Home / Romance / A Babá do CEO Fera / CAPÍTULO 7 - O PRIMEIRO BEIJO ROUBADO

Share

CAPÍTULO 7 - O PRIMEIRO BEIJO ROUBADO

last update publish date: 2026-09-04 04:29:55

Sara não conseguia dormir. Já eram duas e quarenta e sete da madrugada e a mão dele ainda queimava na dela, mesmo depois que ele já tinha soltado há horas. Ela ficava virando de um lado para o outro naquela cama pequena do quarto de babá, mas o toque dele não saía da pele.

Ela tinha sentido a mão grande e quente de Thiago Fernandes entrelaçada na dela dentro do carro. Um gesto simples, mas que parecia ter marcado fogo.

Não aguentando mais, ela levantou descalça e foi para a cozinha beber água. A mansão estava completamente escura e silenciosa, coisa que dava até medo de tão grande. Só uma luz amarela e fraca estava acesa no escritório dele, no final do corredor.

Thiago estava lá, de costas para a porta, olhando pela janela enorme que dava para o jardim com um copo de uísque na mão. Sem paletó, sem gravata, só de camisa social branca com as mangas dobradas até o cotovelo e os dois primeiros botões abertos mostrando um pouco do peito. Sem a armadura de CEO mais temido do país, ele parecia só um homem cansado e sozinho.

- Não consegue dormir também? - ele perguntou sem nem virar o rosto. Como se soubesse que era ela só pelo barulho dos passos.

Sara tomou um susto e quase derrubou o copo.

- Como você sabia que era eu?

- Só você anda descalça nessa casa. A equipe toda usa sapato. E só o seu perfume é doce assim, parece baunilha. - ele finalmente se virou.

Ele olhou para ela de cima a baixo, devagar. Ela estava de camisola simples de algodão rosa, já um pouco velha, cabelo preso de qualquer jeito num coque bagunçado, sem maquiagem nenhuma, com olheiras de quem não dormia direito desde que chegou.

- Você devia ter me avisado que não tem pijama decente. - ele disse com a voz rouca. - Amanhã vou pedir para minha secretária comprar uns para você. De seda.

- Eu tenho pijama sim, obrigada. Não precisa comprar nada para mim. Eu não sou sua...

- Você não é o quê? - ele interrompeu e chegou mais perto, encurtando a distância entre os dois. - Você mora aqui agora. Debaixo do meu teto. E a babá da minha filha não vai ficar andando com roupa velha pela minha casa.

Ele chegou ainda mais perto. Agora Sara conseguia sentir o cheiro dele de perto, perfume caro e amadeirado misturado com uísque. Conseguia ver a barba por fazer e os olhos claros cansados. O coração dela disparou tão alto que ela tinha certeza que ele ia ouvir.

- Sobre o que você disse no carro hoje... - ela tentou mudar de assunto, com a voz tremendo.

- O que eu disse? - ele se fez de desentendido, mas chegou ainda mais perto, encurralando ela contra a bancada de mármore gelada da cozinha. Colocou uma mão de cada lado da bancada, prendendo ela.

- Que precisa que eu fique. Por que disse isso?

- E eu menti? - a voz dele ficou baixa, quase um sussurro rouco perto do ouvido dela. - Você acha que eu falo isso para qualquer babá? Você fica me olhando com essa raiva nos olhos e com essa boca grande me desafiando desde o primeiro dia da entrevista. Você me deixa louco, Sara. Louco de verdade.

O relógio da cozinha fazia tic tac muito alto. O silêncio entre os dois ficou pesado, carregado de tensão. Dava para ouvir a chuva começando lá fora.

Foi ele que quebrou o silêncio. Com a mão livre, segurou o queixo dela com uma delicadeza que não combinava em nada com o tamanho da mão dele e com a fama de Fera. Levantou o rosto dela para olhar nos olhos dele.

- Thiago, não... a gente não pode fazer isso... eu sou sua funcionária e você é meu patrão e tem a Lara...

Ele não deixou ela terminar a frase. Roubou o beijo.

De primeira foi rápido, bruto, quase um castigo, como se ele estivesse com raiva dela por fazer ele sentir aquilo que ele não sentia há três anos. Depois, quando sentiu que ela não empurrou, quando sentiu a mãozinha pequena dela agarrando sem querer a camisa social dele com força para não cair, o beijo mudou. Ficou lento, profundo, desesperado, cheio de saudade de algo que nem começou.

Sara agarrou a camisa dele com força. As pernas amoleceram de um jeito que ela nunca tinha sentido na vida. Ele tinha gosto de uísque caro e menta. A mão dele desceu para a cintura dela e apertou.

Quando ele finalmente se afastou, os dois estavam ofegantes, com a testa colada um no outro, respirando a respiração um do outro.

- Isso não devia ter acontecido. - ela sussurrou, com os lábios inchados e vermelhos e os olhos cheios d'água.

- Aconteceu. - ele disse, com a voz completamente falha e os olhos fechados. - E vai acontecer de novo, Sara. Pode ter certeza que vai. Agora vai para o seu quarto. Vai antes que eu não consiga mais te deixar ir embora dessa cozinha.

Ela correu. Entrou no quarto de babá e trancou a porta com a chave. Ficou a noite toda acordada, sentada na cama, com os dedos nos lábios inchados, sentindo ainda o beijo roubado do CEO Fera que tinha mudado tudo.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A Babá do CEO Fera   CAPÍTULO 10 - A VOLTA DA PATROA

    Lara chegou fazendo barulho, como sempre. Mochila rosa, tênis sujo de terra da escola, e gritando:- MÃE SARA! OLHA MEU DESENHO! TIREI 10!Sara ainda estava com a boca inchada do beijo, mas se ajoelhou e abraçou a menina como se nada tivesse acontecido.- Que lindo, meu amor! Você é muito inteligente, igual seu pai!Thiago, que estava na porta da sala com cara de patrão sério de novo, sorriu ao ouvir "seu pai". Ele amava quando Sara incluía ele naquilo.Mas a paz durou exatamente 4 minutos.O portão da mansão apitou. O segurança falou no rádio:- Sr. Thiago, a Sra. Camila voltou. Disse que esqueceu a bolsa. Posso liberar?Thiago olhou pra Sara. Sara apertou a Lara contra ela instintivamente.- Libera. - ele disse. - E traz a bolsa dela aqui na sala. Rápido.Camila entrou. De óculos escuros, mesmo dentro de casa, bolsa de grife, salto alto. Ela olhou pra Sara no chão com a Lara e deu aquela risadinha venenosa.- Ainda aqui, empregadinha? Achei que já tivesse entendido o recado.Antes d

  • A Babá do CEO Fera   CAPÍTULO 9 - UMA HORA SÓ NOSSA

    Sara não teve tempo de responder. Thiago já estava ali.Ele não a beijou de uma vez. Ele segurou o rosto dela com aquela mão enorme, que cabia o rosto inteiro dela, e ficou olhando. Olhando a boca dela, os olhos cheios de lágrima por causa da Camila, o pescoço que subia e descia rápido.- Você não tem ideia do que você faz comigo desde o dia que entrou aqui com esse jaleco do posto, né? - ele disse baixo. - Com essa mania de cuidar de todo mundo, até de gato de rua.- Thiago...- Shhh. Uma hora. Você me deve uma hora sem fugir.E aí ele beijou.Não foi o beijo roubado da cozinha de ontem. Foi um beijo com raiva, com ciúme, com vontade guardada. Ele encostou ela na parede da sala de brinquedos da Lara, uma mão na cintura dela, a outra ainda no rosto, e beijou como se quisesse apagar da boca dela a palavra "empregadinha" que a Camila tinha falado.Sara tentou ser forte por dois segundos. Juro que tentou. Mas o corpo dela não obedecia mais o Thiago. Desde o primeiro dia no Morro do Macac

  • A Babá do CEO Fera   CAPÍTULO 8 - CIÚMES NA MANSÃO

    No dia seguinte ao beijo roubado na cozinha, Sara evitava Thiago a todo custo. Ela não queria encarar ele depois do que aconteceu. Acordou mais cedo que todo mundo, tomou café sozinha na cozinha às seis da manhã e levou a bandeja da Lara para comer no quarto da menina, trancada.Ela estava com vergonha, com medo e ao mesmo tempo com os lábios ainda queimando.Thiago também não foi atrás. Ficou trancado no escritório desde as sete fazendo reunião online. Sara só ouvia a voz grossa dele mandando nos outros.Até que às três da tarde a campainha da mansão tocou. A empregada que ficava de dia tinha ido ao mercado, então Sara teve que ir atender.Quando abriu a porta enorme de madeira, levou um susto.Uma mulher loira, muito alta, magra, de vestido vermelho justíssimo e curtíssimo, salto agulha de quinze centímetros, bolsa da Louis Vuitton e um perfume tão forte que tomava a entrada toda. Maquiagem carregada, boca vermelha.- Oi, querida. - ela olhou para Sara de cima a baixo com cara de no

  • A Babá do CEO Fera   CAPÍTULO 7 - O PRIMEIRO BEIJO ROUBADO

    Sara não conseguia dormir. Já eram duas e quarenta e sete da madrugada e a mão dele ainda queimava na dela, mesmo depois que ele já tinha soltado há horas. Ela ficava virando de um lado para o outro naquela cama pequena do quarto de babá, mas o toque dele não saía da pele.Ela tinha sentido a mão grande e quente de Thiago Fernandes entrelaçada na dela dentro do carro. Um gesto simples, mas que parecia ter marcado fogo.Não aguentando mais, ela levantou descalça e foi para a cozinha beber água. A mansão estava completamente escura e silenciosa, coisa que dava até medo de tão grande. Só uma luz amarela e fraca estava acesa no escritório dele, no final do corredor.Thiago estava lá, de costas para a porta, olhando pela janela enorme que dava para o jardim com um copo de uísque na mão. Sem paletó, sem gravata, só de camisa social branca com as mangas dobradas até o cotovelo e os dois primeiros botões abertos mostrando um pouco do peito. Sem a armadura de CEO mais temido do país, ele parec

  • A Babá do CEO Fera   CAPÍTULO 6 - A APRESENTAÇÃO

    Sara acordou a Lara às 7h da manhã com a fantasia de borboleta azul em cima da cama.— Hoje é o grande dia da minha princesa!Lara esfregou os olhinhos, ainda com sono, mas quando viu a fantasia, sorriu.— Tia Sara, o papai vai mesmo? Ele prometeu?Sara engoliu seco. Thiago não tinha confirmado de manhã. A porta do quarto dele ainda estava fechada quando ela desceu para fazer o café.— Se o seu papai prometeu, ele vai. Fera também cumpre promessa.Ela ajudou Lara a se vestir. A menina estava linda, com as asinhas brilhando. Mas a cada cinco minutos, Lara corria até a janela.— Ele ainda não desceu?Às 8h15, Sara já estava com o coração apertado. A apresentação era às 9h.— Vamos, amor, senão vamos nos atrasar. Seu pai encontra a gente lá.Na hora de sair pela porta da mansão, uma voz grave veio lá de cima da escada.— Espera.As duas se viraram. Thiago estava descendo a escada de terno, sem gravata, e com um buquê pequeno de flores azuis nas mãos.— Papai?— Atrasado para a apresentaç

  • A Babá do CEO Fera   CAPÍTULO 5 - O TOQUE QUEIMA

    Sara não se mexeu.A colher dele ainda estava suspensa no ar, a poucos centímetros da boca dela. E os olhos dele não estavam mais frios.— Eu não sou criança pra você dar comida na boca, senhor Thiago.— Eu sei. — A voz dele saiu rouca. — Crianças não me olham desse jeito.O coração de Sara disparou. Ela desviou o olhar e pegou a colher da mão dele, os dedos roçando de leve. Foi só um segundo, mas foi o suficiente para os dois sentirem um choque.Ela tomou a sopa rápido, só para quebrar aquele silêncio pesado.— Satisfeito?Thiago se recostou na cadeira e cruzou os braços. Aquele terno caro, aquele relógio que devia valer mais que um ano do salário dela, e ali estava ele, num refeitório simples de empregados, comendo sopa de legumes.— Por que você veio trabalhar aqui, Sara?— Porque eu precisava do emprego.— Você tem faculdade de pedagogia. Poderia estar em uma escola particular ganhando três vezes mais. Por que na minha casa? Cuidando de uma criança que nem é sua e de um homem que

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status