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Capítulo 7: O Efeito Dominó

مؤلف: Aristelo
last update تاريخ النشر: 2026-09-01 22:42:54

Seis meses após a exposição, a carreira de Helena havia decolado. Suas obras não apenas decoravam a galeria de Julian, mas começavam a ser requisitadas por colecionadores.

Numa terça-feira à tarde, Julian estava em uma videochamada de negócios em seu escritório quando a tela do telefone particular tocou. O código de área era internacional. Ele atendeu no viva-voz enquanto assinava alguns documentos.

— Julian? É o Gabriel — a voz do outro lado da linha parecia inquieta, sem o habitual ar de superioridade.

— Oi, Gabriel. Aconteceu alguma coisa com nossos pais? — perguntou Julian, mantendo o tom profissional e neutro.

— Não, não... Eles estão bem. É que... bom, eu vi o catálogo da nova exposição internacional que você organizou e enviou para o grupo da família. Eu vi o nome da artista principal. Helena.

Julian fez uma pausa, encostando-se na cadeira de couro.

— Sim. É a Helena.

— Cara... é a minha Helena? A garota do Brasil com quem eu falava? — Gabriel riu, uma risada nervosa. — Eu não acreditei quando vi a foto dela no catálogo. Ela tá diferente, tá maravilhosa. Como é que ela foi parar na sua galeria? Ela te procurou por causa de mim?

Julian respirou fundo, sentindo uma mistura de pena e indignação pela ignorância do irmão.

— Não, Gabriel. Ela não me procurou por causa de você. Ela sequer sabia que tínhamos qualquer parentesco quando a conheci. Ela está na galeria porque é uma artista genial. E ela está na minha vida porque é a minha namorada.

Houve um silêncio absoluto na linha. A respiração de Gabriel travou do outro lado do mundo.

— O quê?... Sua namorada? Julian, você tá brincando, né? Ela era apaixonada por mim! A gente conversou por cinco anos! Ela me mandava fotos, a gente tinha uma história...

— Você tinha um hábito de usar a atenção dela quando estava entediado, Gabriel — corrigiu Julian, de forma fria e implacável. — Você passou cinco anos dizendo que ela era 'bonita demais pra ser sua amiga', mas nunca teve a coragem ou a maturidade de pegar um avião, de assumir um compromisso ou de tratar o coração dela com respeito. Você a manteve na prateleira para massagear seu ego.

— Julian, você não entende, eu... eu sempre gostei dela! Eu só achava que a gente tinha tempo, que a distância...

— O tempo acabou, Gabriel — interrompeu Julian. — Quando você decidiu agir como um garoto imaturo, ela cresceu. Ela fechou a porta para você e seguiu em frente. Ela não é mais a garota que esperava suas mensagens de madrugada. Ela é uma mulher livre, realizada, e que hoje vive uma relação de verdade comigo.

— Deixa eu falar com ela — a voz de Gabriel agora soava desesperada, embargada. — Por favor, me passa o número novo dela ou me deixa falar 5 minutos. Eu preciso dizer pra ela que eu me arrependo, que eu posso ir pro Brasil agora mesmo...

Nesse momento, Helena entrou no escritório trazendo uma xícara de chá. Ela ouviu a última frase de Gabriel saindo do viva-voz.

Julian olhou para Helena, oferecendo-lhe o aparelho se ela quisesse responder. Mas Helena apenas balançou a cabeça devagar, com um olhar de total serenidade e indiferença.

Julian voltou ao telefone:

— Ela não quer falar com você, Gabriel. E, para ser bem honesto, você só percebeu o valor dela agora porque viu que outro homem a enxergou e a assumiu. O seu arrependimento não é amor; é só o seu ego ferido por ter perdido alguém que sempre esteve lá.

Sem esperar pela resposta chorosa do irmão, Julian desligou a ligação.

Naquela noite, tarde da madrugada, Helena e Julian estavam deitados na varanda do apartamento, cobertos por um edredom macio, observando as estrelas. O silêncio era calmo, sem o peso da ansiedade que um dia a dominara.

Helena apoiou a cabeça no peito de Julian, escutando o ritmo tranquilo do coração dele, e deixou seus pensamentos fluírem uma última vez:

"É curioso como o ser humano costuma dar valor ao que tinha somente quando a ausência se torna definitiva. O Gabriel passou cinco anos alimentando a ilusão de que eu seria uma constante eterna em sua vida — um porto seguro para onde ele poderia voltar sempre que a vida lá fora ficasse vazia.

Ele achava que me elogiar, dizer que eu era o 'tipo dele' e me comparar com outras era o suficiente para me manter acorrentada à expectativa. Mas o desejo sem atitude é apenas fumaça.

Hoje, escutar o desespero na voz dele não me trouxe nenhum prazer de vingança, apenas uma profunda compaixão por quem vive aprisionado na própria imaturidade. Eu não precisei provar nada. A minha própria felicidade e a minha capacidade de me entregar a um amor de verdade foram a resposta mais bonita que a vida poderia dar.

Com o Julian, aprendi que ser amada não exige esforço, jogos ou espera. O amor real não nos deixa dúvidas; ele nos acolhe, nos deseja por inteiro e nos faz florescer."

Helena fechou os olhos, sentindo o beijo carinhoso de Julian em sua testa, e finalmente adormeceu — com a certeza absoluta de que estava exatamente onde merecia estar.

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