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Capítulo Seis

Penulis: Ninha Cardoso
last update Tanggal publikasi: 2022-02-08 20:02:21

Parte 1

Vitor ficou olhando enquanto Juliana desaparecia pelo corredor. Ficou pensando no que seria ter mesmo um compromisso com ela.

Estava a tanto tempo fugindo de algo sério, mas se tivesse algo assim, sem o peso de uma paixão seria muito mais fácil. Poderiam fazer um acordo. Seria bom para ambos.

_ Vitor!

Ele ouviu Jessé o chamando da cozinha. Se encheu de coragem e paciência e foi até ele.

_ Quando vai ser a data? - Jessé questionou.

_ Ainda estamos discutindo isso.

_ Bem, não demorem a acertar porque essa coisas levam tempo.

_ Eu sei - disse meio aborrecido.

Não gostava de ser cobrado e sabia bem a demora para um casamento. Ele já tinha sido casado antes. Só não podia dizer a ele que agora não tinham pressa por ser mentira.

_ E vocês têm que decidir onde vão morar. A fazenda tem muito espaço, é só escolher um local e podemos começar a construção de uma casa para vocês.

_ Morar aqui? - ele se espantou.

_ Por que não? Eu moro, o Joel mora, é claro que a Ju vai querer morar também.

“Ah, se você soubesse”.

_ Eu... A gente ainda não falou sobre isso.

_ Pois fale logo com ela. Já estamos com a casa terminando a reforma, é só passar para outra obra e logo a casa fica pronta. Ou se vocês quiserem ficar aqui na casa, podemos aumentar uma ala.

Jessé estranhou a cara que ele fez.

_ O que foi, Vitor? Tem algo que eu não sei?

_ Não... Só pensando sobre a proposta.

_ Mas é bem óbvio que seria assim - encheu um copo com suco gelado _ O que achou? Que vocês iriam se casar e se mudar daqui?

“Por aí. E agora?”

_ Eu vou falar com a Juliana.

Ele saiu logo antes que Jessé o chamasse de novo. Sabia que isso iria acontecer. Claro que os irmãos iriam querer que ela continuasse ali com eles. Para eles seria o normal.

Já sabia que daria problema, mais um nessa loucura em que se metera. Do nada, sem querer.

“M*****a bebida”.

Elle tinha prometido que iria ajudá-la com seu plano de ter seu próprio lugar, mas agora as coisas se complicavam. Precisavam se acertar e logo antes que tudo explodisse.

Viu os meninos passarem correndo de novo e perguntou a Luca se vira a tia.

_ Acho que ela está lá no estábulo.

Foi até lá. Juliana não o viu se aproximar e ele ficou quieto a olhando escovar a crina do cavalo malhado que ela montava.

Conversava com o animal como se fosse com outra pessoa. Ele achou engraçado. E bonito também. Ela tinha a voz suave e esfregava a testa do cavalo com muito carinho. Lhe deu um beijo e ofereceu um pedaço de maçã verde que o cavalo logo pegou.

Começou a compreender o modo dela pensar sobre os animais. Porque ela queria seu canto. Seu rosto tinha traços expressivos e enquanto falava com o cavalo ele via sua mudança.

De feliz para preocupada, para cansada. Juliana mostrava ao animal o que não deixava mais ninguém ver. Era muito interessante, nunca tinha percebido isso nela antes. Uma característica bem única dela.

O cavalo relinchou e balançou a cabeça e ela riu, o abraçando pelo pescoço largo.

_ Se todo mundo tivesse um coração puro como o seu, a gente não teria que sofrer tanto - ela disse.

Aquilo tocou o coração de Vitor. Juliana se tornava uma surpresa a cada momento. Uma agradável surpresa, de verdade. Deveria tê-la observado mais no passado e aprendido sobre seu jeito de pensar. Ela tinha ideias muito fortes.

Ficou observando-a mais um pouco, escovando e falando com o cavalo. Estava em uma situação estranha, ridícula até, mas isso não o estava incomodando tanto como deveria.

Se aproximou e sentiu seu perfume trazido pelo vento. O cavalo balançou a cabeça avisando-a de sua aproximação. Viu seu rosto mudar e ela se calou.

_ O que está aborrecendo você agora?

Ela fechou a baia e se afastou sem falar nada. Vitor segurou seu braço e a fez parar.

_ Me solte, Vitor - olhou para sua mão _ Só estou cansada, é isso. Minha cabeça ainda dói.

Ela estava se sentindo diferente com relação a ele e isso a incomodava um pouco. Tinha aberto seus planos para Vitor muito fácil. Algo que escondia até de seus irmãos.

A intimidade entre eles tinha sido por acaso, mas o modo como se sentia ao lado dele não era, tinha sido despertada após os momentos que passaram juntos, que se amaram sem preocupação. Até o dia seguinte chegar e tudo se enrolar.

_ Sabe, você é uma surpresa pra mim.

Ele foi andando e a fez se encostar contra a porta da baia e a encurralou, segurando de cada lado.

_ Eu detesto surpresas - ela respondeu.

_ E por que? - se encostou nela.

_ Nunca sei o que pode vir - apertou os ombros _ E nem sei se vou gostar. Não gosto de não ter controle sobre o que pode acontecer ou minhas emoções.

_ É mesmo? - desceu o rosto um pouco.

_ Nunca me faça surpresas, Vitor - avisou.

_ Nem no seu aniversário? - brincou.

_ Nunca - disse séria olhando a boca dele _ Falo sério, detesto surpresas. De qualquer tipo.

_ Vou me lembrar disso - roçou o nariz no dela _ Você está tensa.

_ Estou cansada.

Sua vontade de ser beijada de novo por ele só aumentava. E isso estava fora do que queria inicialmente, o que mostrava que tinha razão. Não podia se envolver com um homem ou perderia o foco.

_ Vou até uma farmácia e compro um teste de gravidez - disse _ Vai poder tirar sua dúvida. Isso ajuda um pouco?

_ Talvez - mordeu o lábio _ Mas isso vai chamar a atenção de alguém. A fofoca já começou a correr, tem que ter cuidado.

A família dela tinha aceitado a ideia de que iriam se casar, visto que pensavam que estavam juntos, mas o que diriam se por acaso ela estivesse grávida?

_ Nunca comprei um desses. Como é?

Ela deu uma risadinha. A cena seria engraçada.

_ É bem fácil, não tem erro. Pode pedir direto no balcão, mas eu não aconselho. Sabe que os fofoqueiros de plantão vão acabar ligando isso a nós dois e vai ser bem chato - mexeu a boca de um lado pra outro _ Vá na parte de medicamentos e produtos femininos. Com certeza vai encontrar mais de uma marca. Escolha a que achar melhor e compre.

Eles ouviram vozes. Jessé entrou no estábulo seguido de um funcionário e os cachorros da raça rottwailer que ele criava. Os cães correram para Juliana querendo sua atenção e a cheiraram.

Ela fez carinho na cabeça deles e voltaram para perto de Jessé. Quando ela fez menção de se afastar, Vitor a segurou pela cintura.

O funcionário sorriu e piscou o olho para ele, mexendo no chapéu para cumprimentá-la. Jessé abriu uma baia e puxou o cavalo de dentro. Sorriu para eles.

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