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Capítulo 5

Author: Miss Sunny
POV de Elena

Engasguei com o ar.

— Com licença?

— Não é um casamento falso. — Ele esclareceu, seus olhos escurecendo. — É uma união legal, com validade jurídica. Você se torna a Sra. Blackwood. Como cônjuge de um cidadão americano, seu status fica garantido imediatamente. Kane não pode tocar em você. Liam não pode ameaçá-la.

— Você está louco! — Sussurrei. — Você mal me conhece.

— Eu sei que você é a melhor no que faz. Sei que você é leal até demais, até ser traída. E sei que precisa de proteção. — Ele se inclinou para frente, sua intensidade era quase sufocante, mas de um jeito estranhamente envolvente. — Eu preciso de uma esposa para impedir que meu conselho de diretores fique me empurrando casamenteiras. Você precisa de um escudo. É uma transação de negócios.

Uma transação de negócios. Assim como Liam e Sophia.

— Eu não posso. — Disse, minha mão instintivamente cobrindo meu estômago novamente. O peso do meu segredo pressionava sobre mim. — Noah, minha vida está um caos agora. Você não sabe nem metade. Eu... Posso ter problemas médicos para resolver.

Pensei na consulta. Na interrupção.

Os olhos de Noah desceram para minha mão sobre a barriga. Seu olhar permaneceu ali por um segundo a mais do que deveria. Ele suspeitava? Não, isso era impossível.

— Qualquer bagagem que você tenha. — Noah disse com firmeza, voltando a olhar nos meus olhos. — Eu consigo lidar com isso. Não me importo com Liam. Não me importo com o seu passado. Estou oferecendo um futuro.

Ele empurrou a caixa um pouco mais para perto.

— Case-se comigo. Junte-se aos Titans. E veja Liam Sterling se arrepender do dia em que nasceu.

Meu coração martelava contra as costelas. Vingança. Segurança. Uma saída.

Mas eu poderia arrastar esse homem para o meu caos? E o bebê? Se eu me casasse com Noah, não precisaria me preocupar com dinheiro ou segurança. Talvez... Talvez eu não precisasse ir àquela clínica às 14h.

O pensamento foi uma pequena faísca de luz na escuridão.

— Eu... — Comecei, mas meu telefone vibrou novamente.

Era uma notificação da clínica.

Lembrete: Sua consulta é em 4 horas.

A realidade caiu sobre mim outra vez. Eu não podia me casar com Noah Blackwood carregando o filho de Liam. Seria uma decepção tão cruel quanto a de Liam.

Levantei-me abruptamente.

— Eu preciso de tempo. Não posso te dar uma resposta agora.

Noah não pareceu decepcionado. Ele parecia paciente. Como um predador esperando a presa perceber que não havia mais para onde correr.

— Você tem até meia-noite. — Disse ele. — Leve o anel.

— Eu não posso.

— Leve. — Ele ordenou suavemente. — Apenas no caso de mudar de ideia. Se você não estiver usando até meia-noite, vou assumir que a resposta é não.

Hesitei, então peguei a caixa de veludo. Ela parecia queimar na minha mão.

— Obrigada! — Sussurrei.

Quando me virei para sair, Noah falou mais uma vez.

— Elena?

Olhei para trás.

— Seja qual for a consulta que você tem às 14h. — Disse ele, sua voz baixando para um murmúrio rouco. — Certifique-se de que é o que você quer. Não o que o medo está ditando.

Congelei.

Ele sabia. Eu não sabia como, mas ele sabia.

Fugi do jato, meu coração correndo mais rápido do que jamais correra por Liam.

Às 14h, eu estava sentada na sala de espera da Clínica Feminina Eastside. O ambiente cheirava a antisséptico e aromatizador de lavanda. Era um cheiro feito para acalmar, mas para mim cheirava a desespero.

Eu estava sentada no canto, ainda com meus óculos escuros, segurando um formulário de admissão amassado.

Motivo da interrupção: A linha estava em branco.

Como eu poderia explicar? Meu marido é um bígamo. A amante dele está grávida do filho dele. Eu sou um peão em uma encenação de relações públicas.

— Elena Vance?

Uma enfermeira chamou meu nome suavemente. Eu me sobressaltei.

Levantei-me, minhas pernas parecendo chumbo. Caminhei até a porta, minha mão pairando sobre minha barriga ainda lisa.

Certifique-se de que é o que você quer. Não o que o medo está ditando.

A voz profunda de Noah Blackwood ecoou na minha mente, abafando o murmúrio da clínica.

Parei na porta.

O que eu queria?

Eu queria que Liam sofresse. Eu queria que Sophia pagasse. Mas eu queria apagar a vida crescendo dentro de mim?

Esse bebê era metade Liam, sim. Mas também era metade eu. Era a família pela qual eu havia rezado durante aquelas noites solitárias enquanto Liam estava "viajando a trabalho".

Se eu atravessasse aquela porta, estaria deixando Liam vencer. Estaria deixando a traição dele ditar meu corpo, meu futuro, minha maternidade.

Eu não era covarde. Eu era uma lutadora.

Olhei para a enfermeira, minha respiração trêmula.

— Eu... Eu não posso. — Sussurrei.

A enfermeira pareceu compreensiva.

— Tudo bem ter medo, querida. Podemos remarcar.

— Não! — Disse, minha voz ganhando força. Amassei o formulário em minha mão. — Nada de remarcar. Eu vou ficar com ele.

Virei-me e saí. Caminhei rápido, atravessando as portas da clínica e entrando na luz ofuscante da tarde.

Eu ficaria com meu bebê. E garantiria que Liam Sterling nunca, jamais, colocasse as mãos nele.

Duas horas depois, eu estava diante do espelho de corpo inteiro no meu quarto, encarando uma estranha.

Liam tinha mandado um vestido. Claro que tinha. Ele queria que sua "esposa" parecesse perfeita para a festa surpresa que ele achava que eu não sabia.

Era um vestido longo, verde-esmeralda, a cor do time dos Glaciers. Era justo, sem costas e deslumbrante. Era um uniforme.

Fechei o zíper. O vestido se ajustou ao meu corpo como uma luva, escondendo o pequeno segredo que ainda não aparecia.

Apliquei minha maquiagem com precisão cirúrgica. Delineador afiado. Batom vermelho. Eu não estava me arrumando para uma festa. Eu estava me arrumando para a guerra.

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