เข้าสู่ระบบMarcos Viana levou dezenove dias e entregou setenta e uma páginas.Entregou de manhã, numa quinta-feira, no galpão da segurança, dentro de uma pasta de papelão fechada com elástico. Não mandou por e-mail, não imprimiu na impressora da casa, não salvou em servidor nenhum: tinha comprado uma impressora doméstica com dinheiro próprio, imprimido em casa e queimado o cartucho.— O senhor vai querer sentar — disse.Gabriel sentou-se no banco de madeira encostado na parede do galpão.— Começa.— Eu vou começar pelo mais fácil, que é o dinheiro, e vou terminar pelo mais difícil, que é o que eu não consegui provar. — Marcos abriu a pasta. — Primeiro: quem assina o que o presidente não assina.Ele virou a primeira folha.— Nos &uacu
O resultado saiu em três dias, e a Dra. Yara Bittencourt ligou pessoalmente, o que Vera não sabia que médico fazia.— Dona Vera, é a doutora Yara. Pode falar?Vera estava no estoque. Desceu da escada. Enxugou a mão na calça.— Posso.— Os exames da sua irmã chegaram. Eu quero que a senhora venha ao consultório amanhã, com ela, e eu encaixei às oito da manhã antes da minha agenda porque eu não quero que a senhora espere até quinta.— Deu ruim?— Não. — Uma pausa curta. — Não deu ruim, dona Vera. Mas eu não vou falar isso por telefone.---Elas chegaram às sete e quarenta.A Dra. Yara abriu a porta ela mesma, porque a secretária só entrava às nove, e serviu duas xícaras de café numa cafeteira peq
A tomografia saiu numa terça-feira, e foi Vera quem pagou.Seiscentos e oitenta reais, parcelados em três no cartão da Sandra do estoque, que ela ia devolver em dinheiro no dia cinco de cada mês e devolveu, todos os três meses, sem falhar um.Ela recusou o dinheiro de Gabriel Valois pela quarta vez naquela semana. Ele não insistiu na quinta, o que foi, na opinião dela, a coisa mais inteligente que ele fez em todo aquele período.O laudo tinha três parágrafos e a palavra estava no segundo.---Vera leu no ônibus.Depois foi trabalhar, conferiu o estoque, almoçou marmita no vestiário, voltou para o estoque, bateu o ponto às três, pegou dois ônibus, chegou em casa às quatro e vinte, tirou o tênis na porta, deu o remédio da mãe, esquentou o café, ajudou o Davi com a tarefa de matem&aac
O encontro foi num sábado, às duas da tarde, na sala de uma casa alugada em Ermelino Matarazzo, e foi Vera quem marcou as condições.Ele chegou de táxi comum, às duas, sozinho.Não trouxe nada. Nem flor, nem sacola, nem envelope, nem brinquedo — e isso, Dona Zilda ia comentar semanas depois, foi a primeira coisa que ela achou boa no homem, porque *quem chega com pacote está comprando entrada*.Bateu palma no portão, do jeito que se faz naquela rua.Foi o Davi quem abriu.Ele estava de camisa de gola outra vez. Ninguém tinha mandado outra vez. Tinha penteado com água outra vez.— Boa tarde — disse Gabriel.— Boa tarde. — O menino segurou o portão aberto e ficou olhando. — O senhor veio de táxi?— Vim.— Por quê?— Porque a sua
A vila decidiu na quinta-feira de manhã, na padaria, e não votou nada.Foi assim: às seis e quarenta, o Seu Zezinho estava tomando café no balcão quando a Dona Aparecida, que varre a calçada da loja de artesanato, comentou que tinha onze carros parados na estrada de cima desde a véspera e uma van com antena.O Zezinho tomou o resto do café.Às sete e dez, a Saveiro dele estava atravessada na entrada da estrada de terra, com a caçamba abaixada, e ele sentado no capô com um termo de café e o rádio ligado numa estação de música sertaneja.Às sete e meia havia três caminhonetes.Às nove, o trator do sítio do Valdir estava parado em cima do acostamento, e o Valdir estava debaixo dele, com uma chave inglesa, consertando de maneira muito visível uma coisa que não estava quebrada.
Na quarta-feira, às sete da manhã, Clara Mendes desceu ao ateliê, acendeu o fogão a lenha e ligou para Alice.— Você está acordada?— Estou acordada desde ontem às duas.— Sobe aqui.Alice subiu em dezoito minutos, de moletom, com o cabelo preso com uma caneta, e encontrou a cunhada sentada no banco do torno com o celular apoiado numa lata de esmalte.— O que você vai fazer?— Eu vou falar.Alice parou no meio do galpão.— Clara.— Eu sei o que você vai dizer.— Você não sabe, porque eu ia dizer três coisas e nenhuma delas é a que você está pensando. — Alice puxou o banco baixo e sentou-se de frente para ela. — A primeira: a assessoria vai ter um troço. A segunda: se você falar hoje, você







