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Capítulo 29 – O Último Suspiro

last update Veröffentlichungsdatum: 25.05.2026 11:43:09

O vigésimo quarto dia amanhece cinzento e pesado.

O ar dentro do quarto parece denso, quase sufocante, carregado com o cheiro de morte iminente. Meu pai não acordou direito desde a madrugada. Sua respiração agora é um ruído molhado e irregular, como se os pulmões estivessem cheios de água. O peito sobe e desce em espasmos curtos, lutando por cada milímetro de ar.

Eu estou sentada na poltrona ao lado da cama, as pernas cruzadas, observando-o com uma calma que me assusta. Não sinto alegria. Não s
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    A dor no abdômen era um fogo constante, mas eu já havia aprendido a respirar através dela. O ferimento de bala pulsava embaixo do curativo sujo que Margaret trocava com relutância, como se manter-me viva fosse um investimento que ela ainda não tinha certeza se valia a pena.Eu estava amarrada novamente. Pulsos acima da cabeça, cordas ásperas mordendo a pele já em carne viva. Pernas abertas, tornozelos presos nas colunas da cama velha. Nua. Sempre nua. O ar úmido do porão cheirava a mofo, sêmen seco e desespero.Mas esta noite algo era diferente.Margaret havia ficado descuidada. Na pressa de atender um telefonema, deixou um copo d’água na mesinha ao lado da cama. Um copo de vidro barato. Quando ela saiu, eu me contorci até conseguir derrubá-lo com o pé. O som do vidro se estilhaçando no chão foi como música.Com os dedos do pé, consegui arrastar um caco maior para perto. Levei minutos — minutos que pareciam horas — para conseguir agarrá-lo com a mão direita, ignorando a corda que rasg

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