登入Cecília levou dez minutos para preparar um caldo simples para curar a ressaca.Ela a trouxe e entregou a Murilo. O vapor quente se espalhou entre os dois.Do lado de fora, através da janela da cozinha, Heitor viu de relance os dois sentados lado a lado no sofá. Suas sobrancelhas se contraíram, seu olhar se tornou extremamente sombrio. Ele tirou um cigarro do bolso, colocou-o entre os lábios e o acendeu.Dentro de casa, Cecília e Murilo estavam sentados a dois metros de distância um do outro.— Agora pode falar? — Ela virou a cabeça para ele.— A responsável pelo orfanato gastou todo o dinheiro que você e Manuela deram a ela. — Murilo fez uma expressão de pesar. — Ela aposta. Você sabia?— Você... tem certeza? — Cecília ficou perplexa, com uma expressão vazia.— Como eu poderia estar enganado? — Murilo tirou uma pilha de fotografias do bolso interno do paletó e as entregou a ela. — Veja você mesma.Cecília pegou as fotografias. Eram dezenas delas. Cada uma havia sido tirada em um moment
Dentro do carro, Heitor parou por um instante o movimento da mão que estava soltando o cinto de segurança. Com os olhos sombrios, observou Cecília se abaixar para entrar no carro e partir sem a menor hesitação.Seus lábios finos se comprimiram em uma linha reta. Os traços de seu rosto, firmes e marcantes, adquiriram um tom de melancolia.Seu olhar permaneceu fixo na direção em que Cecília havia ido.Na entrada do restaurante, Soraia também saiu. Ela ficou parada no mesmo lugar, olhando atordoada para o carro que se afastava rapidamente.— Vá pedir as gravações das câmeras de segurança do restaurante. — Ordenou Soraia ao motorista.O motorista imediatamente se virou para cumprir a ordem.O coração de Soraia disparou de forma incontrolável. O rosto belo e radiante que tinha acabado de ver fez com que, por um instante, ela enxergasse ali a imagem de si mesma quando era jovem.Embora achasse absurda demais a história contada por aquela mulher, ainda assim não conseguiu impedir que uma espe
Comparado ao restaurante escolhido por Edna, aquele era muito mais acessível.Elas se sentaram em uma mesa perto da janela, pediram alguns pratos simples e, enquanto esperavam a comida, voltaram a conversar sobre o que havia acontecido.— A Dona Edna não disse quem está cuidando do orfanato. — Como se tivesse acabado de se lembrar de alguma coisa, Manuela pegou o celular. — Vou perguntar à Juju.Quando foram embora, elas haviam comprado um celular para Juju. Quando a menina ficava na escola, o celular ficava com a professora. Em casa, ela ficava com ele e podia entrar em contato com elas a qualquer momento. Naquele dia, por acaso, era fim de semana, então Juju estava em casa.— Aquela menina é diferente das outras. Ninguém a impede de usar o celular, e mesmo assim ela também não fica grudada nele o tempo todo. Aposto que está estudando em silêncio. Já faz tanto tempo e ela ainda não respondeu.Manuela enviou uma mensagem e esperou por um bom tempo, mas não recebeu nenhuma resposta de J
O garçom esperava ao lado para anotar o pedido, mas Manuela só conseguia falar sobre a família Azevedo. Se não descobrisse o que estava por trás de tudo aquilo, ela não conseguiria nem comer.— Desculpe, temos um compromisso e precisamos ir embora. — Cecília a puxou para se levantar e explicou ao garçom, desculpando-se.Manuela deixou que ela a conduzisse até o carro e começou a procurar conhecidos para descobrir mais sobre a família Azevedo.Não muito longe dali, escondida em um canto, uma mulher observou as duas entrarem no carro. Então se virou para uma mulher que aparentava ter cerca de quarenta anos e disse:— Sra. Soraia, elas não lhe parecem familiares?— Como assim? — Soraia olhou para ela, incrédula. — Por que, do nada, você me trouxe para ver essas duas mulheres?— A criança que você deu à luz naquela época não morreu... — Edna respondeu sem hesitar.— Que absurdo você está falando! — Soraia a interrompeu, com uma expressão ainda mais incrédula.— Se é absurdo ou não, você só
Cecília e Manuela trocaram um olhar e ambas perceberam, pelos olhos uma da outra, que havia algo por trás daquilo.— Sei. — Respondeu Cecília, abaixando a cabeça e mexendo no celular, fingindo indiferença.— Já tiveram contato com eles? — Edna inclinou o corpo para a frente e baixou um pouco a voz.Os dedos de Cecília pararam por um instante. Ela desligou o celular e olhou para a Edna.— Se tem algo a dizer, diga logo.— Por que esse mistério todo? — Manuela já não conseguia conter a irritação. — O quê? Você é da família Azevedo?— Claro que não. — Edna balançou a cabeça. — Só estou dizendo para vocês ficarem longe da família Azevedo.— Por que motivo? — Perguntou Cecília.— Não existe motivo. Você acha que eu desejaria o mal de vocês? — Edna fez uma expressão de quem queria o melhor para elas. — Vocês duas nunca me escutam. Se eu falar e vocês não derem ouvidos, então não vou mais me preocupar. Se ofenderem a família Azevedo, eu não vou conseguir salvá-las.— Por que nós iríamos ofend
— Você está perguntando isso para mim? — Heitor devolveu a pergunta.Leandro não respondeu.A atitude da família Azevedo em relação a Cecília era estranha. Mas, mesmo que quisesse investigar, precisava encontrar um ponto de partida. Caso contrário, não havia por onde começar.— Investigue todas as possibilidades que você conseguir imaginar. — Heitor abriu levemente os lábios e, com poucas palavras, encarregou Leandro de uma tarefa gigantesca!Leandro teve vontade de implorar para ser poupado várias vezes, mas, no fim, engoliu as reclamações inúteis. Sabia que falar não adiantaria nada.Ele podia se acabar de trabalhar, mas Heitor não se importaria. Para ele, o que importava eram apenas os resultados.— Entendido.Bateram à porta do escritório.Heitor desligou a ligação e disse em seu tom grave.— Entre. Rafaela abriu a porta, com uma expressão aflita.— Sr. Heitor, a Sra. Tânia está aqui.— Quem? — Heitor franziu a testa e se virou para olhar.— A Sra. Tânia. — Rafaela repetiu.Assim
Assim que entrou no escritório, Nicole viu Leandro reservando passagens e perguntou apressada:— Onde está o Heitor? Por que você está comprando passagens?— Está na sala de descanso. Houve um problema urgente em uma das filiais, e o Sr. Heitor precisa ir até lá.Antes mesmo que Leandro terminasse d
Cecília era a mais promissora do orfanato. Graças ao seu excelente desempenho acadêmico, foi admitida com bolsa integral em uma das melhores universidades do país.Foi nessa época que conheceu Heitor.Entre tantos jovens ricos e privilegiados, ele se destacava, chamando a sua atenção.Cecília pensav
No meio da noite, Cecília postou uma foto do seu bebê recém-nascido, acompanhada da legenda: [Promovida a mamãe! Meu herdeiro legítimo!]Em menos de uma hora, o ex-marido, de quem ela tinha se divorciado há seis meses, bateu à porta.Assim que Cecília abriu a porta, o rosto sombrio de Heitor fez a
Os passos de Cecília cessaram de repente. Sua respiração falhou por um instante, e seu semblante foi ficando cada vez mais sério.— O que foi? — Leandro não entendeu. — Não foi você que pediu ao Sr. Heitor para te transferir de volta?— Não. Eu vim pedir demissão. — Cecília balançou a cabeça.— Demi







