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O PAI MISTÉRIO DO MEU FILHO
O PAI MISTÉRIO DO MEU FILHO
ผู้แต่ง: Bruna Marques

1 – O REENCONTRO

ผู้เขียน: Bruna Marques
last update วันที่เผยแพร่: 2026-09-03 14:28:19

Milão.

A cidade estava cheia de movimento, era primavera e o sol refletia nas fachadas elegantes dos edifícios históricos. O trânsito estava caótico. Olivier estava ansioso. Valentina falava sem parar. Para Catherine, era apenas mais uma viagem de trabalho.

Ou pelo menos era isso que tentava convencer-se. Milão era uma cidade que ela queria esquecer o nome, não que ela já a tivesse visitado, mas era uma cidade que ela não queria ir.

— Nervosa? — perguntou Olivier, sorrindo enquanto o carro atravessava o centro da cidade.

Catherine desviou o olhar da janela e sorriu de forma educada.

— É apenas uma apresentação de uma nova coleção de vinhos. já fiz dezenas – disse Catherine

— Nunca numa das maiores cadeias hoteleiras de Itália – referiu Olivier a sorrir

Ela encolheu os ombros.

— Há sempre uma primeira vez – disse ela a olhar pela janela

No banco da frente, Valentina consultava a agenda do evento.

— O Hotel Santoro é conhecido por receber investidores, empresários e figuras públicas, e o diretor-geral faz questão de estar presente em todos os grandes eventos – disse Valentina bastante animada

Catherine ouviu o apelido, mas não lhe deu importância.

Santoro.

Era um sobrenome comum em Itália.

Respirou fundo e voltou a olhar pela janela.

Três anos.

Três anos desde a última vez que vira Máximo.

Três anos desde a carta.

Aquela maldita carta que a destruiu por dentro.

" O que aconteceu entre nós foi um erro.

Um erro que não quero repetir.

Quando te conheci, estava longe de casa, aborrecido com a minha vida e à procura de alguma coisa que me distraísse.

Tu apareceste no momento certo.

Foste bonita, simpática e fácil de conquistar.

E eu deixei-me levar.”

Ainda conseguia recitar cada palavra.

Depois vieram as lágrimas.

A gravidez.

O nascimento de Émile.

E, por fim, a decisão de nunca mais procurar aquele homem.

O enorme salão do Hotel Santoro impressionava qualquer visitante.

Candelabros de cristal pendiam do teto, refletindo a luz dourada sobre o mármore branco. Empregados impecavelmente vestidos circulavam entre convidados de diferentes nacionalidades, enquanto o aroma subtil de flores frescas misturava-se com o perfume caro dos presentes.

— Impressionante... — murmurou Valentina ao admirar toda a decoração do hotel

— Os italianos sabem vender luxo — respondeu Olivier atento a todos os pormenores

Catherine limitou-se a sorrir.

A sua atenção estava concentrada nas garrafas expostas no elegante stand da empresa.

Era ali que se sentia segura.

No trabalho.

Enquanto organizava os últimos detalhes da apresentação, ouviu um dos responsáveis do hotel aproximar-se.

— Senhorita Gagnon? – disse um dos responsáveis do hotel

— Sim? – respondeu Catherine

— Dentro de alguns minutos, o diretor do grupo hoteleiro fará uma breve visita aos expositores para cumprimentar todos os parceiros – disse ele e ela apenas assentiu.

— Perfeito – disse ela e continuou a fazer o que estava a fazer

Nada de especial.

Mais um empresário.

Mais um aperto de mão.

Mais um sorriso profissional.

Do outro lado do hotel, Máximo Santoro ajustava os punhos da camisa enquanto caminhava pelos corredores.

A gravata permanecia desapertada.

Nunca gostara delas.

— Máximo... — chamou Donatello, tentando acompanhar-lhe o passo — A sua esposa não vem? – perguntou ele

— Não sei – respondeu Máximo

— Temos a visita aos expositores – continuou Donatello e Máximo suspirou.

— Mais protocolo... – disse ele e Donatello sorriu

— Faz parte do cargo – disse Donatello e Máximo não respondeu.

Desde que o pai lhe entregara a direção executiva do grupo, os dias resumiam-se a reuniões, contratos e jantares de negócios.

Era bom no que fazia.

Mas deixara de ser feliz há muito tempo.

O casamento com Andreia existia apenas no papel.

O casamento nunca foi nada para além de um contrato e noites de sexo.

No coração dele não havia espaço para amar nenhuma mulher ou melhor ele nunca deixara de amar uma.

Uma francesa de olhos cor de mel.

— Senhor Santoro – disse um funcionário abriu as portas do salão.

As conversas diminuíram ligeiramente.

Máximo entrou acompanhado por alguns administradores.

Cumprimentava convidados com o sorriso automático que aprendera a usar ao longo dos anos até que parou.

O tempo pareceu congelar.

Não.

Era impossível.

A poucos metros de distância, inclinada sobre uma mesa onde organizava algumas garrafas de vinho, estava uma mulher de vestido azul-escuro.

O cabelo castanho preso num elegante coque.

A mesma delicadeza.

A mesma postura.

Quando ela levantou a cabeça os olhos encontraram-se.

Catherine ficou imóvel.

O copo de cristal escapou-lhe dos dedos.

Partiu-se no chão.

O som ecoou por todo o salão.

Ninguém falou.

Ela deixou de ouvir tudo à sua volta.

Via apenas aquele homem.

Mais velho.

Mais maduro.

Ainda mais bonito do que nas suas recordações.

E com a mesma intensidade no olhar.

Máximo deu um passo em frente.

— Catherine… - disse ele e ela sentiu o coração acelerar de tal forma que lhe faltou o ar.

Não.

Aquilo não podia estar a acontecer.

Não ali.

Não depois de tudo.

— Não... — murmurou, quase sem voz.

Olivier aproximou-se imediatamente.

— Catherine? Está tudo bem? – perguntou Olivier ao ver o choque dela

Ela nem respondeu.

Os olhos continuavam presos aos dele.

Máximo parecia incapaz de acreditar no que via.

Durante três anos procurara esquecer aquele rosto.

Nunca conseguira.

Agora estava ali.

À sua frente.

Real.

Mais bonita do que qualquer memória.

— Catherine... eu... – disse ele e ela ergueu finalmente a mão, impedindo-o de continuar.

O olhar que lhe lançou não continha amor.

Nem saudade.

Apenas uma dor tão profunda que o atingiu como uma facada.

— Não diga o meu nome – disse ela com a voz firme — Eu não tenho nada para falar consigo – disse ela e virou-se imediatamente para Olivier.

— Tenho de ir embora – disse ela

— Mas a apresentação...- disse Valentina chocada

— Façam vocês, eu confio – disse Catherine e sem esperar resposta, caminhou em direção à saída.

Máximo deu dois passos para a seguir.

— Catherine, espera! – disse ele e ela parou apenas o tempo suficiente para olhar por cima do ombro.

As lágrimas brilhavam-lhe nos olhos, mas recusavam-se a cair.

— Esperar? – disse ela — Foi exatamente isso que fiz durante semanas – disse ela e depois desapareceu entre os convidados.

Máximo permaneceu imóvel.

Sentia-se como naquela manhã em Bordeaux, três anos antes.

Quando saiu do quarto de hotel onde ele estava com ela.

Ela dormia depois de mais uma noite intensa de amor.

Só que, desta vez tinha sido ela a partir.

E ele não fazia ideia de que, algures em Bordeaux, existia um menino de três anos chamado Émile, um menino que tinha exatamente os seus olhos.

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