เข้าสู่ระบบO apartamento dos Jardins estava impregnado com o cheiro de comida italiana. Louise abriu a porta, sentindo o peso de mil toneladas sobre os ombros. A conversa com a Dra. Regina, a pressão alta, a exaustão da gravidez, a mentira constante... tudo a consumia. O único pensamento que a mantinha de pé era a certeza de que Mariana estava lá dentro, esperando por ela com um chá quente e um abraço. Mas, em vez de encontrar a mãe na sala, Louise encontrou o Caio. Ele estava no centro da sala, usando uma camisa social com as mangas dobradas, um sorriso tão largo que parecia doloroso, e as mãos escondidas nas costas. — Amor! Que bom que você chegou — ele disse, a voz cantada, transbordando de uma empolgação que contrastava violentamente com a fadiga dela. — Senta aqui. Tem uma coisa que eu preciso te mostrar. Mariana estava sentada na poltrona perto da janela, uma xícara de chá nas mãos. Ela ergueu os olhos quando Louise entrou, e a troca de olhares entre mãe e filha foi rápida, mas carrega
A segunda visita de Melissa ao Brasil foi o gatilho. Louise sabia que não poderia mais esconder a gravidez do Caio. Explicar a presença de uma obstetra inglesa em São Paulo todos os meses seria impossível. Então, na segunda-feira seguinte, ela contou. Caio ficou eufórico. Ele a levantou do chão, girando-a pela sala, os olhos brilhando de uma alegria que Louise não conseguiu corresponder. Ele falou em casamento, em uma casa maior, em um quarto de bebê decorado com temas náuticos. Ele já estava pesquisando escolas e creches. Louise deixou. Não tinha forças para questionar, para discordar, para dizer que seus planos eram outros. No fundo, ela já havia decidido que não ficaria no Brasil. O bebê nasceria na Escócia, perto da família, da mãe, de um futuro que ela ainda não sabia qual era. Mas nunca era o momento certo para conversar. Ela estava emotiva, chorona, e a menor discussão a deixava exausta. Ela se pegou ligando para a mãe todos os dias, às vezes várias vezes ao dia. As conver
Duas semanas. Louise estava de volta ao Brasil há duas semanas, e a vida, como ela conhecia, havia se transformado em uma coreografia cuidadosa de rotina e disfarces. Ela se cuidava ao máximo: alimentação saudável, hidratação, caminhadas leves no parque pela manhã, vitaminas que a Dra. Regina havia receitado sem fazer perguntas. Ela não contou a ninguém sobre a gravidez. Nem a Camila, sua confidente mais próxima no hospital. Nem a Thiago, que estava viajando a trabalho. E, definitivamente, não a Caio. A decisão de não contar a ele a consumia. Ela sabia que os pais não aprovavam o relacionamento, que Mariana, especialmente, mal conseguia esconder a desconfiança. Mas Louise estava determinada a seguir com a própria vida. Caio havia mudado. Ele estava se esforçando. E ela precisava acreditar nisso, precisava de algo para se agarrar. Ele a levou para conhecer seu escritório de advocacia na Avenida Paulista. O prédio era imponente, a recepção elegante, e o escritório de Caio, com vista
Três dias após a festa de aniversário, o quarto de Louise na mansão Durdday cheirava a saudade e a partida. A mala aberta sobre a cama era um lembrete silencioso de que aquele interlúdio escocês estava chegando ao fim. Louise dobrava as roupas com movimentos lentos, quase mecânicos, a mente vagando por caminhos que ela não queria explorar. Ela havia passado os últimos dias em um torpor. Dormia muito, comia pouco, e evitava a todos. Caio, especialmente. Ela havia inventado desculpas, dito que estava com uma virose, que precisava de repouso. Ele, sempre solicito, aceitou. Mas ela via a desconfiança nos olhos dele. Ele sabia que algo estava errado. A porta do quarto se abriu, e Mariana entrou, carregando uma xícara de chá de gengibre. Ela a colocou na mesa de cabeceira e se sentou na beira da cama, observando a filha. — Você está realmente decidida a ir? — Mariana perguntou, a voz suave. Louise parou de dobrar uma blusa, os olhos fixos no tecido. — Preciso terminar a residência, mã
A festa havia se dissipado como fumaça. Os convidados se despediram, os funcionários limparam os últimos vestígios da celebração, e a mansão Durdday voltou ao seu silêncio habitual. Mas, no quarto de Mariana, o silêncio era diferente. Era carregado, denso, cheio de palavras não ditas e de um futuro que acabara de se abrir diante delas. Louise havia adormecido, exausta, os olhos ainda inchados de chorar. Mariana a cobriu com um edredom leve e beijou sua testa, sentindo o coração apertar. Sua filha. Grávida. Sozinha. E o pai... o pai era o Caio. Mariana sentiu uma onda de raiva. Aquele homem. Aquele golpista, que havia usado sua filha, que a havia feito sofrer, e agora... agora seria pai do seu neto. Ela respirou fundo, forçando a calma. Não era o momento para raiva. Era o momento para a família. Ela desceu as escadas, os passos pesados no mármore, e caminhou até a cozinha. Melissa estava lá, sentada no banco alto da ilha central, uma xícara de chá fumegante entre as mãos. O bolo de
O dia do aniversário de Mariana amanheceu com um sol pálido, mas teimoso, que se infiltrava pelas cortinas pesadas da mansão Durdday. A casa, que nos dias anteriores fervilhava com os preparativos, agora respirava uma calma expectante. A festa seria intimista, como Mariana havia pedido: apenas a família, alguns amigos próximos e uma mesa posta no jardim, o lugar que ela amava. Louise acordou com um peso no corpo. Nos últimos dias, uma fadiga inexplicável a consumia, como se estivesse carregando o mundo nas costas. Ela atribuiu ao estresse da viagem, à tensão de ver Felipe e Mai, ao constante mal-estar de estar perto de Caio e longe de Gabriel. Mas, naquela manhã, algo era diferente. Ela se sentou na cama, e o quarto girou. Uma onda de náusea subiu da garganta, forte e inegável. Ela correu para o banheiro, caindo de joelhos diante do vaso, e vomitou. O som ecoou no silêncio do quarto, e ela ficou ali, trêmula, a testa apoiada na porcelana fria. O que está acontecendo comigo? pe







