O décimo quarto dia é quando ele para de fingir que está no controle.Eu acordo com o som dele sufocando. Um gorgolejo úmido, desesperado, vindo do peito. Levanto-me rapidamente, o corpo ainda dolorido, e vou até o lado dele na cama. Seu rosto está cinza-azulado, os lábios entreabertos, os olhos semiabertos, mas sem foco. A respiração é rasa, irregular, como se cada inspiração custasse esforço demais.Margaret aparece na porta, o roupão mal amarrado, o cabelo desgrenhado.— Chama o médico — digo, sem emoção. — Agora.Ela corre. Eu fico sentada na beira da cama, segurando a mão dele. Os dedos estão frios, úmidos de suor. Ele aperta fracamente, como se ainda tentasse me possuir mesmo à beira da morte.— Maeve… — a voz sai rouca, quase inaudível. — Não me deixa…Eu me inclino e beijo sua testa, exatamente como ele fazia comigo depois de me destruir.— Eu estou aqui, pai. Não vou a lugar nenhum.O médico chega em quarenta minutos. Examina, faz perguntas, pede exames. Fala em hospital nova
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