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CAPÍTULO 07

last update Data de publicação: 2021-09-07 22:32:23

      No sábado, deixou o Uno verde-escuro no imenso estacionamento da igreja às 7h45min.

      A rua Hunt Mállaguer, da zona norte — mesma zona onde residia —, localizada num bairro nobre, estava bastante movimentada, com aquela montanha de gente indo na direção do templo. Pessoas desesperadas?

      Saiu e deu uma olhada no templo.

      Era imenso — pelo menos uns 80 metros de largura — e possuía dois andares. Na frente, uma enorme escadaria, de 12 degraus, em aclive, que dava acesso à enorme porta da entrada — esta teria uns bons 30 metros de largura. Templo suntuoso e luxuoso!

      "Coisa de louco, meu. UAU!"

      Parou de admirar a estrutura, juntou-se à multidão, voltou à frieza e entrou.

      O potente ar-condicionado estava ligado, deixando o ambiente num clima agradável.

      Viu quatro fileiras de pequenas poltronas, cada fileira com seis poltronas, com os largos corredores entre elas. A multidão ia ocupando as poltronas. Notou que o salão fazia um declive até o altar. Descidinha suave.

      Nos fundos, distante uns 150 metros — num nível mais baixo —, o altar, alto e luxuoso. Na verdade, era um palco, com uma mesa enorme. Atrás da mesa, sentados, contou pelo menos 20 pessoas, entre homens e mulheres — todos adultos. Todos com roupas elegantes.

      Do lado direito do palco, um conjunto musical — com seis músicos. Ao longo das paredes do salão, homens altos e fortes, usando ternos escuros, que permaneciam de pé, de olho na multidão.

      Seguranças, claro.

      Um homem negro, alto e magro, de seus quarenta e poucos anos, falava ao microfone, enquanto andava pelo palco, de um lado a outro. Sua voz reverberava pelas paredes, por meio de um ótimo sistema de som.

      Ele fazia sua pregação de modo incisivo, como mandavam os manuais. Detestava esses gritos patéticos, que doíam nos ouvidos. O incrível é que a multidão parecia gostar. Arre!

      Dando início à sua investigação, foi até a base do palco, parou, voltou-se e passou a olhar a multidão, tentando realmente achar aquele que procurava.

      Antes, havia olhado para as pessoas que estavam no palco, fixamente. Ele não estava lá.

      O poço de tranquilidade Kleber também não. Notou que havia muitos jovens na igreja, além de muitas mulheres bonitas. Com certeza a maioria delas estava atrás de namorado.

      “Boa sorte, meninas lindas. Sejam felizes! Todavia, me incluam fora dessa.

      Não viu o loiro, o falso médico.

      Começou a andar, lentamente, salão acima, pelo corredor central, sempre de olho. A maioria dos frequentadores já estava sentada.

      Olhou, olhou e… definitivamente o sujeito não estava ali. Suspirou, meio que frustrado.

      Teria que desistir.

      Não gostou do ambiente daquela igreja. As pessoas pareciam... tristes ou desesperadas. Muitas rezavam — as mãos para cima —, outras estavam de joelhos, as cabeças baixas, algumas choravam (queria saber o motivo de tanto choro) e todas demonstravam estar em estado de êxtase, como que enfeitiçadas.

      “Um troço horrível. Um lugar horrível!

      Na igreja católica as pessoas não evidenciavam tamanho desespero.

      Sentiu-se mal, naquele ambiente. Não gostou nem um pouco de estar ali, no meio daquela gritaria, daquele patético chororô, daquele…

      "Arg!... Melhor não pensar nisso. Não mesmo. É hora de capar o gato”, pensou, ansioso, já subindo, em passos rápidos, na direção da saída.

      Aproximava-se da enorme porta quando foi abordado por um homem de meia idade, magro, alto e sisudo. O indivíduo, — de modo ostensivo —, ousadamente postou-se na sua frente:

      → Já vai sair, irmão? → o sujeito indagou, exibindo sinistra frieza nos olhos. Atrás dele, um dos sisudos seguranças o encarava.

      Não gostou daquela abordagem. Parecia uma espécie de intimidação. Infelizmente sabia que este era um procedimento típico dessas igrejas. Todas as evangélicas faziam isso.

      → Desculpe. Prometi dar um presente de surpresa para uma amiga, mas o esqueci no carro → mentiu, sorrindo.

      → Tudo bem, irmão → o homem o encarou, desconfiado. → Pegue → entregou-lhe um panfleto. → Caso não volte, saiba que só Cristo salva. Se você tem um problema, e tenho certeza que tem, e não quer ou não tem coragem de revelá-lo, para pedir ajuda, sabia que aqui nesta casa você encontrará a solução. Abra seu coração, pois, com o poder de Cristo, poderemos ajudá-lo. Não desista de sua fé.

      “Bobagem. Ele sabe que sou apenas um curioso, alguém que veio somente dar uma rápida olhada. E sabe também que não voltarei. Esse tipo de conversa patética não me atinge. Babaca!”

      Pegou o panfleto, meio que constrangido, agradeceu e saiu rapidinho daquele estranho e deprimente templo.

      Antes de entrar no carro, amassou o panfleto e o jogou na cesta de lixo. Sem lê-lo, claro.

      Dane-se!

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