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Morri Para Você, Você Me Forçou a Voltar
Morri Para Você, Você Me Forçou a Voltar
Author: Nanda

Capítulo 1

Author: Nanda
Um silêncio pesado tomou conta do lugar no mesmo instante.

Natacha segurou o terço com um ar assustado, fazendo menção de tirá-lo do pulso enquanto se desculpava com a voz embargada:

— Me perdoa, Gabriel, eu não fazia ideia de que essa joia tinha um significado tão especial para vocês dois. Vou devolver para a Marta agora mesmo.

Ao lado dela, nosso filho, Ângelo Soares, fechou a cara e apontou o dedo para mim, gritando com toda a indignação infantil que cabia no peito:

— Mamãe, você sabia muito bem que isso era valioso e deu para a titia de propósito só para fazer ela passar vergonha! Você é muito malvada!

Gabriel manteve o olhar fixo em mim, deixando transparecer um cansaço profundo nas linhas do rosto tenso, e suspirou antes de questionar:

— Marta, até quando você vai continuar com essa birra? Eu trouxe você de volta para esta casa porque queria que a gente tivesse uma vida em paz de verdade.

Ao ouvir aquilo, pensei comigo mesma no quão absurda era toda aquela situação.

Antigamente, se eu demorasse um segundo para ceder a qualquer capricho da Natacha, eu sofria as piores retaliações. Agora que decidi ser obediente e abrir mão de tudo, como é que ele ainda não está satisfeito?

Sem dizer nada a princípio, virei-me para pegar o anel de diamante rosa que Gabriel havia acabado de me dar de presente e o estendi na direção de Natacha, mantendo o tom de voz neutro ao sugerir:

— O terço abençoado ainda é pouco para você? Então pode ficar com este anel também.

Gabriel empalideceu de raiva no mesmo segundo e, num impulso violento, ergueu o braço e jogou o bolo de aniversário no chão. O chantili respingou na barra do meu vestido enquanto a porcelana do prato se estilhaçava pelo piso da sala, e ele avançou um passo, exigindo saber aos gritos:

— Marta, você precisa mesmo agir com esse sarcasmo todo só para me atingir?

— Não estou fazendo nada disso. — Respondi, mantendo a postura impassível diante do descontrole dele.

Gabriel fechou os olhos por um breve momento, respirando fundo num esforço visível para conter a própria fúria, e tentou suavizar o tom ao se justificar:

— Sei que você ainda guarda rancor por eu ter colocado a Natacha na ambulância primeiro naquele dia. Mas ela estava com uma hemorragia grave e quase não resistiu. Durante todos esses anos, eu não parei de procurar um doador compatível para você justamente porque não quero que aquela tragédia se repita. Marta, para de guardar mágoa e vamos tentar viver bem juntos, pode ser?

Balancei a cabeça em uma concordância vaga, apenas para encerrar o assunto, mas meu gesto só serviu para irritar Ângelo, que se levantou da cadeira de um salto e esbravejou:

— O papai já pediu desculpas para você, por que você continua com essa cara de gelo? Não é à toa que ninguém nesta casa gosta de você, além da vovó!

Aquelas palavras me atingiram em cheio no peito, mas apenas soltei um riso seco e sem humor antes de rebater, olhando nos olhos dele:

— Que ótimo, porque tirando a sua avó, eu também não sinto o menor afeto por nenhum de vocês.

Gabriel paralisou por inteiro e me lançou um olhar gélido, carregado de ressentimento, antes de decretar com a voz dura:

— Muito bem, ótimo saber disso... Já que você não se importa com nada e despreza todo mundo aqui, a partir de hoje a Natacha dorme comigo no quarto principal, e você desce para o quarto de empregada.

Não me dei ao trabalho de discutir, apenas dei meia-volta com toda a calma do mundo e comecei a subir as escadas para buscar minhas coisas. Atrás de mim, ouvi Ângelo batendo palmas de tanta euforia enquanto comemorava em voz alta:

— Que demais! Finalmente a gente vai poder dormir juntinho todos os dias, eu, o papai e a titia!

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