Home / Romance / Amor em Alto-Mar / Capítulo 29 – O Último Suspiro

Share

Capítulo 29 – O Último Suspiro

last update publish date: 2026-05-25 11:43:09

O vigésimo quarto dia amanhece cinzento e pesado.

O ar dentro do quarto parece denso, quase sufocante, carregado com o cheiro de morte iminente. Meu pai não acordou direito desde a madrugada. Sua respiração agora é um ruído molhado e irregular, como se os pulmões estivessem cheios de água. O peito sobe e desce em espasmos curtos, lutando por cada milímetro de ar.

Eu estou sentada na poltrona ao lado da cama, as pernas cruzadas, observando-o com uma calma que me assusta. Não sinto alegria. Não s
Continue to read this book for free
Scan code to download App
Locked Chapter

Latest chapter

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 14 (138) – Menos de Trinta e Seis Horas

    Eu não a deixo sair da cama.Não hoje.Com o prazo encurtado, cada minuto virou algo precioso e perigoso ao mesmo tempo. Eu preciso dela marcada. Preciso dela cheia de mim. Preciso que, quando Maeve e Luka entrarem por aquela porta amanhã à noite, não exista nenhuma dúvida no ar sobre a quem Elara pertence.Eu empurro para dentro dela devagar, sentindo cada centímetro ser engolido. Elara arqueia as costas, um gemido rouco escapando da garganta. Ela ainda está sensível da noite anterior, apertada, quente. Eu enterro até o fundo e fico parado ali, respirando contra o pescoço dela.— Olha para mim.Ela obedece. Os olhos verdes estão escuros, as pupilas dilatadas. Eu começo a me mover em estocadas profundas e lentas, quase preguiçosas, mas possessivas. Cada vez que eu entro até o fim, seguro o quadril dela com força para ela sentir o quanto estou fundo.— Você sente? — pergunto, a voz baixa. — Sente como você me pega?— Sim… — ela solta, ofegante.— Diz de quem você é.Elara demora. Eu re

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 13 (137) – A Manhã Seguinte

    A manhã chegou de forma lenta, filtrando uma luz pálida pelas frestas das cortinas pesadas do quarto. Durante alguns segundos permaneci imóvel, ainda preso àquele estado nebuloso entre o sono e a consciência, até perceber o calor constante do corpo de Elara junto ao meu.Ela continuava deitada de lado, de costas para mim, encaixada contra o meu peito como havia adormecido na noite anterior. Meu braço permanecia firme ao redor de sua cintura e a mão descansava sobre seu abdômen quase por instinto, num gesto que nem mesmo o sono fora capaz de desfazer. A proximidade dela despertava uma sensação estranha de tranquilidade, contrastando com a tempestade que tomava conta dos meus pensamentos desde a ligação de Maeve.Foi o leve enrijecer de seus músculos que denunciou que ela também havia despertado.Elara permaneceu imóvel por alguns instantes, como se tentasse entender onde estava. Depois começou a se mover devagar, quase sem respirar, tentando escapar do círculo formado pelos meus braços

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 12 (136) – Depois

    O silêncio que se instalou entre eles não era confortável, mas também já não tinha a mesma violência das horas anteriores. Pela primeira vez desde que Elara havia atravessado os portões daquela mansão, não existiam gritos, ameaças ou tentativas desesperadas de fuga. Restava apenas o peso de duas respirações dividindo o mesmo quarto e a estranha sensação de que ambos haviam atravessado uma linha da qual não existia retorno.Kael permaneceu imóvel por vários minutos, mantendo-a próxima, como se qualquer movimento pudesse romper aquele raro instante de equilíbrio. O calor do corpo dela ainda atravessava o lençol, e o perfume discreto de jasmim misturado ao cheiro da pele aquecida preenchia o quarto. Era um aroma que ele jamais admitiria em voz alta, mas que já começava a associar exclusivamente a ela.Elara mantinha os olhos fechados. Não dormia. Ele percebia pela respiração irregular e pelo leve franzir de sobrancelhas sempre que parecia mergulhar nos próprios pensamentos. Ela estava re

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 11 (135) – Setenta e Duas Horas

    O beijo termina lento.Eu me afasto só o suficiente para olhar o rosto dela. Os lábios de Elara estão vermelhos, inchados. Os olhos verdes não desviam dos meus. Pela primeira vez desde o leilão, ela não parece pronta para me matar. Parece… cansada. Confusa. E ainda assim, presa a mim.— Setenta e duas horas — eu repito, a voz baixa. — Depois disso minha mãe e o Luka vão aparecer aqui. E eu preciso decidir o que fazer com você até lá.Elara solta um riso curto, sem humor.— Decidir? Tipo me soltar? Me devolver? Me matar?Eu seguro o rosto dela com as duas mãos, os polegares passando pelas maçãs do rosto.— Decidir se eu te apresento como minha… ou se eu escondo você ainda mais fundo.Ela engole em seco. Eu sinto a garganta dela se mover sob os meus dedos.— Você é louco.— Eu sei.Eu a puxo para cima do sofá. O corpo dela colide com o meu. A camisa preta sobe um pouco nas coxas. Eu desço as mãos e agarro a carne nua, apertando. Elara solta um som baixo. Não é só de protesto.— Quarto.

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 10 (134) – O Peso do Silêncio

    Ela dorme contra o meu peito por quase duas horas.Eu não me mexo.Não quero quebrar o momento.A mão continua desenhando círculos lentos nas costas dela, sentindo a respiração ficar cada vez mais profunda. O cabelo molhado seca aos poucos contra minha pele. O cheiro dela — sabonete, pele quente e algo que agora reconheço como meu — me envolve.Quando ela finalmente se mexe, é devagar. O corpo fica rígido no segundo em que percebe onde está. Eu sinto a mudança imediatamente.— Continua quieta — murmuro, a voz rouca de tanto tempo em silêncio. — Ainda não terminei de te segurar.Elara levanta o rosto. Os olhos verdes estão inchados de sono e de tudo o que aconteceu no chuveiro. Há confusão neles. Raiva. E um cansaço profundo que me acerta no peito.— Por que você está fazendo isso? — pergunta baixo. — Por que não me fode de uma vez e pronto? Por que esse jogo todo?Eu seguro o rosto dela com uma mão, o polegar passando de leve pelo hematoma que está sumindo.— Porque, quando eu te fode

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 9 (133) – O Que Eu Não Consigo Parar

    O resto da manhã passa em silêncio tenso.Elara come o que eu coloquei na frente dela. Não muito, mas o suficiente para eu não brigar. Cada mastigada é feita com raiva. Cada olhar que ela me lança é uma faca. Eu fico do outro lado da ilha, braços cruzados, observando. O corpo ainda carrega a memória da noite anterior — o jeito que ela apertou meus dedos, o gemido que ela tentou engolir, o gosto dela na minha boca.Quando ela termina, eu a levo de volta para o quarto. Apontando para o banheiro.— Banho. Agora.Ela me olha como se quisesse me matar com os olhos, mas obedece. Eu fico do lado de fora da porta, encostado na parede fria, ouvindo a água começar a correr. O som do chuveiro preenche o corredor. Eu conto os minutos. Quando ela demora demais, quando o silêncio se estica demais, eu abro a porta sem bater.O vapor quente me acerta no rosto.Elara está debaixo do chuveiro, de costas para mim. Os cabelos pretos colados na pele molhada, descendo até o meio das costas. A água escorre

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 2 – Fúria e Solidão

    Capítulo 2 – Fúria e SolidãoEu puxo as cordas de seda preta com toda a força que consigo reunir, sentindo-as morderem meus pulsos como dentes afiados. Meu coração bate tão forte que parece querer escapar do peito. Estou nua. Completamente exposta. Cercada pelos três homens que eu mais amo e mais o

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 5 – Tempestade no Convés

    Capítulo 5 – Tempestade no ConvésO sol do Caribe bate forte no meu rosto enquanto caminhamos pelo convés principal. O robe de seda preta que Zion me deu mal esconde o que aconteceu nas últimas horas. Meus pulsos ainda estão marcados, vermelhos sob as mangas largas. Cada passo me lembra que estou a

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 4 – Migalhas de Luxo

    Capítulo 4 – Migalhas de LuxoZion continua deslizando o morango gelado pelo meu mamilo, circulando lentamente, provocando. Elias mantém dois dedos pressionados contra minha entrada encharcada, abrindo-me, mas sem penetrar, apenas sentindo o quanto estou molhada e desesperada.— Diga — repete Elias

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 3 – A Espera que Queima

    Capítulo 3 – A Espera que QueimaO tempo dentro dessa suíte se transforma em algo viscoso e cruel.Minutos se esticam como horas. Não sei mais se passaram trinta minutos ou três horas desde que a porta se fechou com aquele clique definitivo. O relógio digital na mesinha marca 23:47, mas o mar negro

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status