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Entre a Vida e a Morte, Ele Consolava Sua Primeira Paixão

Entre a Vida e a Morte, Ele Consolava Sua Primeira Paixão

By:  SoninhoCompleted
Language: Portuguese
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A ex-namorada claustrofóbica de Mateus Souza bloqueou meu carro à beira do penhasco, na Estrada Alto da Serra. A cento e sessenta quilômetros por hora, bateu no meu carro doze vezes. Quando Mateus chegou, acompanhando a viatura da polícia, os bombeiros estavam me retirando à força do banco do motorista, já completamente deformado. Ele, porém, foi direto ao carro esportivo de edição limitada, que tinha apenas alguns arranhões na pintura, e abraçou Beatriz Martins, que tremia dos pés à cabeça. — Sr. Mateus, a Srta. Sabrina está com um ferimento na testa e sangrando. Precisamos levá-la imediatamente ao hospital para sutura. Mateus ergueu a mão, impedindo a passagem da maca de que me carregava, lançou um olhar rápido para minha testa ensanguentada e para os hematomas no meu braço: — É apenas um ferimento leve. Beatriz sofre de claustrofobia; aqui, neste lugar isolado, a situação dela é mais urgente. Levem-na primeiro ao hospital. No momento em que fui abandonada, reuni minhas últimas forças e me agarrei, em desespero, à barra da calça dele. Com o cenho franzido, ele abriu meus dedos um a um: — Beatriz não fez por mal, foi apenas uma crise. Você é advogada, deve entender o que é força maior. Pare de criar problemas. — Em seguida, pegou um acordo de conciliação das mãos do assistente, segurou meu pulso já sem forças e pressionou minha digital no papel. — Há mais veículos de resgate a caminho. Aguente mais um pouco.

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Chapter 1

Capítulo 1

Desde pequena, nunca fui alguém importante para minha família.

Se me machucava, tinha que suportar; se adoecia, tinha que suportar; bastava dormir e tudo passaria.

Mas, quando abri os olhos novamente, percebi que estava flutuando no ar.

Meu corpo jazia ao lado de um carro já destruído, e minha assistente, Amanda, com o rosto tomado pelo pânico, pressionava um lenço contra o ferimento na minha testa, tentando conter o sangue.

Com os olhos vermelhos, Amanda me chamava em voz baixa:

— Sabrina, acorde... Aguente só mais um pouco, não durma.

Quis enxugar as lágrimas do rosto dela, mas meus dedos simplesmente atravessaram...

Ao ver aquele corpo pálido no chão, já sem respirar,

compreendi de repente: eu estava morta.

Lancei um olhar de desculpa para Amanda. Ela tinha acabado de se formar, e agora era obrigada a encarar a morte de frente, ainda por cima, ao lado do meu cadáver.

Seus dedos tremiam de medo.

A cento e sessenta quilômetros por hora, Beatriz bateu no meu carro doze vezes.

Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso saberia que alguém ferido num acidente assim corre um risco enorme.

Mas, para Mateus, só existia Beatriz.

Com medo de que eu pudesse causar problemas para ela depois, ele não queria que Beatriz sofresse nem o menor arranhão. Por isso, ignorou completamente os meus ferimentos e me obrigou a deixar minha digital.

Eu já deveria ter entendido.

Para Mateus, ninguém se comparava a Beatriz, nem mesmo a vida de outra pessoa.

Ouvi ao longe o som de sirenes.

Amanda também ouviu e chorou de alívio:

— Sabrina, a ambulância chegou, a ambulância chegou...

As luzes da ambulância cortaram a névoa e pararam a certa distância. Médicos e enfermeiros se aproximaram às pressas, com expressões tensas.

Amanda, com o rosto encharcado de lágrimas, ficou obedientemente ao lado.

Observou enquanto meu corpo era colocado na ambulância, depois fez o sinal da cruz com as duas mãos, murmurando:

— Deus, Virgem Maria, salvem ela... — E, em pensamento, repetiu sua súplica. — Por favor, protejam a Sabrina, tirem ela de perigo... Eu daria qualquer coisa...

Ao ouvir os gritos do médico, as lágrimas de Amanda voltaram a cair.

Seu olhar então se voltou para a bolsa que eu havia deixado no banco do passageiro.

— Ué, o que é isso...

Dentro da ambulância, os enfermeiros tentavam me reanimar, mas não conseguiam impedir que meu coração parasse aos poucos.

Com os olhos marejados, a enfermeira não parava de falar comigo:

— Aguente mais um pouco, o hospital já está perto.

O médico ligou para o hospital:

— A paciente está em estado crítico, precisamos operar imediatamente. Avisem o pronto-socorro, preparem tudo.

Antes mesmo de terminar, seu olhar se voltou para o trânsito do lado de fora.

O congestionamento o deixou irritado:

— Falem com a polícia de trânsito, precisamos liberar a via imediatamente.

Depois de desligar, a enfermeira falou, indignada:

— Mais à frente, o Sr. Mateus, da família Souza, está interditando a área. Disse que quer fazer uma surpresa para uma amiga, então montou um enorme campo de flores. A estrada está bloqueada. A polícia está negociando, mas, mesmo que desmontem tudo... Vai demorar.

— Isso é um absurdo! Um absurdo completo! Esta é uma via principal, como eles podem ocupar a estrada desse jeito? — O médico explodiu.

Os olhos da enfermeira ficaram ainda mais vermelhos:

— A paciente não vai resistir.

O silêncio tomou conta da ambulância.

Eu também me calei.

Talvez por causa do forte impacto que sofri na cabeça antes de morrer, sentia que havia perdido muitas lembranças.

Mas, ao ouvir a conversa entre o médico e a enfermeira, tudo começou a fazer sentido.

Hoje deveria ter sido o dia em que registraríamos nosso casamento. Mas Mateus faltou, por causa de Beatriz.

Não só isso: ele ainda preparou aquele mar de flores, só para fazê-la feliz.

Tomada pela raiva, decidi cancelar o noivado.

Mas Beatriz, com a desculpa de querer se explicar, me interceptou na Estrada Alto da Serra... E me atropelou até a morte.

O resto, por mais que eu tentasse, não conseguia lembrar.

Minha alma também não estava sob meu controle: flutuou para fora da ambulância, atravessou a multidão e foi parar ao lado de Mateus.
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