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Capítulo 5

Author: Cláu
last update publish date: 2026-09-19 21:43:29

Eu deveria ter me afastado, talvez qualquer pessoa normal teria feito isso.

Talvez qualquer garota sensata teria corrido no instante em que Kael disse aquelas palavras, no instante em que Lucien revelou que a escuridão dentro dele poderia me destruir também. Talvez eu devesse estar apavorada com tudo aquilo, com o vínculo, com a profecia, com o monstro escondido sob a pele do homem que passei a vida inteira tentando entender, mas eu não conseguia sair dali.

Porque Kael estava olhando para mim c
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  • És o Meu Destino    Capítulo 9

    — Minha filha voltou para casa.A voz atravessou a montanha e chegou até nós com uma clareza impossível. Não era uma voz distante, não parecia ter vindo da aldeia abaixo. Era como se tivesse sido pronunciada dentro da minha própria cabeça.Fiquei paralisada.A mulher continuava diante da casa de Alaric.O vestido branco movia-se suavemente com o vento. Os cabelos dourados caíam sobre os ombros, exatamente como eu me lembrava dos retratos que tinha visto escondida quando era criança. O rosto era delicado, quase sereno, e os olhos tinham aquele mesmo azul luminoso que eu carregava.Não podia ser outra pessoa.Era ela.Era Lyanna.Minha mãe.A mulher que todos disseram ter morrido quando eu nasci. A mulher cujo túmulo eu nunca tinha visitado porque Alaric sempre dizia que os restos dela tinham sido enterrados longe de Black Moon.A mulher que eu tinha passado dezoito anos imaginando apenas através

  • És o Meu Destino    Capítulo 8

    — Filha.A palavra atravessou o templo como um sopro vindo de um lugar que não pertencia ao mundo dos vivos.Fiquei imóvel.Kael apertou a minha mão.O contacto deveria ter-me tranquilizado, mas naquele momento até a presença dele parecia distante. Eu só conseguia olhar para o chão onde Darius tinha desaparecido. A rachadura havia fechado completamente. Não havia sangue, marcas ou qualquer vestígio de que alguém tivesse sido arrastado para dentro dela.Nada.Apenas as pedras negras e o símbolo circular que continuava brilhando sob os nossos pés.— O que foi isso? — perguntei.Ninguém respondeu.Olhei para Lucien, ele estava pálido. Foi a primeira vez que o vi realmente assustado, não preocupado, não surpreso.Assustado.— Lucien?Ele não tirava os olhos do chão.— Não deveria ter acontecido.Kael soltou a minha mão e aproximou-se dele.— O que não deveria ter acontecido?Lucien continuou em silêncio.— Responda.— Ela não deveria ter chamado por Selene.— Quem?Lucien levantou lentame

  • És o Meu Destino    Capítulo 7

    O mundo desapareceu debaixo dos meus pés. Não houve tempo para gritar, correr ou sequer procurar Kael. Num segundo, eu estava diante dele, vendo o sangue escuro escorrer pelo seu peito e as sombras se espalharem pelo chão como criaturas vivas, no seguinte, uma explosão de luz e escuridão atravessou a floresta inteira, tão violenta que senti o meu corpo ser arrancado do lugar. Árvores foram partidas ao meio, pedras levantaram-se do chão e o ar pareceu rasgar-se ao nosso redor. Ouvi vozes, ouvi alguém chamar o meu nome, ouvi Kael gritar alguma coisa que não consegui entender, mas tudo ficou distante, como se eu estivesse afundando num lago profundo. Tentei estender a mão na direção dele. Os meus dedos encontraram apenas o vazio. Então veio o silêncio. Um silêncio tão absoluto que, durante alguns segundos, não soube se ainda estava viva. Abri os olhos devagar, o céu estava diferente. Não havia árvores acima de mim, nem a lua de sangue, nem as nuvens pesadas que cobriam Black Moon na

  • És o Meu Destino    Capítulo 6

    Meu coração disparou tão forte que chegou a doer.O vento voltou a soprar violentamente entre as árvores enquanto aqueles homens permaneciam diante de nós como sombras vivas saídas de algum pesadelo. Todos eram altos, vestidos inteiramente de preto, com olhos negros iguais aos de Kael quando perdia o controle da corrupção. Mas havia uma diferença, os olhos deles não pareciam lutar contra a escuridão, pareciam aceitá-la. Meu corpo inteiro arrepiou.Kael deu um passo à frente imediatamente, posicionando-se completamente diante de mim. As sombras negras subiam lentamente por seus braços outra vez, vibrando como fumaça viva ao redor do corpo dele.Os homens sorriram, como se aquilo os divertisse.O que estava à frente inclinou levemente a cabeça ao observar Kael.— Faz anos desde a última vez que vi um descendente puro da linhagem Valemont.A voz dele era grave e estranhamente calma, perigosa.Kael não respondeu.Os músculos do maxilar dele estavam rígidos demais.Lucien permanecia imóvel

  • És o Meu Destino    Capítulo 5

    Eu deveria ter me afastado, talvez qualquer pessoa normal teria feito isso.Talvez qualquer garota sensata teria corrido no instante em que Kael disse aquelas palavras, no instante em que Lucien revelou que a escuridão dentro dele poderia me destruir também. Talvez eu devesse estar apavorada com tudo aquilo, com o vínculo, com a profecia, com o monstro escondido sob a pele do homem que passei a vida inteira tentando entender, mas eu não conseguia sair dali.Porque Kael estava olhando para mim como alguém prestes a perder a única coisa que ainda o mantinha vivo, e aquilo destruiu qualquer força que eu tinha para ir embora.A chuva havia parado completamente agora. Restava apenas o cheiro de terra molhada, sangue e madeira quebrada espalhado pela floresta escura. Os guerreiros permaneciam afastados, tensos, assustados demais para se aproximarem novamente. Theron observava tudo com os olhos estreitos, claramente tentando decidir qual seria seu próximo movimento.Mas naquele momento, nada

  • És o Meu Destino    Capítulo 4

    O silêncio caiu sobre a floresta como uma maldição, nem o mesmo vento ousava soprar.Meu corpo inteiro ficou rígido enquanto aquela voz ecoava entre as árvores escuras. Havia algo profundamente errado nela, não era alta. Não era monstruosa como os rugidos de Kael. Pelo contrário, era calma, controlada.E talvez fosse exatamente isso que a tornava tão assustadora, porque monstros que gritam podem perder o controle, mas monstros silenciosos não.Meu coração começou a bater mais rápido quando percebi uma coisa terrível, até Kael parecia muito tenso.A mão dele ainda tocava meu rosto, quente e enorme contra minha pele fria pela chuva, mas os dedos endureceram instantaneamente.Os olhos dourados fixaram-se além de mim, mortais, predatórios.Lentamente virei a cabeça, e o vi.Uma figura masculina surgiu entre as árvores como se a própria escuridão estivesse abrindo espaço para sua passagem. Ele usava um sobretudo negro longo que se misturava perfeitamente à noite, e seus passos eram lentos,

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