LOGINA casa estava envolta em um silêncio quase sagrado naquela noite de outono. O mar ao fundo murmurava baixo, como se respeitasse o peso do que estava prestes a ser revelado. Matthew havia completado dezoito anos há quinze dias. Ele já não era o menino que corria pela casa com Nolah no colo ou que defendia o irmão com socos e palavras afiadas. Era um jovem alto, com os ombros largos herdados da presença protetora de Elias,
A decisão veio depois de uma semana inteira de conversas difíceis, lágrimas e silêncios pesados.Depois da briga entre Zion e Luka, a casa parecia ter entrado em um estado de alerta constante. Ninguém queria admitir, mas o medo de que o amor que haviam construído com tanto esforço estivesse se desgastando era real. Foi Elias quem propôs a solução, numa noite em que os quatro estavam sentados na varanda, exaustos de tanto falar sem resolver.— Vamos voltar pra onde tudo começou — disse ele, a voz grave e calma. — As Maldivas. A ilha particular. O mesmo lugar onde o Noel Imperial nos deixou. Mas, dessa vez, não como prisioneiros. Como livres. Vamos renovar os votos. Só nós quatro. Sem máscaras. Sem passado pesando. Só o agora.
Os meses seguintes ao lançamento do segundo livro de Maeve foram um turbilhão de emoções e conquistas. Correntes de Veludo estava vendendo ainda melhor que o primeiro, ganhando destaque em comunidades de dark romance e conquistando leitoras que devoravam cada cena explícita e emocional. Maeve viajava discretamente para eventos, participava de lives anônimas e passava longas horas no escritório, revisando, escrevendo e respondendo mensagens de leitores.A casa, que sempre fora um refúgio, começava a sentir o peso da nova rotina.Zion estava no estúdio quase todas as noites, compondo sozinho, o violão ecoando pela casa como um lamento. Luka mergulhava ainda mais fundo nos projetos da Lumina Security, mu
Elias foi, de longe, o mais visceral de todos.Certa madrugada, por volta das três e meia, ele desceu silenciosamente até o escritório de Maeve. A porta estava entreaberta, deixando escapar uma faixa fina de luz âmbar. Ele a encontrou exatamente como imaginava: inclinada sobre a mesa, vestindo apenas uma camiseta larga dele, os cabelos escuros bagunçados caindo sobre o rosto, os dedos voando sobre o teclado enquanto escrevia uma cena particularmente pesada — uma de dupla penetração emocional e física, cheia de rendição absoluta, estresse delicioso e prazer avassalador.Elias não disse uma palavra.Entrou no escritório como uma sombra grande e silenciosa, fechou a porta atrás de si com um clique suave e, em dois passos larg
Maeve estava sentada à mesa de escrita que Elias havia construído com tanto carinho, os dedos pairando sobre o teclado. A tela em branco do novo documento piscava como um desafio. Sombras que Abraçam havia sido uma catarse dolorosa, uma forma de sangrar no papel. Mas este segundo livro seria diferente. Mais ousado. Mais cru. Mais explícito.Ela batizou o título provisório de Correntes de Veludo. Uma história dark romance em que a protagonista, agora mais madura e consciente de seu desejo, se entregava a três homens que representavam não apenas posse, mas libertação através da rendição total. O enredo mergulhava fundo na dinâmica de po
Matthew estava sentado na varanda dos fundos, o celular na mão, o olhar perdido no horizonte onde o mar encontrava o céu. Aos dezenove anos, ele já carregava a postura de quem havia crescido rápido demais — ombros largos, olhar intenso, uma mistura perfeita dos três homens que o criaram. Mas naquela noite, a máscara de força caía. Seus dedos tremiam levemente enquanto relia a última mensagem.“Você acha que pode roubar o que é meu? Claire sempre foi minha. Se não se afastar, vou contar pra todo mundo quem sua família realmente é. Máfia disfarçada de família feliz. Escolha bem, Brooks.”A mensagem era de Tyler, o ex-namorado de Claire. Um garoto de família influente, capitão do time de futebol da universidade, com um ego tão fr&aa
Nolah chegou em casa mais cedo que o normal naquela tarde de quinta-feira. A mochila pesada pendurada em um ombro só, o uniforme da escola amassado e sujo de terra na altura dos joelhos. Ele não disse nada ao passar pela cozinha, onde Maeve preparava um lanche para Luna. Apenas seguiu direto para o quarto, fechando a porta com um baque mais forte que o necessário.Maeve franziu a testa. Aos treze anos, Nolah já não era mais o menino pequeno e quieto que chegara à família anos atrás. Tinha crescido, ganhado altura, e os olhos heterocromáticos — herança direta de Luka — agora carregavam uma profundidade que às vezes assustava. Mas ele ainda era sensível. Ainda carregava no peito a marca de quem havia vivido rejeição cedo demais.Ela deu alguns minutos ant