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O Engano do Alfa
O Engano do Alfa
Author: Apples

Capítulo 01

Author: Apples
Quando ouvi a verdade, minha loba rugiu dentro de mim.

Por um mês inteiro, meu amigo de infância, Lucien Julian, o filho ilegítimo do Alfa da Alcateia Silvercrest, estivera me contando a mesma história…

…como os outros alunos da Academia Central do Lobo zombavam dele, o encurralavam e o humilhavam por um simples motivo, aos dezoito anos, seu lobo ainda não havia despertado.

Em nosso mundo, isso o tornava uma anomalia.

Eu acreditei em cada palavra.

Eu levei golpes destinados a ele, tanto físicos quanto verbais, sabendo muito bem que não poderia bloquear tudo, mas me recusando a me afastar de qualquer maneira.

Quando a pressão finalmente o esmagou, fui eu quem sugeriu o impensável.

— Transfira-se de escola. Comece de novo em algum lugar novo.

Naquele dia, ele estava encharcado sob um balde de água gelada que alguém havia jogado sobre ele durante o treinamento. Suas mãos tremeram quando ele alcançou as minhas.

— Eu não posso encarar outra academia sozinho — disse ele com a voz rouca.

Nós crescemos lado a lado, e eu há muito carregava uma afeição silenciosa e não dita por ele em meu coração.

Então não hesitei quando respondi.

— Não se preocupe, Lucien — prometi suavemente. — Se você for, eu irei também.

Agora eu entendia, tudo fora uma armadilha, um jogo que ele havia orquestrado cuidadosamente para me enganar.

Um de seus amigos riu abertamente.

— Você fingiu que seu lobo não havia despertado apenas para enganá-la e fazê-la se transferir com você.

— Ela é praticamente devotada a você. Não está preocupado que ela possa conhecer outra pessoa quando estiver lá fora?

A resposta de Lucien veio sem hesitação, transbordando confiança.

— Ela? Não seja ridículo. Ela é leal o suficiente para levar uma surra por mim e nunca reclamar. Você realmente acha que ela deixaria de se importar comigo?

Alguém murmurou incerto:

— Ainda assim... ela não parece o tipo que você deveria subestimar.

Lucien zombou, claramente entretido.

— Nossa academia está cheia de herdeiros e Alfas. Ela algum dia sequer olhou para algum deles? Ela está sempre orbitando ao meu redor.

Seu tom mudou então, carregado de uma irritação inconfundível.

— Sinceramente, ela é sufocante. Sempre ali. Sempre vigiando. É irritante.

Uma voz desdenhou.

— Ela esteve ao seu lado para sempre. Não me diga que você nunca notou o quanto ela é apegada. Se você terminou com ela, por que prolongar isso?

A resposta de Lucien veio mais lenta, desta vez com cansaço.

— Ela está sempre lá. Sempre vigiando. Sempre esperando algo de mim.

Outro suspiro.

— Eu não quero mais esse tipo de peso.

Então ele fez uma pausa.

— Além disso, Olivia não suporta vê-la por perto — disse ele casualmente. — Ela só relaxa quando estou com ela. Estou fazendo isso por Olivia. Vivienne apenas terá que suportar isso por um tempo.

As peças se encaixaram com uma clareza brutal.

Lucien começou a fingir que seu lobo ainda não havia despertado cerca de meio mês depois que Olivia Miller se transferiu para nossa academia, há cerca de um mês, quando seu despertar deveria ter acontecido, mas não aconteceu, e foi quando o bullying começou.

Alguém riu novamente, o som agudo de diversão.

— Droga, Lucien. Não levou tempo nenhum, não é? A garota nova mal se acomoda e você já é o mundo inteiro dela.

Outra voz seguiu, abertamente desdenhosa.

— Ela tem aquela vibe suave, frágil. Do tipo que faz um cara se sentir um herói apenas por estar ao lado dela.

Então, com um escárnio:

— Não como Vivienne. Ela é sempre tão composta, tão intocável. Afiada demais, orgulhosa demais. Claro, ela é linda, mas ela nunca faz ninguém se sentir necessário.

Eles riram mais alto, encorajados.

Lucien não os impediu.

Em vez disso, havia uma leve satisfação em sua expressão, como se ser admirado, não, perseguido, por uma promissora jovem loba herdeira fosse algo que valesse a pena saborear.

Por um batimento cardíaco imprudente, quase escancarei a porta, pronta para confrontá-lo, pronta para exigir respostas que eu já sabia que me destruiriam.

Por que você faria isso comigo?

Você sentiu ao menos um traço de culpa, vendo-me sangrar silenciosamente por você enquanto você permanecia intocado?

Então me lembrei do que minha mãe me disse.

— Pare. No momento em que alguém faz você questionar seu valor, essa pessoa já perdeu o direito à sua dor.

Percebi então que exigir respostas não me curaria, apenas daria a ele uma última vitória.

Então engoli cada pergunta.

E me afastei, deixando-o exatamente onde ele pertencia: atrás de mim.
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