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O Segredo dos Gêmeos do CEO
O Segredo dos Gêmeos do CEO
Autor: Sally Skellington

Capítulo 1: O Homem de Costas para a Janela

last update Data de publicação: 2026-08-12 01:27:49

Havia três coisas que Helena Drummond jurara nunca mais fazer na vida. Naquela segunda-feira, às sete horas e cinquenta e dois minutos da manhã, faltavam oito minutos para ela fazer as três de uma só vez — e ela ainda não sabia.

O trem da linha de superfície rangia nos trilhos como um lembrete constante de que o tempo não perdoava ninguém. Helena mantinha os olhos fixos na janela do vagão, observando o reflexo borrado do próprio rosto contra a paisagem de prédios cinzentos. As olheiras, disfarçadas sob uma camada leve de corretivo, eram o testemunho mudo de cinco anos de noites mal dormidas, de planilhas calculadas até o último centavo e da responsabilidade esmagadora de carregar duas vidas inteiras sobre os próprios ombros.

Ela ajustou a alça da bolsa no ombro esquerdo e soltou um suspiro imperceptível. Vestia um terninho bege impecavelmente alinhado — uma peça garimpada em um brechó de alto padrão e ajustada à mão por ela mesma, ponto por ponto, na mesa da cozinha, depois que os gêmeos dormiram. Helena podia não ter a riqueza das mulheres que circulavam pela Faria Lima, mas possuía algo que dinheiro nenhum comprava: altivez.

Quando as portas se abriram na Estação Cidade Jardim, ela desembarcou com passos firmes. O ar da manhã trazia o cheiro metálico do asfalto úmido e o rugido suave do trânsito de carros de luxo. A poucas quadras dali erguia-se o arranha-céu de espelhos negros da Vance Financial Group, um colosso de quarenta e cinco andares de aço, vidro e ambição.

Para o resto do mundo, a Vance era o coração pulsante do mercado financeiro da América Latina. Para Helena, até vinte e quatro horas atrás, era apenas o nome no topo de uma vaga disputadíssima para Assistente Executiva do Conselho. Ela havia passado por sete fases de seleção, testes de análise financeira cruéis e entrevistas em três idiomas. Vencera trezentos candidatos pela pura e simples excelência do próprio trabalho.

O que Helena não sabia — e o que o destino guardara como uma piada de mau gosto — era o nome do homem que ocupava a cadeira presidencial daquela fortaleza.

Ao cruzar as catracas no saguão de pé-direito triplo, ela apresentou o crachá temporário à recepção. A recepcionista, uma mulher engomada de maquiagem perfeita, deu um sorriso profissional enquanto checava o sistema.

— Senhora Drummond? O elevador privativo da diretoria está liberado. A presidência é no quadragésimo quinto. O senhor Vance não tolera atrasos. Nem de um segundo.

— Meu horário é às oito — Helena respondeu, conferindo o relógio de pulso prateado. — São sete e cinquenta e dois. Não pretendo deixá-lo esperando.

A mulher apenas assentiu, surpresa com a firmeza contida na voz da recém-chegada.

Helena caminhou até o bloco de elevadores executivos. Enquanto subia, sentiu o estômago dar um nó sutil. Não era medo corporativo. Ela dominava relatórios de fusões e aquisições como a palma da mão, identificava fraudes fiscais com um olhar rápido e falava inglês e francês com fluência impecável. A ansiedade vinha de outro lugar — de um pressentimento irracional, uma sombra invisível que parecia acompanhá-la desde que pisara naquele prédio.

Lembre-se do motivo, repetiu para si mesma como um mantra, enquanto os números digitais subiam. Trinta. Trinta e cinco. Quarenta. Você faz isso pelo Leo e pela Maya. Pelo remédio da febre do Leo, pela escola de período integral da Maya, pelo aluguel que vence todo dia cinco. Ninguém vai pisar em você nesta empresa. Ninguém.

As portas de metal escovado do quadragésimo quinto andar se abriram sem ruído.

O ambiente era um templo de luxo minimalista. O piso de mármore cinza espelhava a luz suave que vinha das janelas de vidro do chão ao teto, revelando uma vista panorâmica arrebatadora da metrópole. O silêncio ali era quase sagrado, quebrado apenas pelo zumbido discreto do ar-condicionado.

Atrás de uma mesa de recepção executiva, uma mulher de meia-idade e óculos de armação fina levantou o olhar. Era Márcia, a secretária sênior da presidência.

— Helena Drummond? — perguntou, com um tom neutro.

— Bom dia, dona Márcia. Sim, sou eu.

— O senhor Vance já está na sala dele. Cancelou a reunião das oito e dez para alinhar a transição da equipe. Deixe seus pertences no armário ao lado e entre direto. Ele prefere que não batam na porta; apenas entre e aguarde as instruções.

Helena franziu o cenho de leve. Estranho. A etiqueta corporativa exigia civilidade básica, mas o famoso presidente da Vance parecia governar por decreto.

Ela deixou o casaco bege sobre a cadeira de apoio, segurou a pasta de couro com os relatórios exigidos e percorreu os dez metros de corredor até a imensa porta dupla de imbuia escura.

Ajustou a postura, ergueu o queixo e girou a maçaneta pesada.

A sala da presidência era monumental. Cem metros quadrados de estantes de livros encadernados em couro, obras de arte abstrata nas paredes e uma mesa imensa de mogno maciço posicionada diante da fachada de vidro.

De costas para a porta, em pé diante da janela panorâmica, estava o homem.

Vestia um terno sob medida cinza-chumbo, sem o paletó, apenas o colete ajustado ao corpo atlético e aos ombros largos. As mãos estavam afundadas nos bolsos da calça. Ele observava os carros na avenida lá embaixo com a postura de um monarca inspecionando o próprio domínio.

— Deixe os relatórios do segundo trimestre sobre a mesa e prepare o café. Preto, sem açúcar — disse o homem. A voz era grave, ressonante, carregada de uma autoridade fria que parecia congelar o ar. — E garanta que a pauta do conselho esteja revisada antes das nove.

Helena parou a três passos da entrada.

Aquela voz.

O tom baixo. A vibração rouca no fim das frases.

A última vez que Helena ouvira aquela voz não havia ternos sob medida nem mármore importado. Havia lençóis desarrumados de um quarto de hotel simples numa noite de tempestade, cinco anos atrás. Havia sussurros contra a pele quente e uma promessa velada que virara cinza na manhã seguinte.

O sangue de Helena pareceu parar de circular por um segundo. O coração deu um baque violento contra as costelas. Mas o cérebro, moldado no fogo de anos de adversidade, reagiu antes do resto do corpo. Ela se recusou a recuar. Recusou-se a fraquejar.

— O relatório de fusões já foi revisado por mim às seis da manhã, senhor — respondeu. A voz saiu límpida, firme, num tom aveludado e perfeitamente equilibrado que preencheu o espaço entre os dois. — Quanto ao café, meu contrato especifica funções de Assistente Executiva de Gestão Financeira. Não de barista.

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

O homem diante da janela congelou. Devagar, como se processasse a audácia inaudita de alguém que ousava responder àquele comando naquele tom, tirou as mãos dos bolsos.

Alexander Vance girou sobre os calcanhares.

E, no instante exato em que os olhos cinzentos encontraram os dela, Helena entendeu duas coisas ao mesmo tempo: que aquele era o emprego pelo qual ela lutara a vida inteira — e que os dois filhos que deixara dormindo naquela manhã acabavam de entrar em perigo.

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