Pelo visto, é impossível enganar você por muito tempo. — Admitiu ele, com um sorriso resignado.— O Grupo Ferraz está sem liderança, um caos absoluto há um ano, e você decide vir para Macondo brincar de Luciano? Tenho que admitir, você realmente sabe como levar a vida de forma descompromissada. — Alfinetou Vinícius, observando o amigo.Ricardo acariciou a borda fria da máscara com a ponta dos dedos. Ao erguer o olhar, a turbulência em su
— Desde quando você ficou tão parecido com o meu pai? — Roberto não resistiu a provocar. — Tá achando que é filho dele agora?Ricardo parou diante de seu carro no estacionamento do hospital e abriu a porta.— Na verdade, é você quem trato como filho.— Vai se ferrar! — Retrucou Roberto, rindo, antes de encerrar a chamada e enviar as fotos.Ricardo guardou o celular. Seu olhar, no entanto, não tinha traço de humor....De volta ao hotel, as portas do elevador se abriram e Ricardo estancou. No corredor, uma silhueta frágil o aguardava.Luana estava lá, encostada na parede, os olhos inchados e vermelhos denunciando o choro recente. Ao vê-lo, ela correu em sua direção e agarrou a manga de sua camisa como se fosse uma tábua de salvação.— Ricardo... — A voz dela falhou, trêmula. — Por favor, me ajuda a encontrar o Vinícius. Eu não consigo falar com ele, aconteceu alguma coisa...Lágrimas grossas rolavam por seu rosto, caindo silenciosamente no piso de mármore frio. A visão do desespero dela
Ao ver Emanuel entrar, a tensão no rosto de Yasmin foi imediata e palpável. Érica, sempre observadora, notou a mudança brusca na expressão da cunhada e franziu o cenho, desviando o olhar logo em seguida, imersa em seus próprios pensamentos.— Estão todos aqui, que bom. — Comentou Emanuel com um sorriso casual, acomodando-se no ambiente antes de se voltar para o patriarca. — Pai.Afonso, que bebericava seu chá, pousou a xícara na mesa de centro.— Você voltou. Já está sabendo das notícias? — Indagou o velho.Os dedos de Yasmin se fecharam com força ao redor do próprio vestido, traindo sua ansiedade crescente. Desde que Emanuel estreitara laços com a poderosa família Monteiro, de Cingapura, sua postura mudara drasticamente, inclinando-se de forma óbvia para o lado da família do quarto irmão. O retorno repentino dele, justo naquele momento de crise, não podia ser coincidência. Certamente não traria nada de bom.— Ouvi dizer, sim. A repercussão na internet está imensa. — Disse Emanuel, se
Vinícius acabava de sair da mansão quando seu celular tocou, rompendo o silêncio da noite. Era uma chamada do hospital.— Boa noite. O senhor é familiar da senhora Luana?O coração de Vinícius apertou, pressentindo problemas.— Sou eu mesmo. O que aconteceu com ela? — Perguntou ele, franzindo a testa.Ao ouvir a resposta do outro lado da linha, sua expressão se fechou numa máscara sombria. Ele desligou e correu em direção à garagem.— Entendido. Estou indo para aí agora mesmo.No pronto-socorro do hospital, após a enfermeira terminar de enfaixar a mão de Luana e passar as instruções de cuidados, a jovem saiu da sala segurando o braço ferido. Ao erguer a cabeça, viu Vinícius caminhando apressado em sua direção, com o semblante transtornado.— Luana!— Vinícius?— Você está bem? — Indagou ele, examinando-a rapidamente, com o rosto transparecendo tensão e seriedade. — Como isso foi acontecer? Você dirige tão bem, um acidente assim não faz sentido.Luana baixou os olhos, prestes a explicar







