MEU MARIDO, MEU INIMIGO
POV Daniel Lacerda
Aquilo sim era poder. As luzes, os flashes, os apertos de mão forçados. Cada detalhe cuidadosamente arquitetado pra nos manter no topo. Era bonito de ver. E ainda mais bonito de controlar. Minha mulher era perfeita. Impecável. Fria quando precisava, gentil quando o script mandava. Isabela sempre foi isso: uma estátua de cristal colocada sob os holofotes pra me engrandecer. Um acessório caro. Útil. E perfeitamente previsível. A homenagem da Lívia foi exagerada, sim. Mas estratégica. A associação nos rendia manchetes suaves, sorrisos de colunistas e selinhos da elite progressista. E com Lívia ali ao meu lado, no palco e na cama, eu controlava os dois lados da moeda.