O Homem Que Não Se Curvou
Só conseguiu erguer as pálpebras por uma fresta e viu uma silhueta feminina, de cabelos compridos, parada diante da escrivaninha, mexendo em suas coisas.
Depois disso, afundou de novo.
Em algum ponto da madrugada, Daniel achou que estava sonhando.
A mulher no sonho parecia sua esposa. E, ao mesmo tempo, não parecia.
Mas, fosse quem fosse, a sensação era boa demais.
O sonho se prolongou. Daniel se deixou levar, sem nenhuma vontade de acordar.
O despertador insistia sem parar.
Daniel abriu os olhos e se sentou na cama, tomado por uma estranha dúvida. Lembrava com nitidez de ter apagado sobre a escrivaninha. Então como tinha ido parar na cama?