Beranda / Lobisomem / O Alfa Me Rejeitou. Seu Lobo Me Escolheu / Capítulo 1 - Atrás da última porta

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O Alfa Me Rejeitou. Seu Lobo Me Escolheu
O Alfa Me Rejeitou. Seu Lobo Me Escolheu
Penulis: Daniela Marques

Capítulo 1 - Atrás da última porta

Penulis: Daniela Marques
last update Tanggal publikasi: 2026-10-09 04:38:54

A primeira coisa que Íris sentiu ao tocar o broche foi medo. Não o seu.

Uma mulher corria por um corredor estreito, segurando a joia contra o peito. Havia passos atrás dela e uma porta que não abria. A lembrança terminou antes que fosse possível distinguir o rosto de quem a perseguia.

Íris soltou o broche sobre o veludo.

— Conseguiu recuperar alguma coisa? — perguntou a criada.

Uma das pontas da pequena peça de prata havia sido consertada recentemente, mas a memória era antiga. Os objetos guardavam acontecimentos sem explicar por que os haviam conservado.

— Ainda não o suficiente para entregar um relatório.

A criada apertou os lábios.

— A senhora Celina quer usá-lo esta noite.

— Então diga a ela que o fecho está seguro. Vou precisar examiná-lo novamente amanhã.

Assim que a mulher saiu, Íris cobriu a joia com um pano. Aquela lembrança teria de esperar. Sobre a mesa, a convocação para a cerimônia trazia o selo do novo Alfa marcado em cera preta.

Todos deveriam comparecer.

A oficina lhe parecia uma opção muito mais agradável.

Ela era humana. Seu dom permitia que trabalhasse com as memórias da alcateia, mas não possuía uma consciência animal nem podia se transformar. Conhecia as regras dos lobisomens por viver entre eles, não por compartilhá-las no próprio corpo.

Desde a morte de Elisa, as reuniões haviam se tornado um exercício de paciência. Sempre surgia alguém disposto a mencionar sua irmã e, logo depois, recomendar que deixasse o passado descansar. Como se uma mulher encontrada morta perto da fronteira pudesse explicar o que lhe acontecera.

Depois de guardar a convocação, vestiu o único vestido adequado que possuía. Ao fechar os botões, seus dedos procuraram o pequeno pingente sob o tecido.

Elisa o havia comprado numa feira.

Nenhuma lembrança permanecera nele. As tentativas de recuperá-las tinham sido tantas que Íris já conhecia cada irregularidade do metal.

Antes de sair para a cerimônia, devolveu o broche à criada, que voltara para buscá-lo.

O salão da residência dos Voss estava cheio quando ela chegou. Reconheceu famílias para quem trabalhava, guardas da fronteira e representantes de outras alcateias. Sobre a mesa principal, taças intocadas refletiam a luz dos lustres.

Darian permanecia perto das janelas, conversando com um homem grisalho. Vestia preto, sem os adornos que seu pai costumava usar. A postura era firme, mas mantinha uma das mãos fechada junto ao corpo.

Íris conhecia seu rosto. Já o vira atravessar o pátio, receber mensageiros e acompanhar patrulhas. Nunca estivera tão perto.

Ao passar entre dois convidados, sentiu um calor repentino subir pelo peito.

Parou.

O cheiro de madeira molhada e resina chegou até ela, nítido demais para pertencer ao salão. Seus olhos encontraram Darian antes que entendesse o que estava acontecendo.

Ele interrompeu a conversa. A mão fechada se abriu.

Por alguns segundos, ninguém pareceu existir entre os dois.

Íris já ouvira descrições daquele reconhecimento. Sabia que um lobisomem podia reconhecer uma pessoa humana como companheira, embora fosse incomum. Nunca imaginara que isso aconteceria com ela.

Achava que eram exageros de quem desejava dar um sentido bonito ao próprio casamento. Agora precisava apoiar os dedos no encosto de uma cadeira para não caminhar até ele.

Darian veio primeiro.

Os convidados se afastaram à sua passagem. Quando parou diante dela, Íris percebeu a pequena cicatriz perto de sua sobrancelha e a respiração contida.

— Qual é o seu nome?

A pergunta a surpreendeu mais do que deveria.

— Íris.

Ele olhou para o pingente que aparecia junto ao decote.

— Você é a restauradora dos arquivos.

Ela assentiu.

A expressão dele mudou. O reconhecimento continuava ali, mas alguma coisa o fez recuar meio passo.

— Venha comigo — disse Darian.

Antes que ela respondesse, uma mulher se aproximou.

Celina usava o broche de prata.

— Estão esperando por você — avisou, tocando o braço dele.

Darian não desviou os olhos de Íris.

— Preciso resolver uma coisa.

Celina acompanhou seu olhar. A mão permaneceu no braço dele, embora o sorriso desaparecesse.

Só então Íris compreendeu por que os representantes de outra alcateia ocupavam os melhores lugares, por que as flores traziam duas cores e por que Celina usava uma joia dos Voss.

Aquela cerimônia incluía uma aliança.

— Ela? — perguntou Celina, quase sem voz.

Darian soltou o braço.

— Espere perto da mesa.

Celina hesitou, mas obedeceu.

O silêncio começou a se espalhar pelo salão. Sob a atenção dos convidados, Íris sentiu o rosto aquecer.

— Podemos conversar em outro lugar — sugeriu.

Darian observou as portas, depois o homem grisalho junto à janela. Ele fez um movimento discreto com a cabeça.

— Não — respondeu o Alfa. — Precisam ouvir.

O calor no peito dela se tornou desconfortável.

— Ouvir o quê?

Ele demorou a responder.

Aquela demora lhe deu esperança. Talvez fosse anunciar o reconhecimento. Talvez precisasse explicar a Celina que nenhum acordo poderia prever a escolha de uma companheira destinada.

Então Darian endireitou os ombros.

— A alcateia depende da aliança que será formalizada esta noite.

Íris retirou a mão da cadeira.

— Eu não pedi que você rompesse acordo nenhum.

— Existem consequências que você desconhece.

— Então me explique.

Algo se moveu sob a pele do pescoço dele. Darian fechou os olhos por um instante. Quando voltou a abri-los, havia um reflexo dourado em suas íris.

— Não posso aceitar esse vínculo.

Ao redor deles, alguém puxou o ar.

Ela ouviu a frase, mas seu corpo continuou inclinado na direção dele, esperando uma proximidade que sua cabeça já compreendia que não viria.

— Você acabou de perguntar meu nome.

Darian engoliu em seco.

— Íris…

— É tudo o que sabe sobre mim.

Ele baixou os olhos. Por um momento, ela pensou que tivesse conseguido detê-lo.

— Eu, Darian Voss, rejeito você como minha companheira.

A dor a dobrou antes que pudesse responder.

Ao se agarrar ao encosto da cadeira, Íris derrubou uma taça. O vidro se partiu perto de seus pés. Tentou respirar, mas o peito parecia incapaz de se expandir.

Ninguém se aproximou.

Ergueu a cabeça, procurando Darian entre as manchas que escureciam sua visão. Ele também havia perdido a cor.

Uma voz grave atravessou o salão.

— Não.

A boca de Darian permanecera fechada.

O Alfa levou a mão ao peito.

— Fique — ordenou, dessa vez com a própria voz.

Uma sombra escura se abriu atrás dele.

As pessoas recuaram. Celina gritou quando Darian caiu de joelhos e a sombra ganhou volume, patas e um corpo coberto de pelos negros.

Íris se agarrou à cadeira.

O lobo saiu completamente do corpo do Alfa.

Era enorme. Seus olhos dourados passaram pelos convidados antes de encontrá-la.

Darian estendeu a mão.

— Volte.

A criatura atravessou o espaço entre os dois.

Ela não conseguiu se mover quando o focinho se aproximou de seus dedos. O calor em seu peito mudou, e a dor cedeu o suficiente para que respirasse.

Atrás do animal, Darian tentou se levantar.

O lobo mostrou os dentes, obrigando-o a ficar onde estava. Depois voltou o focinho para Íris e encostou-o em sua mão.

O contato trouxe uma lembrança.

Elisa estava ajoelhada no chão de um quarto. Havia sangue na manga de sua blusa e alguém diante dela, perto demais para que Íris conseguisse ver seu rosto.

Sua irmã ergueu a cabeça.

— Ela não sabe de nada. Eu juro.

Uma mão entrou em seu campo de visão e segurou o queixo de Elisa. No dedo, um anel de prata exibia o brasão dos Voss.

Íris recuou, rompendo o contato.

A memória desapareceu. O salão voltou ao seu redor, mas ela mal ouviu as vozes dos convidados.

Seu olhar encontrou a mão de Darian.

Ele usava o mesmo anel.

— O que você viu? — perguntou.

Ela abriu a boca, sem conseguir responder.

Darian deu um passo em sua direção.

— Íris, escute. Sua irmã…

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