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Não sei extamente há quanto tempo estou desaparecida, desde Agosto que eu não vejo a minha família, foi mais ou menos desde altura que ele me arrancou do meu quotidianho sob ameaça clara e específica de ferir meus filhos. Não tive outra opção a não ser entrar naquele carro para o destino incerto em que me encontro.
Houve momentos em que duvidei da minha força, da minha capacidade de me reinventar, depois de anos acreditando na crença alheia agora eu sei que na verdade eu sou sim tão forte quanto eu imaginava, graças a essa força eu não me quebrei, não enlouqueci, depois de suportar a tortura que meu corpo sofreu, cada marca em minha pele perfurou a minha alma, não serei a mesma depois disso.
Não me lembro de como vim aqui parar nem sei onde exatamente me encontro, nunca estive aqui, não me lembro de ter passado por essas ruas antes, os nomes dos lugares são estranhos para mim, eu reparei que os carros andam em sentido, tenho a certeza que estou na Europa, pois quando peguei no telefone daquele lugar e tentei ligar para o número de emergência que eu conheço a vida toda, a chamada não foi completada, definitivamente estou muito longe de casa, eu estou fora dos Estados Unidos.
Estou vagueando por ruas desconhecidas há horas, a estrada está coberta por nevoeiro denso a minha vista está limita pelo que a iluminação dos postes alcançam, não tem nenhuma alma andando aqui. Não sei nada de arquitetura, mas ao que parece estou numa cidade pequena do interior de algum país europeu. Eu só me lembro de ter entrado no carro dele e não sei quanto tempo passou, ainda não vejo luzes nem decorações natalinas então sei que ainda não é Dezembro, deve ter se passado apenas algumas semanas desde que saímos de Nova Iorque. O lugar onde ele me mantinha em cativeiro não me permitia ver o exterior eu não sabia quando era dia ou noite, meus olhos se acostumaram com as luzes daquele lugar. Com o passar dos dias notei que ele me fazia três visitas por dia, uma de manhã quando me dava o café da manhã, uma de tarde quando me trazia o almoço e outra à noite quando ele trasia o jantar e tentava tirar informações de mim. Ele nunca tentou fazer nada contra mim, muito pelo contrário, sabia que eu seria uma ótima moeda de troca e ter-me sã e salva era uma vantagem que não podia arriscar em perder, e se tocasse em um fio de cabelo meu, seria caçado e abatido como o animal raivoso que ele é. Comecei a correr desde o momento que consegui escapar daquela casa, já estou a caminhar há um bom tempo, não sei quantos quilómetros, mas a noite já está a se transformar em dia, e eu já não sinto os meus pés, não sinto dor, mas sei que eles estão sangrando por estar a andar descalça por horas, minha cabeça continua confusa. Eu não estou conseguindo abrir completamente os meus olhos, as luzes dos farois que avisto são demasiado fortes, ergo a minha mão à altura do meu rosto para diminuir o impacto, preciso ver o chão, não posso me dar ao luxo de tropeçar agora. Já não sinto frio talvez meu corpo ainda esteja repleto de adrenalina que me fez me libertar à força do meu cativeiro, é a única explicação plausível senão eu estaria congelando agora estou vestindo uma camisola fina, acetinada branca, não deu tempo de procurar outras roupas. As poucas pessoas que passam pela estrada olham para mim como uma alma penada, ninguém se digna a parar e oferecer ajuda, eu não posso parar de andar, eu sei que eles devem estar me caçando. Sem conseguir me comunicar com a minha família ao que parece terem sido meses, eles devem julgar que estou morta, pois sabem que eu jamais os abandonaria, minha filha Angel tem apenas cinco anos, sinto muita falta dela e do Ethan também. Minha família nem deve estar sentindo a minha falta, estar aqui não é diferente que estar o tempo todo trabalhando, eu mal via os meus filhos, se alguma vez tiver uma segunda chance de vê-los novamente, eu vou mudar tudo, eu vou passar mais tempo com eles, e não vou deixar que as suas infâncias sejam aruinada pelo veneno que têm estado a afastá-los de mim. Eu não sei como explicar para eles exatamente o que aconteceu, se eu contar toda a verdade nenhum deles me vai perdoar, a essa altura já devo ter perdido o meu trabalho de certeza, eu espero não ter perdido a minha família nesse processo. Eu sei que agora não tem lugar na terra em que eu possa me esconder, ele sempre vai me encontrar principalmente depois do que eu fiz, dessa vez ele não será tão gentil, eu temo pela minha família, espero que ele não faça mal aos meus filhos. Ele já demonstrou não se importar várias vezes tentou fazer mal a eles à minha frente e eu não pude fazer nada. Vejo luzes de faróis de carros vindo atrás de mim, alguém resolveu parar e me ajudar. Vou pedir que me ajude a chegar ao consulado dos estados unidos. O carro para ouço o barulho da porta a abrir-se e viro-me em direção ao carro, porém a luz é muito forte, então cubro parte da minha testa com a mão, para poder ver alguma coisa. Nossa! Finalmente alguém vai me ajudar a sair desse inferno. Eu vejo a silhueta de um homem se aproximando, o jeito que ele se move fez o meu instinto de sobrevivência ficar alerta, então dou alguns passos para trás, os passoos dele foram ficando cada vez mais perto. Uma voz no meu interior me diz para correr, mas eu não sou capaz de mover um músculo, eu preciso de ajuda espero que ele me ajude. Ele não diz nada, apenas ouço seus passos firmes e fortes, ao chegar mais perto de mim, me dou conta de quem ele realmente é. Meu Deus! Como ele chegou aqui? Não é ajuda, muito pelo contrário, ele veio para acabar com meu sofrimento de vez.O tempo pareceu parar, até mesmo a porta do elevador parecia mover-se em câmera lenta para se fechar novamente. Eu precisava sair dali. Dou dois passos, mas Ryan ainda segura meu braço, acompanhando-me para fora com uma destreza quase instintiva. O aperto é firme, tão firme que consigo sentir os batimentos cardíacos pulsando na ponta dos dedos dele, como se sua vida inteira estivesse concentrada naquele toque.— Ryan, não vamos fazer isso! Acabou, eu não fui atrás de você, eu aceitei o fim, seguimos caminhos diferentes, não sou a mesma garota que você enganou na faculdade e com quem você trepou durante seis meses.Ryan pareceu decepcionado ao ouvir minhas palavras. Pelos vistos, acreditava que éramos mais do que isso. Lentamente, ele solta meu braço, e sinto cada dedo afastar-se aos poucos, como se hesitasse em me deixar ir. Em seguida, leva a mesma mão por trás da nuca, soltando um suspiro pesado, inclinando a cabeça para trás. Observo atentamente cada fio da sua barba que cresce pel
Não pensei que pudesse voltar a vê-lo depois de tantos anos. Durante muito tempo, cheguei a acreditar que ele estivesse morto. Nunca tentei procurá-lo porque não queria acumular mais uma desilusão à coleção que ele me deixou. O fim da nossa relação continuava vivo na minha memória como uma ferida mal cicatrizada. Depois de seis meses juntos, desapareceu da minha vida de uma forma tão repentina que me deixou sem chão. Quando reuni coragem para lhe perguntar o motivo, limitou-se a dizer que eu nunca tinha significado nada para ele. Nada. Como se aqueles meses não tivessem existido. Como se tudo o que vivemos tivesse sido importante apenas para mim.Depois disso, nunca mais tive notícias suas. Nunca me procurou, nunca telefonou, nunca enviou uma única mensagem. Pensando agora, percebo o quanto fui ingénua. Nem sequer conhecia verdadeiramente a sua vida. Ele nunca me apresentou aos amigos, nunca me levou para conhecer a família, nunca me permitiu ocupar um lugar real no seu mundo. E, aind
Acabei saindo de casa mais descansada depois de saber que a Karina vai poder buscar os meus filhos. Suspeito que o Noah tenha feito uma cópia das chaves do Ethan, não vou precisar trocar a fechadura, eu vou é mudar de casa, pois agora que ele. Está morando perto de mim não terei paz e cenas parecerias a ontem a noite serão frequentes. Eu quis vir até a Delegacia de polícia do distrito de Manhattan, quis vir ver a minha amiga de longa data, a detetive Kate Blanched, somos amigas desde o ensino médio. Porém as nossas vidas seguiram caminhos muito diferentes.É a primeira vez que venho visitar ela no seu serviço, desde que me desviei pra advocacia que não nos vemos com frequência, estávamos em lados opostos da lei e a polícia não morre de amores por advogados.A última vez que estive aqui tivemos uma discussão muito feia, acabamos levando para o lado pessoal a defesa dos interesses dos outros, não nos falamos desde então.Espero que agora que estamos do mesmo lado a nossa amizade volte
A única coisa verdadeiramente boa que surgiu do meu casamento de cinco longos anos foi a Angel. Sempre que penso em tudo o que vivi ao lado de Noah, é a imagem dela que aparece primeiro. O seu sorriso, a sua gargalhada, a forma como corria para os meus braços depois de um dia difícil. Ela tornou tudo suportável. Tornou a dor suportável. Tornou os arrependimentos suportáveis.Durante cinco anos, dei-lhe o poder de ultrapassar todas as minhas barreiras emocionais. Confiei nele de uma forma que nunca tinha confiado em ninguém. E isso acabou por destruir-me por dentro. Cada erro que ele cometia transformava-se, de alguma forma, numa culpa minha. Cada mentira era facilmente justificada. Cada traição era escondida atrás de uma desculpa. Com o tempo, comecei a questionar a minha própria sanidade. Perguntava-me constantemente se estava a exagerar, se era demasiado sensível ou se o problema era eu.Quando o conheci, fiquei completamente encantada, Noah era carismático, divertido e tinha uma pr
Enquanto ele está pendurado bem à minha frente, gemendo de dor, seu sangue se espalha pelo chão gordurento, sujo de óleo de motor. Não devia ter vindo aqui quando Arthur ligou para mim. Na verdade só vim porque ele disse que tinha que impedir o Walter de cometer um erro terrível, não sabia que encontraria esse cenário. É uma brutalidade sem medida o que Arthur fez, e Wallie não percebe que isso está acabando com a sua vida e a esperança de uma vida normal. Eu estou nessa vida desde que me conheço por gente, já vi o diabo em cada rosto dos membros da minha família, esse inferno que só se sai morto. Estou vivendo nesse inferno por causa das escolhas dos outro, estou nisso hà tanto tempo que mortes como essa se tornaram meu quotidiano. Já estou acostumado a ver o Arthur torturando uma pobre alma por puro praser e o Wallie o ama tanto que ele decidiu imitá-lo em tudo. Enquanto a alma atormentada deixa o corpo desse pobre homem que está estendido no chão, Arthur ri-se alto, e o Wa
Sempre foi assim. A minha mãe dedicou-se a vida inteira a fazer-me sentir a pior pessoa do mundo. Desde que me lembro, fez questão de deixar bem claro que eu era a ovelha negra da família. Não importava o que acontecesse, a culpa acabava sempre por cair sobre mim. Se chovesse, de alguma forma eu era a culpada. Se algum dos meus irmãos partisse alguma coisa, eu era a culpada. Se surgisse um problema em casa, todos olhavam para mim antes mesmo de procurarem a verdadeira causa.Durante anos, carreguei esse peso sem questioná-lo. Cresci a acreditar que havia algo de errado comigo, que eu era realmente o problema que ela dizia que eu era.Acho que foi exatamente por isso que me casei com Noah. Queria provar à minha mãe, e talvez a mim mesma, que eu era digna de amor. Que alguém poderia escolher-me, amar-me e permanecer ao meu lado. Passei anos à procura dessa validação num casamento que, no fundo, nunca foi saudável.Hoje, depois de meses de terapia, consigo enxergar as coisas com mais cla







