As Cinzas da Nossa História
Quando Gabriel trouxe sua sétima amante grávida para que eu realizasse o parto, seus amigos fizeram apostas sobre quantos segundos eu perderia o controle.
No entanto, até o momento em que o choro do bebê ecoou pela sala de parto, ninguém ouviu um único grito histérico vindo de mim.
— Cara, essa já é a sétima. Sua esposa não vai ficar brava e te ignorar de vez?
— Ela não pode ter filhos, e eu tenho um patrimônio enorme. — Gabriel respondeu com indiferença. — Mais cedo ou mais tarde, vou precisar ter filhos com outras mulheres para herdar meus negócios. Melhor começar logo e ter vários de uma vez, para que ela se acostume.
Assim que terminou de falar, saí da sala de parto carregando um bebê nos braços. Seguindo o protocolo profissional, anunciei:
— Parabéns. Três quilos e oitocentos. Mãe e filho estão bem.
Sorrindo, Gabriel pegou o bebê no colo e me entregou um acordo de divórcio.
— Assine. É só uma encenação para agradar a moça. Ela insiste que eu me divorcie de você antes de ter um segundo filho comigo. Quando o segundo nascer, teremos oito filhos. Aí ninguém mais ousará dizer que você não merece ser minha esposa.
Eu já havia participado dessa farsa com Gabriel sete vezes. Mas, desta vez, assinei meu nome sem hesitar.
Em seguida, aceitei o pedido de casamento de outro homem.
Gabriel devia ter se esquecido de que eu não sou incapaz de ter filhos, mas sim de que éramos geneticamente incompatíveis. Se eu quisesse uma criança, bastava encontrar outro homem.
Por que ele achava que eu passaria a vida criando os filhos de outras mulheres apenas por um título vazio de esposa dele?