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Capítulo 2

ผู้เขียน: Ella Jean Ross
last update วันที่เผยแพร่: 2026-10-31 23:45:20

Roman

Então meu pressentimento estava certo.

Porra.

Mais tiros começaram, claramente direcionados ao nosso carro. Um deles atingiu o vidro da janela que eu havia fechado segundos antes. Nada se quebrou, mas eu já tinha me abaixado dentro do carro junto com Reggio e Dominic.

— Ande. — Ordenei. O motor roncou, mas um som áspero e metálico nos recebeu.

— Nossos pneus. Eles atiraram neles. — Reggio cuspiu, soltando alguns palavrões no mesmo instante em que o para-brisa se rachou.

É claro que sim. Meu maxilar se contraiu.

Quem era o responsável por aquilo era óbvio. Eu já havia previsto um ataque, mas ele veio mais cedo do que o esperado.

Marco havia planejado tudo também. Eles deviam estar nos seguindo até aqui por uma rota diferente — não havia carros nas proximidades — e então haviam se posicionado aqui. Sob a cobertura da escuridão, com os postes iluminando a nós, éramos carne na tábua de cortar.

Não havia outra saída senão sair dali.

Era isso que eu ganhava por me permitir um momento para mim mesmo.

Estalos agudos preencheram o espaço quando os postes nas proximidades começaram a explodir, um após o outro. Por mensagem, eu já havia ordenado que Alessio e os homens no outro carro atirassem nos postes. Talvez tivesse sido tarde demais para a preparação, mas havia funcionado.

Eles queriam nos atacar sob a sombra. Se fôssemos lutar, faríamos isso em condições de igualdade.

Deslizei o metal frio e familiar da minha pistola para a mão, alcançando o outro lado da porta.

— Saiam. — Ordenei em italiano, sinalizando para que abrissem a porta no mesmo instante em que destravei a minha. Agachando-me, atirei no último poste, mergulhando o lugar em escuridão completa.

Os tiros pararam e o silêncio reinou, mas aquilo não era uma vitória. Quaisquer que fossem os planos deles, não parariam diante de um pequeno contratempo. Eu não estava nem um pouco interessado em descobrir os truques que tinham na manga.

Olhando para trás, vi as sombras de Alessio e de mais dois homens, ainda aparentemente ilesos.

— Espalhem-se. — Ordenei. — Escondam-se, façam o que puderem para encontrar uma saída e voltar à base.

— Mas, chefe — Alessio sussurrou em protesto — você é o alvo principal. Se for ferido...

— Não temos tempo para pensar. — Interrompi-o. — Vamos nos separar e nos reunir ao amanhecer. Entraremos em contato então. Entendido?

Não houve resposta. Não precisava haver.

Em movimentos rápidos, seguimos em direções diferentes pela escuridão ao redor, enquanto eu corria pelo beco central.

Sob a cobertura da escuridão, com pouquíssimos lugares abertos, não havia como rastreá-los.

Os tiros recomeçaram, distantes e espaçados. A distração havia funcionado. Separados, eles não conseguiriam me localizar.

Mas alguns estavam perto. Perto demais para o meu gosto.

Uma súbita explosão de dor quente e cegante atravessou meu braço esquerdo, fazendo-me cambalear contra a parede. Mordi com força suficiente para sentir gosto de sangue, evitando o gemido gutural que ameaçava escapar.

Eu tinha levado um tiro.

Virando-me novamente através da névoa de dor, meu olhar se ajustou até que avistei a sombra de um homem em um telhado, iluminado o bastante para que eu pudesse vê-lo alcançando um dispositivo de comunicação.

Ele estava tentando se afastar, alertado, mas o teto era baixo demais e ele estava dentro do meu alcance.

Apontei a arma com a mão direita e puxei o gatilho, ignorando a contração metálica na minha garganta quando ele caiu.

Passos distantes surgiram. Eles estavam se aproximando. O sangue rugia em meus ouvidos em pânico. Eu não podia ficar correndo naquele estado. Precisava de um lugar para me esconder.

Um prédio arredondado na extremidade mais distante da rua chamou minha atenção. A porta era velha, fácil de arrombar.

Se havia alguma habilidade na qual eu me destacava, era arrombar fechaduras.

Ignorando a dor, corri até lá e tirei do bolso um grampo de cabelo improvisado que eu sempre carregava, rapidamente mexendo nos pinos. Meus dedos permaneceram firmes apesar da dor irradiando pelo braço. Anos de experiência assumiram o controle onde a capacidade de pensar com clareza falhava.

Pouco antes que os passos se aproximassem, um clique familiar soou.

Vitória.

Sem hesitar, girei a maçaneta e entrei de uma vez na sala, fechando a porta atrás de mim e me abaixando atrás do balcão.

Caí com mais força do que pretendia. A dor explodiu pelos meus ombros. Dessa vez, não consegui conter o gemido enquanto pressionava as costas contra o balcão e apertava os olhos. Forçando-os a abrir através da dor, olhei para baixo e encontrei uma tonalidade avermelhada manchando minha camisa preta a partir do rasgo, espalhando-se pelo resto do braço.

Sangue, e não uma quantidade insignificante.

A dor começava a se transformar em algo pior agora. Uma pulsação quente e feroz que parecia acompanhar cada batida do meu coração.

Eu estava perdendo sangue. RÁPIDO. A adrenalina era a única coisa me mantendo de pé. Quando passasse, eu estaria acabado.

Não havia como remover a bala sem causar uma quantidade significativa de dor ou choque. A única outra solução era estancar o fluxo de sangue primeiro e lidar com o resto depois.

Eu precisava agir rápido.

Meu olhar percorreu qualquer coisa que pudesse usar para estancar o ferimento.

Por algum golpe de sorte, uma iluminação fraca e quente preenchia a sala. Do lado de fora, ela se destacava em meio ao mar de lojas escuras. O dono devia ter esquecido de apagar as luzes. Ele não tinha medo de roubo?

Sem dúvida, era um descuido da parte de um dono tolo, mas eu não estava reclamando.

Olhando ao redor a partir de onde estava, não vi nada de útil. Havia prateleiras, livros e o que pareciam ser recibos, mas nada que servisse para alguma coisa.

Onde diabos eu estava?

Esticando o pescoço para olhar além do balcão, deparei-me com várias fileiras de livros, algumas cadeiras, prateleiras e placas.

Então percebi. De todos os lugares em que eu poderia ter invadido, eu havia escolhido uma PORRA DE UMA LIVRARIA.

Porra, que ótimo.

Murmurei palavrões baixinho e passei a mão livre às cegas pelas gavetas mais próximas. Tinha que haver ALGUMA coisa útil.

Objetos caíram no chão, nenhum deles útil. Além de recibos e alguns materiais de papelaria espalhados pelo chão, não havia nada.

A desesperança que vinha pairando à margem da minha mente começou a se aproximar. Um tiro distante fez meu estômago se contrair.

Eles ainda estavam lá fora. Talvez eu tivesse escapado, mas, se chegassem mais perto...

Rosnei, usando a mão livre para desabotoar freneticamente minha camisa e tirá-la com cuidado. Enfiei metade do tecido na boca como abafador, me preparei e pressionei o tecido profundamente sobre a entrada do ferimento. Fechei os olhos em agonia sem interromper a pressão.

Eu precisava continuar me movendo sem deixar um rastro. Só então conseguiria escapar.

Só mais um pouco...

Meu maxilar doía de tão apertado que o mantinha, enquanto me forçava a permanecer alerta para quaisquer passos ou tiros nas proximidades.

Em meio à névoa dolorosa, meu coração martelava em meus ouvidos em batidas profundas, acelerando cada vez mais até parar de repente. Quase como passos.

Espere... PASSOS?

— Que porra é essa?

Ah.

Meus olhos se abriram de repente. Virei a cabeça na direção do som, apenas para encontrar um par de olhos escuros me encarando de volta.

Duas constatações me atingiram naquele momento. A primeira era que, ao contrário do que eu havia pensado inicialmente, o dono não havia esquecido de acender as luzes antes de sair.

A segunda era que o referido dono, presumivelmente a mulher à minha frente, não havia saído. Ela ainda estava AQUI, olhando para mim.

Em meio à névoa da dor, consegui ver seus traços sob a luz fraca. Desde sua pele oliva escura até o cabelo preso em um coque. Seus olhos estavam arregalados, paralisados de choque, antes de desviarem lentamente.

Segui seu olhar para o lado, onde minha arma estava, seu brilho metálico sendo uma prova incriminadora.

Porra.

Eu sequer percebi quando o tecido usado para abafar meus gemidos caiu. O olhar dela voltou para o meu em silêncio, mas eu já sabia que estava acabado. Não havia outra explicação para um homem sangrando até a morte com uma arma.

Só podia rezar para que Madonna me poupasse. Não havia outra saída senão atravessar aquela situação.

Com a mão ilesa, alcancei a arma, pronto para ameaçá-la a ficar em silêncio, quando o som de uma porta sendo escancarada me fez parar. Ela ergueu o olhar, completamente assustada, e cada músculo do meu corpo ficou rígido.

Eram eles.

— Boa noite, senhora. — Fiel ao tom, a voz do homem era completamente estranha, com uma cadência que denunciava um sotaque estrangeiro, junto de surpresa. — Você é...

— Sim?

Pisquei ao ouvir a voz dela, seca e impassível a ponto de ser abertamente hostil.

— Bem-vindo à minha livraria. Agradeço o... entusiasmo, mas já passou do horário de fechamento. Você terá que voltar amanhã para pegar os livros que precisar.

O que ela estava fazendo?

Prendi a respiração, obrigando-me a permanecer em silêncio.

— Não é bem assim. — O homem falou lentamente. — Na verdade, eu queria perguntar se você viu alguém por aqui. Um homem estranho, usando roupas escuras. Ele pode ter corrido por estas redondezas ou talvez... entrado escondido.

Meu maxilar se contraiu. Segurei a arma com cuidado, a dor não registrada, e manchas negras rodopiaram em minha visão. Eu estava perdendo terreno.

Se ela dissesse alguma coisa e me entregasse, eu estaria acabado.

Forçando para trás a escuridão iminente, apertei a arma, preparando-me quando a voz dela ecoou.

— Não posso ajudar. Minha loja é à prova de ladrões e eu estive aqui o tempo todo. Ninguém entrou, até você, que aparentemente resolveu testar a resistência da minha porta. — Ela disse, fazendo meu coração falhar uma batida. — Agora, se me der licença, por favor, feche a porta ao sair.

— Você não se importaria se eu desse uma olhada, certo? Qualquer coisa pode acontecer...

— EU ME IMPORTO PRA CARALHO com quem estiver na minha loja. — A voz dela saiu mais agressiva, me assustando. — Quem é você, afinal? Você não parece ser alguém que costuma vir aqui.

— Eu só estava fazendo uma pergunta...

— Olha — ela suspirou exasperada. — Não estou a fim disso. A livraria está fechada, estou morta de cansada e não tenho forças nem paciência para ficar alimentando tudo isso. Espera... ALIMENTANDO...

Minhas sobrancelhas se franziram até ela recuar para longe do meu campo de visão. A tensão tomou conta de mim antes que ela balançasse a cabeça.

— Você é um profissional do sexo?

O quê?

— O quê? — O homem do lado de fora parecia igualmente confuso, mas tudo o que saiu dela foi uma sequência de palavrões.

— Merda. Seu filho da puta. Agora eu entendi. Se você é um daqueles ‘homens da noite’ que a tia Linda recomendou, estou AINDA MENOS interessada. Porra, ISSO explica essa sua roupa toda preta e maluca. Isso é mais uma daquelas merdas de roleplay de policial que vocês estão tentando fazer? Porque eu com certeza não gostei da primeira vez. Eu devia ter percebido pelos seus questionamentos estranhos e idiotas. O que vem agora? Você vai falar sobre me ‘punir’ por esconder um criminoso e começar a tirar a roupa como o último cara? Vocês nem têm roteiros diferentes? Pelo amor de Deus...

Eu não sabia se ria ou chorava. A incredulidade tomou conta de mim enquanto ela continuava a reclamar indignada, mal deixando que ele dissesse uma palavra enquanto falava sobre se despir, dignidade e... TANGAS?

Como diabos ela chegou a isso?

Ouvi o som distinto de alguém dando um passo para trás. Eu não precisava vê-lo para saber que o homem estava tentando entender o que tinha dado errado, tão perplexo quanto eu com a forma como ela havia invertido o jogo.

Mas tudo aquilo se resumia a um único fato.

Ela havia mentido. E AINDA estava mentindo por minha causa.

Ela poderia facilmente ter me denunciado sem fazer pergunta alguma. A situação já era ruim o suficiente, considerando que eu era o invasor, estava sem camisa, sangrando e armado com uma arma que eu havia considerado usar para ameaçá-la.

Mas ela não fez isso.

Por quê?

A dor parecia mais fraca, mas meus sentidos também estavam. Pisquei freneticamente, tentando me livrar daquela sensação, mas meu corpo e meus olhos ficavam mais pesados a cada segundo. O pavor começou a se infiltrar.

Eu não conseguiria.

— Porra de puta maluca. — Ouvi uma voz — a do homem — xingar na margem do meu campo de visão reduzido, seguido pelo som da porta batendo. Mais passos ressoaram, seguidos por um clique suave.

Ele tinha ido embora. Eu estava seguro.

Essa constatação drenou involuntariamente minhas últimas reservas de lucidez. Instantaneamente, a tensão à qual eu havia me agarrado se desfez, e afundei cada vez mais rápido.

A escuridão estava tomando conta, assim como alguma coisa flutuando diante da minha visão. Pisquei para enxergar com clareza, e meu peito se apertou.

Um par de olhos... o rosto dela, concentrado em mim.

Ela era... bonita.

Foi a última coisa que vi antes de mergulhar na escuridão.

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