Eu Nunca Fui Sua Namorada

Eu Nunca Fui Sua Namorada

last updateปรับปรุงล่าสุด : 2026-10-30
โดย:  Maerley Oliveira อัปเดตเมื่อครู่นี้
ภาษา: Portuguese
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Sky Blake tinha dezessete anos quando descobriu que a mesma garota capaz de fazê-la se sentir a pessoa mais amada do mundo também podia destruí-la diante de uma escola inteira. Durante quase dois anos, Madson Smith foi seu primeiro amor, sua melhor amiga e a dona de todos os seus planos para o futuro. Até que um vídeo das duas se beijando caiu nas mãos erradas. Encurralada pelos colegas, Madson não apenas negou o relacionamento. Ela afirmou que Sky havia inventado tudo, que estava obcecada por ela e que jamais namoraria uma garota como aquela. Humilhada e com o coração em pedaços, Sky prometeu nunca mais permitir que alguém tivesse tanto poder sobre ela. Dois anos depois, a vida decide testar essa promessa. Agora com vinte anos, Sky está na faculdade, tem novos amigos, uma rotina tranquila e nenhum interesse em revisitar o passado. Mas tudo desmorona quando descobre que sua nova colega de dormitório é ninguém menos que Madson Smith. A mesma garota que a beijava escondida nos corredores. A mesma que negou amá-la diante de todos. E, para piorar, a mesma que continua absurdamente bonita. Obrigadas a dividir um quarto, uma rotina e noites longas demais, as duas mergulham em uma guerra de provocações, ciúmes, lembranças inconvenientes e uma atração que parece ter ignorado completamente os últimos dois anos. Madson quer uma segunda chance. Sky quer vê-la bem longe. Mas entre festas universitárias, encontros desastrosos, discussões acaloradas e a intimidade perigosa de duas pessoas que conhecem cada detalhe uma da outra, Sky começa a perceber que odiar Madson seria muito mais fácil se seu coração não insistisse em lembrar como era amá-la. Porque o problema de dividir o quarto com sua primeira paixão não é descobrir que ela mudou. É descobrir que talvez você ainda queira beijá-la.

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บทที่ 1

Capítulo 1 — A pior colega de quarto do mundo

 

POV — Sky Blake

Se alguém me perguntasse qual seria a pior coisa que poderia acontecer no primeiro dia do semestre, eu provavelmente responderia que perder minha bolsa de estudos, descobrir uma infestação de baratas no dormitório ou encontrar meu ex-professor de matemática dando aulas na universidade.

Eu estava errada. Muito errada. Porque nenhuma dessas tragédias se comparava ao que encontrei quando abri a porta do quarto 312.

Madson Smith. Em pé. Ao lado da cama vazia. Com uma mala cor-de-vinho, uma camiseta preta e o mesmo rosto que eu havia passado dois anos tentando esquecer.

Pisquei. Uma vez. Duas. Ela também pareceu surpresa.

— Sky?

Ah, não. De jeito nenhum. Dei um passo para trás e conferi o número na porta. 312. Era o meu quarto. Infelizmente.

— Não — respondi.

Madson abriu a boca.

— Eu...

— Não.

— Sky, espera...

— Você conhece alguma palavra além do meu nome?

Ela fechou a boca. Ótimo. Um progresso considerável para alguém que, no ensino médio, parecia incapaz de ficar calada por mais de cinco minutos.

Fazia dois anos que eu não ouvia aquela voz pessoalmente. Dois anos desde a última vez que a vi. E, aparentemente, meu corpo era um completo traidor, porque reconheceu Madson antes mesmo que meu cérebro terminasse de processar a desgraça.

Os cabelos castanhos estavam mais curtos, chegando pouco abaixo dos ombros. Ela continuava usando aqueles malditos anéis prateados e tinha um piercing minúsculo no nariz que não existia antes. Ficou bonita. Mais bonita. Filha da mãe.

— O que você está fazendo aqui? — perguntei.

— Fui transferida.

— Para o meu quarto?

— Para a universidade.

— Que pena. Ouvi dizer que o Alasca tem excelentes instituições de ensino.

O canto de sua boca se contraiu. Ela quase sorriu. Quase. E eu quase joguei minha mala na cabeça dela.

— Eu não sabia que você estudava aqui — explicou.

— E eu não sabia que o inferno oferecia alojamento estudantil.

Madson passou a mão pelos cabelos. Era um gesto antigo. Familiar demais. Costumava fazê-lo quando estava nervosa, principalmente antes de nossas provas ou quando precisava conversar com o pai sobre alguma coisa. O fato de eu ainda me lembrar disso me deixou furiosa.

— Podemos conversar? — perguntou.

Soltei uma risada.

— Sobre o quê? O aquecimento global? A economia americana? Porque, se for sobre nós duas, prefiro arrancar minhas unhas com um alicate.

Ela baixou os olhos.

— Tudo bem.

Aquela resposta me irritou. Eu esperava uma discussão. Uma provocação. Qualquer coisa que justificasse o impulso de gritar com ela. Mas Madson apenas ficou parada. Como se eu tivesse todo o direito de odiá-la. E tinha. Deus sabia que tinha.

Entrei no quarto, arrastando minha mala até a cama próxima à janela. Minha antiga colega, Olivia, havia se mudado para um apartamento com o namorado durante as férias. Desde então, eu vinha aproveitando a deliciosa perspectiva de ter um quarto inteiro para mim. Obviamente, a administração da universidade tinha outros planos. Planos diabólicos.

— Vou pedir sua transferência — anunciei, pegando o celular.

— Eu já tentei.

Parei.

— Como?

— Quando vi seu nome na porta, procurei a administração. Disseram que todos os dormitórios estão ocupados. Só podem analisar outra acomodação daqui a seis semanas.

Seis semanas. Quarenta e dois dias. Eu precisava dividir o quarto com minha ex-namorada durante quarenta e dois malditos dias.

— Então você pode dormir no corredor.

Madson olhou para mim.

— Sky...

— Tem um sofá na sala de convivência. Bastante confortável, inclusive.

— Eu não posso dormir num sofá por seis semanas.

— Engraçado. Você parecia bastante confortável me deixando sozinha quando as coisas ficaram difíceis.

A expressão dela mudou. Foi rápido, mas eu percebi. Madson desviou os olhos, apertando a alça da própria mala. Acertei onde doía. Uma parte horrível de mim ficou satisfeita. Outra parte quis desaparecer. Porque, por mais que eu odiasse admitir, ver Madson daquele jeito ainda mexia comigo. E eu odiava isso também. Principalmente isso.

Eu tinha dezessete anos quando me apaixonei pela garota errada. Na verdade, tinha quinze quando Madson Smith me beijou pela primeira vez, escondida atrás do ginásio da escola. Ela estava com gosto de chiclete de morango e tinha as mãos geladas. Lembro porque reclamei. E ela respondeu que podia encontrar uma maneira de me aquecer. Madson sempre foi insuportável. Principalmente quando estava flertando.

Durante quase dois anos, fomos inseparáveis. Ela roubava meus moletons, dormia durante os filmes que escolhia e me mandava mensagens idiotas de madrugada apenas para perguntar se eu ainda a amava. Eu dizia que não. Ela respondia que era uma pena, porque já havia escolhido os nomes dos nossos filhos. Dois cachorros e um gato. O gato se chamaria Divórcio. Nunca entendi a graça. Até hoje, aquela era uma das lembranças que mais doíam.

Porque não tínhamos terminado por falta de amor. Terminamos porque alguém divulgou um vídeo nosso nos beijando. E Madson, apavorada com a possibilidade de todos descobrirem, decidiu me transformar na piada da escola.

Eu nunca namorei a Sky. Ela entendeu tudo errado. Vocês sabem como ela é. Está obcecada por mim.

Lembro das risadas. Dos celulares apontados. De tentar encontrá-la no meio daquela gente e esperar que dissesse alguma coisa. Que corrigisse a mentira. Que me defendesse. Mas Madson não fez nada.

Uma semana depois, desapareceu da cidade. Sem despedida. Sem explicação. Sem sequer devolver meu moletom favorito. Foi assim que descobri que algumas pessoas conseguem partir seu coração e ainda sair levando suas roupas.

— Precisamos estabelecer regras.

Madson ergueu os olhos da gaveta que organizava.

— Certo.

Cruzei os braços.

— Primeira: não mexa nas minhas coisas.

— Tudo bem.

— Segunda: não pegue minhas roupas.

Ela olhou para a própria camiseta.

— Não estava planejando.

— Excelente. Porque tenho experiências péssimas com ladras de moletons.

Madson ficou em silêncio.

— Terceira: nada de trazer garotas para dormir aqui sem me avisar.

Dessa vez, ela me encarou.

— Garotas?

— Ou garotos. Ou extraterrestres. Não me interessa o que você anda fazendo da vida.

— Não estou saindo com ninguém.

Meu estômago deu uma cambalhota. Traidor.

— Não perguntei.

— Eu sei.

— Então não responda coisas que ninguém perguntou.

Ela assentiu. Respirei fundo.

— Quarta: não fale sobre o passado.

O silêncio ficou pesado. Madson encostou a mão na escrivaninha.

— Sky, sobre aquilo...

— Quinta — interrompi, elevando a voz —: não tente ser minha amiga.

Ela fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, havia alguma coisa diferente em sua expressão.

— Eu não vou te obrigar a conversar comigo.

A resposta deveria ter me tranquilizado. Não tranquilizou. Porque Madson não parecia mais a garota arrogante que eu conhecia. E, sinceramente, eu preferia que parecesse. Era muito mais fácil odiar alguém quando essa pessoa continuava sendo uma idiota.

Meu celular vibrou. Uma mensagem de Harper, minha melhor amiga da faculdade.

Harper: Já chegou? Vamos tomar café depois?

Olhei para Madson. Depois para a tela.

Eu: Preciso que você me ajude a esconder um corpo.

A resposta veio quase imediatamente.

Harper: É o professor de tipografia? Porque eu apoio.

Eu: Pior.

Harper: O QUÊ?

Digitei o nome. Madson Smith. Três pontinhos apareceram. Desapareceram. Voltaram. Então meu celular começou a tocar. Recusei a ligação.

Harper: SKY BLAKE, ATENDA ESSE TELEFONE AGORA.

Suspirei. Aquilo seria um semestre muito longo. Do outro lado do quarto, Madson tentava abrir a janela emperrada.

— Você ainda gosta de dormir com ela aberta? — perguntou distraidamente.

Meu corpo enrijeceu. Ela percebeu o erro imediatamente.

— Desculpa.

Aquela palavra. De novo.

— Para de fazer isso.

Madson se virou.

— Isso o quê?

— Fingir que ainda me conhece.

Ela soltou a trava da janela.

— Eu não estava fingindo.

A resposta saiu baixa. Quase um sussurro. E, pela primeira vez desde que entrei naquele quarto, não encontrei uma resposta sarcástica. Odiei cada segundo daquele silêncio. Até perceber uma coisa.

Madson havia arregaçado as mangas da camiseta. E havia uma tatuagem na parte interna de seu pulso esquerdo. Quatro estrelas pequenas. Ligadas por linhas delicadas. Meu coração pareceu parar. Eu conhecia aquele desenho. Conhecia porque havia sido eu quem

o criara.

Numa tarde chuvosa, dois anos antes, enquanto estávamos deitadas na arquibancada vazia da escola. Eu desenhara quatro estrelas no caderno de Madson e inventara uma constelação só nossa. Dissera que, enquanto aquelas estrelas existissem, sempre haveria um lugar no universo onde pertenceríamos uma à outra. Madson havia beijado meus dedos. E prometido nunca esquecer.

Agora carregava aquela promessa marcada na pele.

— O que é isso? — perguntei.

Ela acompanhou meu olhar. Puxou a manga imediatamente. Tarde demais.

— Madson.

Ela ergueu a cabeça.

— Quando você fez essa tatuagem?

Demorou a responder.

— Depois que fui embora.

Senti alguma coisa apertar minha garganta.

— Por quê?

Madson me olhou por alguns segundos. E, quando finalmente falou, sua voz estava diferente.

— Porque você me pediu para nunca esquecer.

Engoli em seco. Dois anos. Dois anos tentando esquecer aquela garota. E ela tinha acabado de entrar no meu quarto carregando nossa história inteira no próprio pulso. O pior era perceber que eu ainda lembrava de cada detalhe.

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