A Sorte que Ele Nunca Tirou
A família mafiosa Rossi seguia uma regra ancestral.
Antes de se casar, o herdeiro recebia, todos os anos, uma única chance de tirar a sorte. Se tirasse uma sorte favorável, poderia escolher a própria esposa e escapar de um casamento arranjado.
Dante Rossi tirou uma sorte desfavorável por cinco anos consecutivos, e eu, que namorava com ele fazia sete anos, nunca consegui me casar.
Aquele já era o sexto ano.
Por acaso, ouvi a conversa dele com Marco Valentino, o Subchefe.
— Sr. Rossi, o senhor tirou uma sorte favorável de novo. — A voz de Dante carregava uma frieza que eu nunca tinha escutado antes.
— Como sempre, troque por uma sorte desfavorável.
Marco hesitou por um instante, mas ainda tentou convencê-lo:
— Sr. Rossi, o senhor faz essa troca há cinco anos seguidos. Não tem medo de que Celia vá embora? Celia é a mulher mais bonita de Nopales. Metade dos homens da cidade corre atrás dela.
Dante respondeu com absoluta convicção:
— Ela não vai. Celia me ama demais. Nunca vai se casar com outro homem.
Depois, continuou, no mesmo tom calmo:
— Anos atrás, o pai de Livia morreu para me salvar. Antes de fechar os olhos, ele me pediu que eu ficasse ao lado dela por cinco anos. Quando este ano terminar, vou compensar Celia com um casamento grandioso.
Ao ouvir aquelas palavras, o último fio de esperança dentro de mim se partiu.
Dante provavelmente não sabia que a família Rossi ainda guardava uma última regra ancestral.
Se o herdeiro não tirasse uma sorte favorável por seis vezes, perderia o direito de decidir o próprio casamento.
E, em breve, eu me casaria com outro homem.