Yuna
Samuel passou oito anos voando.
Começou como copiloto e, depois de anos de dedicação, finalmente chegou ao posto de comandante.
Durante todo esse tempo, eu estive ao lado dele.
No ano mais intenso da carreira de Samuel, passei a organizar meus dias de acordo com a escala de voos dele e preparava as refeições.
Uma vez, fiz um pedido:
— Será que um dia você poderia me levar para ver como é o céu lá de cima, a dez mil metros de altitude? Só uma vez.
Samuel nem parou de mexer nos talheres.
— Aquilo é meu local de trabalho, não um lugar para passeio.
Apenas assenti.
Depois disso, nunca mais toquei no assunto.
Até a noite em que não consegui dormir e, enquanto mexia no celular dele, encontrei um álbum protegido por senha.
Havia mais de quarenta fotos ali, todas tiradas da cabine de comando.
Um mar de nuvens, o pôr do sol, um arco-íris duplo depois da chuva, a Via Láctea vista a dez mil metros de altitude...
Samuel tinha enviado todas elas para a mesma pessoa.
O contato estava salvo apenas com um emoji de ursinho.
A foto mais recente tinha sido tirada três dias antes.
Era um pôr do sol, com metade do sol parecendo repousar sobre a ponta da asa.
Samuel tinha escrito: [O de hoje também está lindo. Quando você vier de novo, senta no lugar do observador à direita. A vista de lá é a melhor.]
A pessoa respondeu com um emoji de abraço e uma frase: [Quando eu entrar de férias.]
Coloquei o celular exatamente onde estava.
Não troquei a senha.
Não apaguei o álbum.
......
Quando amanheceu, preparei o café como sempre e terminei em silêncio.
Depois, abri o computador, escrevi minha carta de demissão e comprei uma passagem para Sol Nascente.
Depois de oito anos, finalmente decidi parar de viver seguindo as rotas de Samuel.
Não queria mais ficar sozinha em uma casa vazia, tentando adivinhar para onde ele tinha voado.
Se não havia lugar para mim no céu dele, a dez mil metros de altitude, então eu ficaria em terra.
E iria em busca do meu próprio pôr do sol.