เข้าสู่ระบบO quarto do hotel era funcional, asséptico e frio. Exatamente como Louise se sentia por dentro. Ela havia deixado a chave do seu antigo apartamento com a imobiliária na semana anterior, acreditando que nunca mais precisaria de um plano B. Agora, ali estava ela, sentada na beira da cama, com o celular no silencioso e uma caixa gigante de trufas de chocolate amargo no colo. Ela mordeu mais uma trufa, o gosto amargo e doce se misturando às lágrimas que ela já nem tentava mais enxugar. O celular vibrava sem parar na mesa de cabeceira. Gabriel. Ele havia ligado doze vezes e mandado inúmeras mensagens. "Louise, por favor, me deixa explicar." "Eu não sabia que ela ia dizer essas coisas. Eu vou resolver isso." "Onde você está? Eu preciso saber se você está bem." Ela não respondeu. Não sabia o que dizer. Não sabia como olhar para ele sem se lembrar do veneno na voz da Valentina: “Você não é nada. Você é só uma mulher que o meu pai está comendo e que ele vai cansar quando a novidade
O sábado amanheceu com aquele sol preguiçoso de São Paulo, mas Louise não conseguia aproveitar o calor. Seu estômago estava em um nó apertado desde que acordara. Era o dia da mudança. Ela estava oficialmente deixando o apartamento alugado pela mãe para morar com Gabriel. Não era um passo fácil. Ela havia passado o último mês em um limbo confortável, mas seguro: jantares, passeios no parque com Gabriel e Valentina, noites no apartamento dele sem a presença da adolescente. Mas agora, as caixas com seus livros, suas roupas e o restinho de sua independência estavam empilhadas na sala de estar dele, esperando para serem desempacotadas. E, como se fosse um presságio, a música alta que vazava do quarto de Valentina naquele momento já era o primeiro sinal de que o dia não seria fácil. Gabriel estava na cozinha, preparando um café forte. Ele estava radiante, com a camisa social amassada e um sorriso que não escondia a felicidade de tê-la ali. Ele se aproximou e a abraçou por trás, depo
O uísque queimou a garganta de Louise, mas ela não se importou. O líquido âmbar desceu quente, anestesiando um pouco do frio que sentia por dentro. Ela estava no jardim de inverno, encostada na parede de pedra, o copo vazio pendendo entre os dedos. A Mariana havia se afastado por um instante para buscar mais bebida, e Louise agradeceu o momento de silêncio. Ela ainda sentia o cheiro do perfume do Maicon, ouvia a voz dele ecoando em sua mente. Clínica psiquiátrica. A vergonha ainda queimava, mas o uísque começava a fazer efeito, deixando-a mais leve. Foi quando ouviu passos atrás de si. Ela não precisou se virar para saber quem era. — Se for para me perguntar se estou bem, não estou — Louise disse, a voz um pouco arrastada. — E se for para me julgar, por favor, espere até amanhã. Hoje eu já atingi a cota. Gabriel apareceu ao seu lado, as mãos nos bolsos da calça social. Ele não parecia com raiva. Parecia... resignado. — Eu não vim te julgar — ele disse, a voz baixa. — Os seus pais
A Mansão Durdday nunca parecia tão imponente quanto naquela noite. Para o casamento de Felipe e Mai, a decoração havia sido pensada nos mínimos detalhes: arranjos de orquídeas brancas e rosas cor de pêssego, luzes de fadas penduradas nas árvores do jardim e uma orquestra tocando jazz suave no salão principal. A família estava radiante. Mariana, deslumbrante em um vestido de veludo azul, não parava de sorrir. Charles e Anne circulavam entre os convidados, e Edward corria pela mansão com a energia de uma criança de três anos. Louise e Gabriel chegaram de mãos dadas, mas os dedos dela estavam gelados. A proximidade com a família, o cheiro familiar da mansão, tudo a transportava de volta para os momentos mais sombrios de sua vida. O julgamento, o escândalo, o noivado desfeito... Ela respirou fundo, sentindo o aperto no peito. — Você está bem? — Gabriel sussurrou, inclinando-se para o ouvido dela. Ele estava impecável em um terno cinza-chumbo, o cheiro amadeirado do perfume dele sendo u
Londres respirava o outono com a elegância de sempre. O ar frio da noite fazia as folhas secas dançarem pelas calçadas de pedra do South Bank, enquanto a iluminação dourada do Royal Festival Hall se derramava sobre o rio Tâmisa. Anna Whitmore ajustou o cachecol de seda sobre os ombros, sentindo o perfume suave de lavanda que usava se misturar ao cheiro úmido da cidade. Ao seu lado, Melissa caminhava com as mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo cinza-escuro, o rosto iluminado pelo brilho da noite, os olhos verdes ainda refletindo o êxtase do concerto de violino que haviam acabado de assistir. — Eu sempre esqueço o quanto Vivaldi pode ser... arrebatador ao vivo — Melissa disse, a voz um pouco mais suave do que o normal, quebrando o silêncio confortável entre elas. Anna sorriu, um sorriso lento e genuíno que suavizou as linhas de expressão ao redor dos seus olhos azuis. — É a magia dos instrumentos acústicos. Nenhuma gravação consegue capturar a vibração das cordas no ar. — Ann
O café do hospital não era grande coisa. Algumas mesas de fórmica, uma máquina de espresso que fazia barulho demais e uma vitrine com biscoitos que pareciam ter sido comprados na semana anterior. Mas, naquela tarde de terça-feira, o lugar parecia o refúgio mais aconchegante do mundo. Louise estava sentada em uma das mesas do canto, as mãos envolvendo a xícara de chá de camomila. Ela ainda usava o jaleco da clínica geral, mas os primeiros botões estavam abertos, e o cabelo loiro, agora um pouco mais curto, caía solto sobre os ombros. Ela parecia mais leve. Não era a Louise vibrante de antes, mas era uma versão dela que estava começando a se curar. Gabriel estava à sua frente, a xícara de café preto intocada. Ele a observava com uma intensidade mansa, quase como se ela fosse um pássaro que ele não queria assustar. — O novo setor é bom? — ele perguntou, a voz baixa. — É... calmo — Louise respondeu, dando de ombros. — A Dra. Regina foi muito compreensiva. Menos emergências, horários







