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16 Continuando a viver...

ผู้เขียน: Srta. Arthemis
last update วันที่เผยแพร่: 2021-10-28 07:57:25

Michel

            Dormir na casa de Mari naquela noite se mostrou a melhor decisão que eu poderia ter tomado, ainda me sentia triste e decepcionado, mas ao menos, me sentia acolhido. E logo no dia seguinte, estava me mudando para um dos quartos vagos na casa de Noah, que gentilmente me ajudou na adaptação, sugerindo que eu deveria procurar por ajuda psicológica se ainda estivesse me sentindo muito triste.

            Eu entendi o que ele quis dizer com aquela sugestão, afinal, mesmo tendo meus lamentos ouvidos e recebendo conselhos bons, se fosse um caso de depressão, precisaria de um tratamento mais sólido. Concordei, e acabei seguindo seu conselho, começando com algumas poucas consultas que, com o passar das semanas, me ajudou bastante a compreender a situação. A psicóloga, doutora Louise Finix, era uma mulher bonita, seus cabelos eram loiros e acomodavam-se encaracolados em um coque bagunçado, contrastando com suas sobrancelhas de fios castanhos claros perfeitamente alinhados, as quais, moviam-se expressivamente enquanto me ouvia.

            Eram as sobrancelhas mais expressivas que eu já tinha visto.

Foi a primeira vez que senti minha vida se agitando novamente depois de muito tempo, dias nos quais mantive minha mente o mais ocupada possível, enchendo a parede de post-its contendo um monte de pequenos objetivos que planejava cumprir no período dos próximos meses. Eram todas dicas da minha psicóloga, segundo suas palavras, meu nível de depressão não era tão severo, então, o que eu mais precisava naquele momento era pensar em mim mesmo, me cuidar.

Na quarta semana, ganhei um diário, onde supostamente deveria anotar não somente meus sentimentos, mas sim, minhas pequenas conquistas do dia a dia, deixando uma regra clara de que não deveria escrever pensamentos ruins ou tristes. E assim, meus novos objetivos, os quais já havia listado na primeira página, era encontrar um emprego e me tornar mais independente.

Eu não tinha exatamente uma área em mente, poderia ser um trabalho na recepção de uma loja, ou num caixa de supermercado, no momento, eu apenas planejava encontrar algo que além de me manter ocupado, proporcionasse dinheiro para que eu parasse de esvaziar minhas economias. Contudo, consegui algo muito melhor do que pensei, e ainda era relacionado aos meus estudos, me deixando muito feliz.

Um estúdio pequeno estava precisando de um estagiário que pudesse desenhar, aparentemente, eu não faria muito além de limpar e ajudar nos rascunhos, mas estava realmente muito animado com a ideia. Contei aos meus novos amigos sobre meu feito e fizemos uma pequena festinha no domingo à noite antes do meu primeiro dia de trabalho.

            Na manhã de segunda, acordei ouvido meu celular vibrando sobre o criado-mudo ao lado da cama, estiquei o braço, alcançando-o e desliguei o despertador, tentando voltar a dormir em seguida, porém, poucos minutos depois, o barulho se repetiu, dessa vez estranhamente mais alto. Sentei-me no colchão ainda um pouco sonolento e então lembrei o porquê de ter colocados tantos alarmes um seguido do outro, arregalei os olhos, percebendo que precisava me levantar ou perderia o horário.

Caminhei a passos lentos na direção do banheiro, praticamente me arrastando enquanto esperava a alma retornar para o corpo, bocejei, pensando comigo mesmo que não deveria voltar a dormir, e então, comecei a fazer minha higiene matinal. Tomei um banho, aproveitando para lavar meus cabelos ruivos e quando terminei, estava me sentindo mais revigorado.

Coloquei-me diante do espelho anexado às portas do guarda-roupas e fitei meu reflexo, não gostando em nada do que estava vendo. Meu rosto estava pálido e com olheiras que começavam a ficar realmente chamativas, os lábios desbotados também passavam a impressão de que eu estava anêmico, no mínimo que havia acabado de sair de um hospital.

Para tentar contornar essa situação, procurei por roupas que me fizessem sentir bem, ignorando qualquer vestimenta que não fosse clara – o que significava boa parte do meu vestuário –, e, enfim, depois de algum tempo, finalmente encontrei algo: uma blusa listrada colorida e jeans.

Sorri fraquinho para o meu próprio reflexo, penteei meus cabelos, arrumando-os de forma apresentável e completei o visual com um pouco de hidratante na pele e nos lábios para tentar melhorar a cor empalidecida. Respirei fundo, fitando a silhueta esguia sob as roupas e comecei a pensar que precisaria tomar alguma vitamina para repor o peso que havia perdido.

Quando cheguei ao estúdio, fui recebido por uma moça baixinha e que também tinha cabelos ruivos, ela sorriu percebendo que tínhamos aquela semelhança e rapidamente começou a me ensinar tudo o que eu precisava saber antes de começar o trabalho. O lugar era amplo e iluminado por sistemas de “claraboias” solares, havia três mesas de scaner, e toda a sala era rodeada por estantes cheias de papel, assim como também, material para desenho.

– Eu não mencionei porque conversamos pouco, mas você também precisará possar para ajudar nas ilustrações... – A ruiva, Izzy, comentou enquanto me mostrava as outras salas onde havia mais materiais, e até mesmo câmeras. – Está tudo bem com isso?

– Sim! Concordei prontamente.

Ela sorriu concordando e em seguida, disse que iria buscar café para os outros enquanto eu poderia começar a limpeza do estúdio, salientando que eu teria ainda trinta minutos antes dos outros designers chegarem, então me apressei a fazer minhas obrigações. Quando estava terminando de limpar o chão, Izzy voltou, entregando-me um copo de café expresso, e chamando-me para ir cumprimentar o resto do pessoal, parei em frente ao grupo de pessoas que começavam a se organizar e sorri sem graça, me apresentando de forma bem sucinta.

– Bom dia! Eu me chamo Michel, espero aprender muito com vocês! Exclamei sentindo meu corpo enrijecido, como se estivesse batendo continência para um general.

– Sou a responsável pelo design final. Alice, é um prazer conhecê-lo gatinho... – Uma mulher de cabelos longos e negros, sorriu lançando-me uma piscadela, em seguida, sentou-se atrás de sua mesa. – Poderia fazer algumas poses para mim?

– Claro! Tornei a exclamar, falando um pouco mais alto do que gostaria e me aproximei para olhar a pose que ela queria que eu fizesse.

– Creio que já tenha conhecido a Izzy, ela é nossa roteirista... – Alice explicou apontando a moça ruiva, em seguida, apontou para a outra moça que se acomodava. – E aquela é a nossa assistente Sammy!

Sammy sorriu para mim, acenando e em seguida, aproximou-se com um banquinho de pernas longas, colocando-o ao meu lado.

– Quero algumas poses também... – Comentou pegando um caderno de desenho grande e lápis que parecia ter uma ponta macia. – Segura o copo perto da boca, assim...

Fiz o que era sugerido, tentando ficar o mais imóvel possível, e depois de algumas horas fazendo uma grande variedade de poses, tiramos um tempinho para descansar. Sentei-me numa pequena escadinha, comendo uma das maças que ficavam no estúdio, aparentemente, eram cultivadas naturalmente no quintal do local, e fiquei pensando na vida, em como tudo parecia estar entrando nos eixos.

De repente, senti alguém sentando-se ao meu lado e notei que se tratava de Sammy, ela estava com seu celular em mãos e uma maçã na boca, parecendo realmente entretida no que via na tela. Depois de algum tempo, percebeu minha presença e sorriu de canto, mostrando uma rede social onde alguns rapazes mandavam mensagens.

– Já instalou algum app de namoro? Questionou enquanto mastigava a fruta.

– Não. Nunca tive facilidade com esse tipo de coisa... – Respondi num murmuro, pensando no quanto aquela cena era emblemática, visto que ela estava falando de namoro enquanto comia uma maçã bem vermelha.

– É interessante, acho que você gostaria... – Sammy comentou ainda conversando com seu crush enquanto esboçava um sorriso bem sugestivo. – Tem uns caras até bacanas.

– Sei disso não... – Murmurei franzindo as sobrancelhas, achando difícil acreditar no que estava ouvindo.

– Deixa eu te mostrar... – Ela sugeriu pegando meu celular e rapidamente baixou o aplicativo, mostrando-me o atalho na tela. – Desinstala se não gostar, mas acho que deveria dar uma chance, só pra se distrair um pouquinho.

Nesse momento eu realmente impressionado, minha mente oscilando entre a surpresa por ela ser tão sincera, quase intrometida, ou comigo mesmo por realmente estar começando a cogitar dar uma olhada naquele aplicativo.

Fitei as pessoas que apareciam para mim como sugestão e rolei pela linha do tempo, notando algumas pessoas que pareciam realmente interessantes. Não quis colocar meu grupo de interesse na frente de Sammy, tímido do que ela pensaria pois, nem nos conhecíamos direito ainda, sem contar que ela poderia ser contra o meu gênero.

Como se estivesse me incentivando a continuar naquilo, fui liberado um pouco mais cedo, fazendo com que eu ficasse remexendo no aplicativo enquanto esperava o ônibus passar. Coloquei uma foto minha, e comentei alguns dos meus interesses, percebendo que não havia nada de muito grandioso na minha bio. Quando cheguei em casa, Noah ainda não havia chegado, imaginei que estivesse ensaiando com seu grupo de orquestra e segui para o meu quarto, tomei um banho, e me joguei na cama, observando os perfis que tornavam a aparecer para mim.

Fiquei angustiado de repente, pensando que estava fazendo algo errado, então, depois de alguns minutos cheio de grilos, resolvi m****r algumas mensagens para Mari, questionando o que ela achava da ideia, e para a minha surpresa, ela respondeu concordando, sugerindo que seria uma ótima forma de ganhar experiência e esquecer meu antigo amor.

“Ganhar experiencia, hum?” Pensei comigo mesmo enquanto lia algumas mensagens que estava recebendo, cantadas na verdade.

De repente, uma chamada dela apareceu na tela, e quando atendi, ouvi sua voz soando mais séria do que imaginei que poderia ser, já que ela sempre era tão “saltitante”.

– Mas tenha cuidado, e não marque encontro em nenhum lugar suspeito! Ela exclamou, explicando os motivos óbvios da sua preocupação.

– Sim, senhora!

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