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Capítulo VII - Apocalipse 10.1

ผู้เขียน: Érika Gomes
last update วันที่เผยแพร่: 2021-07-05 09:47:23

Dentro da nova realidade que a vida apresentava para Naiara, tudo estava correndo bem, Agares estava sorrindo cada vez mais, tanto que ela acreditou que machucaria sua própria bochecha a qualquer momento, seus pais estavam transbordando felicidade e de uma forma muito calorosa, Amarantha estava sendo, não somente recebida, mas acolhida por todos. Naiara se orgulhava da mãe e desejou ser mais parecida com ela, que desfilava ao lado de Heylel, com o queixo erguido e sem perder em momento algum a compostura, estava mesmo tomando o lugar como seu. E seu pai, bem, não havia em qualquer mundo, alguém mais feliz do que ele, apresentava Amarantha para um e para outro, puxando uma vez ou outra Naiara para a mesma apresentação, enquanto a menina sorria e tentava, sem sucesso algum, se lembrar o nome e de onde era a última pessoa apresentada. Aquilo lhe rendeu alguns risos baixo.

Estava de costa, sendo servida por um garçom que chocaria qualquer corajoso, de uma bebida e tentando deixar registrado que teria que perguntar a Agares do que aquilo era feito assim que ele voltasse, havia ido resolver um problema a pedido de seu pai e não quis lhe falar sobre o que era, não queria gerar preocupação desnecessária, assim ele disse, antes de beijar seus lábios e sumir. Sentiu a tão já conhecida sombra atrás dela e não conseguiu conter o sorriso que se apossou de seus lábios, o fato de não querer nada com Yekun, não significava que deveria ignora-lo ou não se sentir bem com a sua presença, não é mesmo? Era isso que ela dizia a si, todas as vezes em que ele se aproximava e causava arritmia em seu coração. Eram somente amigos e nada mais, só amigos.

— Sua sorte que não estou querendo tomar um sol Yekun, com essa sua mania de sombrear minha existência, viveria pálida.

— Você é pálida, Naiara – Ele tinha razão. Naiara se virou de frente para ele o olhando.

— Não precisava pegar pesado assim né? – Sorrio – Gostando da festa? – Não sabia mais o que falar e odiava o silencio constrangedor.

— Não vai entrar para a minha lista de favoritas, mas... – Deu de ombros pegando o copo da mão de Naiara e tomando todo o liquido em um único gole, despertando assim o olhar de reprovação da menina.

— Serio mesmo Yekun? – Ele sorrio, como criança se desculpando após uma arte e ela não conteve o sorriso em resposta, não queria e não iria mais brigar com ele – Poderia ter pedido ou avisado que tomaria tudo, vou ficar com esse gostinho de quero mais agora, vamos achar outro garçom.

Ela estava se virando, já a procura de alguém passando com a bandeja de bebida, quando ele segurou o pulso dela a virando e puxando seu corpo para mais perto. Naiara ficou estática, não conseguiu se mover com o susto e a proximidade dele ou somente não querendo mesmo, não conseguia entender. Yekun inclinou o corpo sobre o dela bem devagar, aproximando seus rostos, a respiração da menina já começava a falhar, ele iria beija-la e Agares a mataria, ela mesma se jogaria de cima da torre, pois não conseguia encontrar nela, forças para se mover e resistir. Ao contrário do que pensou, Yekun parou a centímetros dos lábios de Naiara e respirou fundo, como se estivesse sorvendo tudo o que havia nela, sua voz saiu tão baixo, tirando um leve gemido da menina.

— Ou poderia ficar e provar do gosto da bebida em meus lábios.

— Estão querendo acabar com meu juízo, só pode – Naiara conseguiu se desvencilhar daquele encanto estranho que os prendia e se afastou andando no meio da multidão, buscando o ar que havia perdido.

Seus olhos varriam o lugar, buscando por Agares no meio de todas aquelas criaturas, ficou imaginando se ali estava somente os lideres, quantos seres seu pai tinha sob o seu comando, deveria ser incontável com certeza. Seus olhos percorriam o local, sentiu a respiração voltar ao seu normal, assim que viu os cabelos loiros e compridos vindo em sua direção, seu sorriso se ampliou enquanto ela olhava para Agares, agora já mais perto, sorriso que desapareceu no momento em que conseguiu ver o rosto de seu namorado, que passou por ela, tomando seu pulso e a puxando entre as pessoas, tirando Naiara do meio do salão. Os pensamentos da menina deram um salto em piruetas dignas de participar do atletismo na sua antiga escola, não estava entendendo o porquê daquela atitude, mas seu corpo travou no momento em que a possibilidade de Agares ter visto a gracinha de Yekun com ela foi lembrada. Naiara firmou os pés no chão e não se moveu nenhum centímetro mais.

— O que está acontecendo Agares? – Quis saber e não havia carinho algum em seu tom de voz. Agares se virou para ela e a forma mortal que seus olhos focaram os olhos de Naiara, fez um arrepio não agradável percorrer sua espinha.

— Por favor Nai, preciso te tirar daqui, somente... ande. – Ele voltou puxar Naiara que ainda firmava os pés no chão.

— Não darei mais um passo se não me contar o que está acontecendo.

E como se tivesse sido invocados, seus pais se materializaram ao lado deles e o comando da voz de Heylel foi alto o suficiente para não somente ser ouvido por quase todos no salão, mas para sentirem a autoridade esmagadora que saia dele.

— Tire-a daqui agora! – Gritou.

E como se o sol que banhava a terra em que Naiara havia sido criada, caísse e rasgasse o céu nebuloso do Sheol, uma claridade ofuscante inundou o lugar, seres corriam e se escondiam, tentando se proteger da luz, sem nem saber ao certo se aquilo machucaria. Os olhos de Naiara varriam o lugar, aflita com a possibilidade de alguém estar sendo machucado, mas nada acontecia, uma grande rajada de vento percorreu cada canto do salão, fazendo Naiara se segurar no braço de Agares para não cair, ela demorou alguns segundos para processar a informação, seu lar estava sendo invadindo, mas por quem e porque, não sabia ainda.

Antes mesmo que seus olhos conseguisse se acostumar com a claridade, Naiara deu um passo

à frente e suas mãos foram levantadas acima de sua cabeça e com um movimento simples, mas carregado de determinação uma onda de magia explodiu, se expandindo por todo o lugar e bloqueando totalmente a luz. No mesmo instante em que a magia azul envolvia Amarantha e deslizava sobre o seu corpo, como se estivesse esperando uma ordem para ganhar vida. Agares estava com as duas espadas desembainhadas, cruzadas na frente de seu corpo, até mesmo Yekun que não se encontrava ali alguns segundos antes, estava parado atrás de todos com as imensas asas negras abertas em posição de ataque, querendo somente aniquilar o invasor. Contudo Heylel andou calmamente por entre eles, passando por sua filha e com carinho lhe tocando a bochecha, parando a sua frente, sua voz agora baixa e controlada, mas ainda assim, alcançou cada canto daquele lugar.

— Ah Miguel, sempre tão dramático, precisava mesmo dessa entrada teatral?

Naiara se virou para olhar Agares, procurando por qualquer informação, não tinha ideia de quem era Miguel e porque brilhava tanto, mas seu namorado a olhava com as mesmas perguntas estampadas em sua face, contanto, Yekun deu alguns passos à frente, parando de forma protetora ao lado de Naiara, tendo Amarantha imitando o movimento. As asas negras tocavam levemente o corpo da menina, que sentia também a magia da mãe fazendo cocegas ao seu redor, a atitude protetora dos dois a fez entender que não somente conheciam Miguel, como também o temiam.

— Não foi teatro Lúcifer, “Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram” – Miguel citou um texto bíblico enquanto arqueava a sobrancelha, fazendo com que o corpo de Heylel se encolhesse levemente. Naiara odiava ver seu pai daquela forma, sabia o quanto sentia falta da sua essência e de tudo o que abriu mão para sentir uma gota da presença de seu Criador novamente.

— Ele se chama Heylel! – Ela disse com a voz severa e carregada de uma autoridade impressionante, antes que pudesse ser detida, Naiara se livrou do círculo de proteção de sua família e caminhou em direção ao anjo que ainda movia as asas e de forma surpreendente pairava no ar, acima deles.

Ele era lindo, não teria como negar, sua forma parecia preencher cada espaço do salão, como se não houvesse lugar grande o bastante para comportar aquele corpo, mas sua face era severa e de alguma forma, ele fazia Naiara se lembrar de Robert.

— Segure sua cria Lúcifer.

O desprezo na voz e a forma como ele falava com seu pai foi o suficiente para o tão conhecido temperamento explosivo da menina. Suas mãos que ainda estava no alto, como se segurando um teto invisível que protegia a todos da claridade excessiva, abaixou com força, fazendo a magia explodir dela e impactar de forma preocupante o teto do salão, extinguindo assim toda a claridade de uma só vez. Naiara levantou o rosto e encontrou o olhar de Miguel, que agora tentava voltar para a posição de antes, mas encontrava uma certa dificuldade devido ao impacto da magia da menina.

— Ele se chama Heylel, trate meu pai dessa forma novamente ou se refira a mim como cria, que farei você voltar para o lugar de onde veio, sem uma única pena em suas asas.

Foi somente nesse momento, em que não havia mais a claridade sobre eles e que agora ela conseguia ver além de Miguel que se deparou com a cena que havia imaginado durante toda a sua infância. Nos sermões de Robert enquanto ele falava sobre o julgamento final, ela sempre imaginou que um mar de anjos tomaria todo o céu, surpresa cobria a face da menina naquele momento, havia uma quantidade infinita de anjos, tantos que não conseguiria contar jamais. Mas foi a imagem de um anjo forte, com músculos tão bem definidos e grandes que parecia não combinar com o rosto literalmente angelical, cachos de um marrom tão lindo de chocolate derretido. Os olhos quase da mesma cor do cabelo, estavam escuro por causa da sombra que as sobrancelhas unidas projetavam.

Mais um passo.

Naiara levantou a mão como se conseguisse tocar o anjo que pairava ao lado de Miguel e a olhava com intensidade e um misto de raiva e saudade. Ela sorrio e seus olhos não conseguiram conter as lagrimas que se formou, caindo sobre sua face.

— Gabriel? – A voz da menina ecoou entre eles, Gabriel se moveu minimamente e um quase sorriso passou por seus lábios, mas então sua face se endureceu e como se uma dor de cabeça intensa lhe atingisse, ele se curvou levemente. Nesse instante três coisas aconteceram, outro anjo lindo e forte aproximou-se de Gabriel, colocando a mão sobre seu ombro de forma protetora, Miguel sorrio da maneira mais diabólica que Naiara conhecia e o rosto de Gabriel endureceu ao ponto de não haver mais nenhum traço que lembrasse seu amigo.

— O que fez com ele? – Ela gritou e sua luz vermelha cintilou ao redor de seu corpo. Miguel se moveu para frente e no mesmo instante, Naiara estava cercada por sua família novamente, tão envolvida que não notou que o salão agora estava vazio, não sabia em que momento daquele estranho encontro as pessoas haviam ido embora.

— O que eu fiz com ele? – Miguel perguntou, sua voz carregada de ironia - O que você fez com ele, afinal, não foi você que não somente o abandonou, mas apagou sua mente e o afastou de sua vida?

As palavras foram duras, mas verdadeiras. Agares se aproximou, entrelaçando os dedos ao de Naiara, inclinou-se sobre ela levemente, sussurrando em seu ouvido.

— Não deixe que isso te afete assim, o bonzinho sabe o quanto você o ama e que só quis protege-lo.

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