เข้าสู่ระบบDante.
Ele invade a sala como uma tempestade.
Os olhos escuros percorrem tudo rapidamente: o médico, a enfermeira, a seringa apontada para o meu braço.
— Tira essa porra do braço dela. Agora — Dante ordena, baixo. — Ou eu mesmo arranco.
A enfermeira olha apavorada para o médico, completamente perdida. — Isso é um procedimento legal, o senhor não pode… — o médico tenta argumentar, mas a voz morre quando Dante vira o rosto lentamente em sua direção. — Se continuar insistindo, eu fecho essa clínica antes do almoço. Quer testar? O médico empalidece imediatamente. A enfermeira remove o acesso do meu braço com as mãos trêmulas, evitando olhar para qualquer um de nós. Dante dá mais um passo e sinto o calor do corpo dele antes mesmo que ele pare ao meu lado, me encarando de cima com aqueles olhos avelã escurecidos. — Levanta e se veste. Você não vai matar meu filho. A firmeza na voz dele faz meu corpo obedecer antes mesmo que minha cabeça consiga pensar. Desço da maca com as pernas fracas, entro no banheiro e me visto o mais rápido possível. Quando saio, Dante já está me esperando perto da porta. Pego minha bolsa com as mãos trêmulas e sigo atrás dele sem olhar para trás. Ao chegar no estacionamento, ele finalmente me olha. — Da próxima vez que pensar em tirar algo meu do seu corpo, vai me olhar nos olhos primeiro. Dante destrava o carro, entra, e o silêncio continua pesado mesmo depois que ele começa a dirigir. — Por que você decidiu fazer um aborto? — pergunta, rouco, mantendo os olhos na estrada. — Eu não tinha outra opção. Suspiro, encarando os dedos apertados sobre minhas pernas. Por um momento, fico em silêncio, mas basta um olhar mais firme dele para que eu comece a contar tudo. Desde a humilhação naquela noite até o caos das últimas horas. — Então, não. Eu não queria me livrar dele — sussurro, quando termino. — Só não sabia mais o que fazer. Não tinha outra escolha. Dante freia no sinal vermelho com força suficiente para me fazer segurar no cinto. Então vira o rosto para mim. — Agora tem. E a escolha é simples: nunca mais tome uma decisão sobre o que é meu sem falar comigo primeiro. — Eu não sou sua propriedade, Dante. Você nem me conhece. — Sei o suficiente — diz, e o canto de sua boca sobe num sorriso perigoso. — Sei o gosto que você tem. O sinal abre e Dante volta a dirigir como se conversasse sobre o tempo. E eu permaneço em silêncio, com o coração batendo rápido demais dentro do peito. Alguns minutos depois, Dante finalmente para o carro em frente a um prédio enorme de vidro escuro no centro da cidade. Subimos até o último andar sem trocar uma palavra. Mas, assim que as portas do elevador se abrem… o destino resolve piorar tudo para mim. Meu sangue gela ao reconhecer o homem vindo pelo corredor enquanto mexe no celular. Dylan. Quando vê Dante, ele sorri distraidamente. — Tio, voltou rápido. Sua secretária disse que… Ele para de falar no instante em que me vê parada atrás de Dante. — Amy? O que você está fazendo aqui com o meu tio?Por alguns segundos, não consigo fazer nada além de olhar para ele. Meu irmão abre os braços, e isso é tudo de que preciso para começar a chorar de verdade. — Caleb… Ele vem até mim com cuidado, mantendo os olhos fixos no pequeno embrulhinho azul que seguro contra o peito. Quando para na minha frente, passa os dedos pela bochecha do sobrinho e solta uma risada emocionada. — Caramba, Amy. Ele é tão pequeno. — Os dois são. — Eu sei. Mas acho que ainda não estou preparado para isso. — Para quê? — Para ser tio desses dois. Vou estragar completamente essas crianças. Rio entre as lágrimas, e ele limpa o rosto depressa, tentando disfarçar as próprias lágrimas. — Esse é o que… tem o… — O seu nome? É. Meu irmão solta uma risada molhada e me puxa para um abraço, tomando cuidado para não apertar o bebê entre nós. Quando nos afastamos, ele volta a olhar para o sobrinho. — Posso pegar? — Claro. Senta. Ele obedece e praticamente corre para o sofá, se sentando ao lado de Teresa. Me
Um mês depois… Ainda parece mentira pensar que hoje, após seis semanas aqui dentro, meus filhos finalmente receberão alta. Seis semanas contando cada grama que ganharam e cada mamada que conseguiram terminar sem se cansar demais. E, claro, cada pequena melhora que nos aproximou deste momento. — Segura a cabeça dele, amor — digo, olhando para Dante, que está com Leonardo no colo. — Estou segurando — ele responde, se virando para conferir. — Então por que ele parece prestes a escorregar das suas mãos? — Porque a roupa é grande demais. Ele tem razão. O macacão branco, tamanho RN, engole Leonardo por inteiro: as mangas dobradas duas vezes, os pezinhos escondidos sob o tecido que sobra por todos os lados. — E ele já está com dois quilos e duzentos — murmuro, sem conseguir conter o sorriso. — Aliás, viu a cara da enfermeira quando leu o número? — Vi. Parecia ter ganhado na loteria. — E o Caleb, dois quilos exatos. — Dois quilos e opinião sobre tudo. Baixo os olhos
Ela está parada perto do balcão das enfermeiras, segurando um copo de café com as duas mãos, como se precisasse de algo em que se apoiar. Quando me olha, meus pés parecem travar no lugar. — Amy — diz, quase num sussurro. Dante endireita os ombros ao meu lado. Aperto a mão dele uma vez, num gesto breve, e ele entende. Solta meus dedos e dá um passo para trás, se afastando sem tirar os olhos de mim. — Posso falar com você? — ela pergunta, se aproximando devagar. — Só um minuto. Quero dizer não. Meu corpo todo quer dizer não. Mas alguma coisa me impede de responder. Talvez seja o jeito como ela segura o copo, com os dedos apertados contra o papelão. Ou talvez seja apenas porque, apesar de tudo, ela ainda é minha mãe. E odeio que isso continue significando alguma coisa. — Um minuto — respondo, por fim. Ela solta o ar e sorri de leve. — Obrigada. Desvio os olhos para Dante, parado a alguns metros de distância. Sua expressão deixa claro que basta um gesto meu para
Já faz vinte minutos que tento me despedir dos meninos, mas sempre invento alguma desculpa para ficar mais um pouquinho. Primeiro, inventei de ajeitar a mantinha do Leo. Depois, precisei conferir se Caleb estava confortável. Em seguida, decidi que os dois mereciam mais um beijo, porque, aparentemente, os que dei há menos de dois minutos já não eram suficientes. Agora, não vejo mais nenhuma desculpa para ficar aqui um pouco mais, porque os dois já voltaram para as incubadoras e dormem tranquilamente. Leonardo está com a mãozinha fechada debaixo do rosto. Caleb, com a boquinha entreaberta e a barriguinha subindo e descendo em respirações curtas. Os fios e aparelhos já não fazem mais parte da rotina deles. Agora, eles precisam ficar aqui até ganharem peso suficiente para ir para casa, mas saber que estão bem não torna a espera mais fácil de suportar. — Eles estão bem, Piccola — Dante diz atrás de mim, em voz baixa. — Eu sei. — Então por que está há dez minutos olhando para eles
Uma semana depois… Existem coisas que a gente imagina tantas vezes que acaba acreditando que sabe exatamente como será quando finalmente acontecerem. Amamentar meus filhos é uma delas. Durante a gravidez, imaginei como seria segurá-los junto ao peito, sentir suas mãozinhas na minha pele e vê-los adormecer depois de se alimentarem. Na minha cabeça, tudo parecia tão natural que nunca me ocorreu ter medo desse momento. Até agora. Respiro fundo, olho para Dante, que está com Caleb no colo, e sorrio. Há alguns dias, começamos o método canguru, e ainda não encontrei palavras suficientes para explicar o que senti quando pude segurar meus filhos pela primeira vez. Tão pequenininhos, tão leves, que fiquei com medo até de respirar fundo demais. Meu marido, por outro lado, quase entrou em colapso. Foi engraçado ver o homem que consegue fazer uma sala inteira ficar em silêncio com apenas um olhar ficar completamente perdido diante de dois bebês. — Amor, apoia a cabeça dele — sussurro.
“Amy Ferretti” O relógio do celular marca 3h47 quando desisto de permanecer deitada na cama. Afasto a coberta com um movimento brusco e me sento, apoiando os pés no chão frio. Pego o celular e saio do quarto. Quando chego ao corredor, percebo que a casa inteira está em silêncio. Isabella e nonna dormem no quarto de hóspedes, alheias ao fato de Dante ter ido ao endereço que Dylan mandou. Me sento no sofá, desbloqueio o celular e releio a última mensagem de Dante. “Estamos a caminho, Piccola. Não estou sozinho.” A mensagem foi enviada às 20h31. Já se passaram mais de sete horas. — Droga, Dante — murmuro, respirando fundo. Ligo para ele pela terceira vez. Levo o aparelho ao ouvido e espero, pressionando os dedos da mão livre contra a coxa. Um toque. Dois. Três. A ligação cai na caixa postal. Abaixo o celular devagar e encaro a janela, tentando me convencer de que, se tivesse acontecido alguma coisa, eu já teria ficado sabendo. Notícias ruins chegam rápido. Sempre chegam. E é







