로그인Lorena abriu a porta e se preparou para entrar em casa, mas ouviu a voz de Verônica atrás dela:— Pare aí.Lorena se virou. Verônica a havia seguido.— Você é mesmo ardilosa, né? — Verônica soltou uma risada fria. — Eu vivia me perguntando como uma mulher mais velha e divorciada tinha conseguido deixar Alberto e a própria irmã tão mansos. Agora entendi. Você simplesmente se aproveitou da oportunidade de se aproximar deles.Lorena não pretendia discutir com ela.— Verônica, eu sei que você é muito talentosa. Mas, já que agora fazemos parte da mesma companhia de dança e você também não pretende rescindir o contrato, eu espero que você se concentre na dança.Os lábios vermelhos de Verônica se curvaram num sorriso irônico.— E com que autoridade você me diz isso? Como Lorena? Ou como ex-namorada de Alberto?As palavras não feriram Lorena. Pelo contrário, ela continuou calma.— Como dançarina.Sua voz soou firme e cristalina.— Eu já vi muitos dançarinos talentosos se perderem por causa de
Lorena decidiu que aquele era um assunto interno da própria companhia de dança e que cabia a ela resolver tudo. Não havia necessidade de envolver a família de Alberto naquela confusão outra vez.Enquanto ela pensava nisso, uma voz ríspida veio da entrada do jardim.— Letícia, o que você está fazendo?— Meu Deus, bastou falar nela para ela aparecer. — Letícia ergueu as sobrancelhas e lançou um olhar debochado na direção da entrada do jardim. — Ora, a princesa chegou. Que pena, este lugar aqui é simples demais. Acho que não está à altura de uma presença tão majestosa.— Sua idiota, você não sabe nem distinguir quem está do seu lado de quem está contra você? Você fica aí de papo com uma estranha, como se nada estivesse acontecendo? Você perdeu o juízo? — Verônica repreendeu Letícia, mas seus olhos estavam fixos em Lorena.A estranha e inimiga a quem Verônica se referia era, obviamente, Lorena.Letícia, porém, sorriu com doçura.— Pois é. Então é melhor você ir embora logo.Verônica ficou
Alberto e Giovana haviam voltado para seu país de origem. Diziam que Giovana agora era a primeira bailarina de uma companhia de canto e dança.— Giovana? — Perguntou Lorena.Ao ouvir aquele nome, Verônica não esboçou reação alguma, como se nunca tivesse ouvido falar daquela pessoa.Lorena então perguntou:— Alberto?Uma mudança quase imperceptível passou pelo rosto de Verônica.Lorena entendeu na mesma hora. O homem que Verônica considerava o verdadeiro criador de O Canto dos Cervos era Alberto.— Verônica, se você está tão insatisfeita com a nossa companhia de dança, talvez seja melhor encerrarmos essa parceria. Podemos rescindir o contrato. — Disse Lorena. — Mas, se você difamar a companhia de dança e acusar injustamente a minha criação, vou me reservar o direito de processá-la.Verônica, porém, sorriu.— Pode tentar me processar. Vamos ver se consegue ganhar. Eu não entro numa briga dessas sem estar preparada, Lorena.Ela pronunciou o nome de Lorena devagar, dando ênfase a cada síla
Em O Canto dos Cervos, uma coreografia que já estava consolidada, Verônica insistia em modificar os movimentos.No início, Lorena levou as sugestões dela a sério. Afinal, também queria continuar aprimorando o espetáculo.Mas, com o tempo, Lorena percebeu que Verônica não estava realmente tentando contribuir. Ela só queria encontrar defeitos.Lorena podia passar um dia inteiro, uma noite inteira ou até mais tempo refletindo sobre uma sugestão de Verônica. No entanto, a garota chegava a apresentar cinco ou seis sugestões no mesmo dia. Antes que Lorena tivesse tempo de avaliar a primeira, já surgiam outras, uma atrás da outra, sem lhe dar um minuto de sossego.Então Lorena entendeu o que estava por trás daquela atitude.Depois disso, pouco a pouco, alguns dançarinos começaram a procurá-la para reclamar do comportamento de Verônica na companhia de dança.Contavam, por exemplo, que ela vivia ridicularizando os colegas que dançavam pior do que ela. Também diziam que, durante os ensaios, esba
— Mana, meu irmão está bem agora. Ele começou a trabalhar na empresa da família e anda ocupado todos os dias. Meus pais também estão apresentando algumas mulheres para ele conhecer. — Disse Letícia.Ao ouvir aquilo, Lorena sentiu um grande alívio.Ela desejava, de coração, que Alberto ficasse bem.— Mana, você não precisa se sentir culpada. — Continuou Letícia. — Meus pais vão cuidar bem do meu irmão. Na verdade, meu pai nunca gostou muito que ele se dedicasse à dança. Agora que ele voltou para casa, as coisas acabaram ficando do jeito que meu pai queria.Assim que terminou de falar, Letícia pareceu perceber que havia se expressado mal. Ergueu as mãos às pressas, tentando se explicar.— Mana, não é que eu ache que dançar seja ruim...Lorena sorriu.— Eu entendo, Letícia.E entendia mesmo.Lorena até conseguia compreender que talvez o pai de Alberto nunca tivesse desejado que ela se tornasse sua nora. Afinal, considerando a posição social da família, era natural que ele esperasse que Al
No fim, Lorena procurou uma moldura, emoldurou o desenho e o colocou sobre a mesa.Ela ficou olhando para si mesma no desenho. Usava roupa de treino de dança, tinha os cabelos presos em um coque alto, e Theo havia conseguido captar até o brilho em seu olhar.Lorena fotografou o desenho e enviou a foto para Priscila, que estava em Huambo, pedindo que ela adivinhasse quem eram as pessoas retratadas ali.Do outro lado, Priscila começou a gritar de empolgação.Lorena já imaginava que aquela seria a reação dela. Abafando o riso, acomodou-se na espreguiçadeira junto à janela panorâmica e continuou conversando com a amiga.Na carta, Isaac dizia que havia escrito depois da chuva forte. Mas, naquele momento, o céu de Londres estava limpo e o sol brilhava. A luz entrava pela janela panorâmica e banhava o ambiente, trazendo uma sensação de conforto que lembrava o efeito curativo que Isaac atribuía à presença de Theo.[Lorena, naquela época a nossa felicidade era tão simples.]Priscila enviou essa
Depois daquele dia, Lorena voltou para os livros. Ela recomeçou a estudar. Na época, ela não tinha grandes planos. Ela só queria colocar algum tipo de apoio secreto naquela vida pálida que ela levava. Se ela tivesse coisas para fazer, ela não ia ficar o tempo todo lembrando daquela frase e se machu
Aurora, sempre atenta ao clima, entrou na conversa na hora certa:— Isaac, você não fica chateado só porque o pessoal falou mal da Lorena. Eles realmente estão pensando no seu bem. Pensa só: a nossa amizade já dura tantos anos… mesmo que alguma coisa que eles falaram tenha passado do ponto, você ouv
Mas a atuação exagerada de Breno fazia todo mundo dentro da sala cair na gargalhada. Aurora, sentada ao lado de Isaac, ria tanto que ela se jogava no ombro dele.E Isaac continuava sem dizer uma palavra.Breno virou-se ainda rindo:— Isaac, é assim que ela…Antes que ele terminasse a frase, ele viu
Isaac tinha voltado a beber. Ele tinha quebrado a própria regra. Pelo tom da voz, Lorena percebeu que ele estava até um pouco bêbado. Mas será que Isaac realmente seria capaz de gritar daquele jeito em público?Na lembrança de Lorena, Isaac, no ensino médio, tinha sido o típico gênio frio: o melhor







