Lembro de pegar 'O Segundo Sexo' da Simone de Beauvoir pela primeira vez na biblioteca da faculdade e sentir algo estranho: era como se alguém tivesse finalmente colocado em palavras tudo que eu vivia. No Brasil, onde o machismo ainda dita tantas regras, esses livros são como mapas que mostram rotas de fuga. A narrativa de 'Quem Tem Medo do Feminismo Negro?' da Djamila Ribeiro, por exemplo, me fez entender que minhas angústias não eram frescura, mas estruturas históricas que precisavam ser desmontadas.
Quando uma adolescente lê 'Sejamos Todos Feministas' da Chimamanda, ela ganha um vocabulário novo para nomear o que antes era só um incômodo mudo. É isso que transforma: saber que você não está louca, que existe uma tradição inteira de mulheres pensando sobre isso. Virou ritual entre minhas amigas emprestar livros sublinhados com trechos que doem de tão verdadeiros, e depois discutir sobre eles no bar, como quem planeja uma revolução sorridente.